Aniversário de 125 anos da Academia Pernambucana de Letras, no Recife, é motivo para se valorizar os encontros entre sensibilidade e razão
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Livros contam histórias, histórias são feitas por gente que gosta de se encontrar, e conversar sobre as histórias contadas e vividas. Nas escolas e universidades, nos eventos, na descontração dos bares e reuniões com amigos, falar e escutar sobre escrita e leitura é como escrever palavras no ar, ler nas vozes dos outros trechos de livros jamais publicados. Seja qual for o ambiente, tais encontros revigoram o espírito, temperam o cotidiano, aliviam e desaceleram a carga do tempo pesado e veloz.
Mas há lugares propícios ao cruzamento de olhares formando diálogos, quebrando o silêncio cacofônico da realidade virtualizada do lado de fora – quando o lado de fora pode ser uma pequena tela entre as mãos, raptando o ser-no-mundo da atenção e do mundo. Lugares como uma casa de cultura para o convívio de pessoas que prezam o cultivo da sensibilidade e da razão, sem descabida oposição: o sensível atende ao racional, o pensamento elaborado pelos sentidos vai mais fundo, no entrelace das palavras livres, como a razão deve ser.
A Academia Pernambucana de Letras (APL) é um lugar assim, há 125 anos. Uma casa aberta aos encontros possibilitados pela literatura, por histórias e gente dos livros. Somente em 2025, sob a batuta de Lourival Holanda, entre diversas presenças e compartilhamentos, passaram pela APL dezenas de escritoras e escritores, muitos das novas gerações, em interações preciosas para o público leitor. Também estiveram por lá nomes reconhecidos na cena editorial nacional, como Mary Del Priore, Leonardo Tonus, Marcelino Freire, Gerson Camarotti, Rogério Pereira, Dani Costa Russo e outros.
Além de ciclos de debates empolgantes sobre Guimarães Rosa, conferências sobre literatura, história, cultura, economia e filosofia. E, claro, lançamentos de livros, em algumas ocasiões, prestigiadas sessões coletivas de autógrafos. Sem esquecer a programação diversa e integradora do “Sempre aos Sábados”, em tardes de inspiração comandadas pelo acadêmico Cícero Belmar. Ou ainda, os momentos inesquecíveis de performances musicais, acolhidas na casa pernambucana da literatura.
Nesta segunda, 26, a APL faz aniversário e empossa a nova diretoria, tendo na presidência Margarida Cantarelli, e na vice, Maria Lectícia Cavalcanti.
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Flávia Jardim Ferraz Goyanna na APL – Eury Donavio
Manuel Bandeira na APL
Foi na Academia Pernambucana de Letras, na sexta, 23, o lançamento de “Afinidades anglófonas em Manuel Bandeira”, de Flávia Jardim Ferraz Goyanna, em publicação da Cepe. O livro traz afinidades de Bandeira com a obra do inglês John Keats, do irlandês William Butler Yeats e do norte-americano E. E. Cummings. A autora, que nasceu em Floresta do Navio (PE), mora em Londres, e veio ao Recife para um bate-papo com Andrea Ferraz, antes da sessão de autógrafos.

Fábio Fernandes lançou em São Paulo – Ninil Gonçalves
Os agentes do caos
Uma “aventura steampunk que presta homenagem aos grandes escritores do gênero do século XIX: Júlio Verne e H. G. Wells”, o livro de Fábio Fernandes foi lançado na tarde do sábado, 24, na livraria Na Nuvem, em São Paulo. “Os agentes do caos” é uma publicação da Avec.
Filipa Fonseca Silva
A livraria Blooks de Botafogo, no Rio de Janeiro, recebe a portuguesa Filipa Fonseca Silva nesta segunda, 26, a partir das 7 da noite, para o lançamento de “E se eu morrer amanhã?”, publicado pela Dublinense. Antes dos autógrafos, haverá debate com a professora e escritora Alessandra Magalhães.
Capitaloceno
A Elefante publica no Brasil a obra do mexicano Francisco Serratos, com tradução de Reginaldo Pujol Filho: “Capitaloceno – Uma história radical da crise climática”. O livro destaca “a acumulação ilimitada de riquezas através de diversas tecnologias como a guerra, a colonização, a privatização ou a espoliação. Dessa narrativa, todos participamos, mas não da mesma forma, porque historicamente não foram dados os mesmos benefícios para todos”, explica o autor. Mais informações no site www.editoraelefante.com.br.
O mais leve dos metais
Entrou em pré-venda pela Patuá o novo livro de poemas de Leila Guenther, “O mais leve dos metais”. A referência do título é o lítio. “Nos textos deste volume, busco algum equilíbrio na corda bamba do mundo”, diz a autora em suas redes sociais. Para apoiar a publicação, acesse www.editorapatua.com.br.

Capa do livro de Marcus Bruzzo – Divulgação
Seremos dados
Num mundo ocupado pela Inteligência Artificial (IA), como estará o ser humano? Em “Seremos dados: A perda do espaço humano para a inteligência artificial”, o filósofo Marcus Bruzzo reflete “sobre o que ainda nos distingue em nossas criações no mundo regido por algoritmos”. O prefácio é de Leandro Karnal. O lançamento da Difel será na Livraria Martins Fontes, em São Paulo, no domingo, 1 de fevereiro, a partir das 3 da tarde.
Boca do mundo
Escrevendo de Berlim para o jornal paranaense Rascunho, Carla Bessa abordou o livro da cearense Dia Bárbara Nobre, “Boca do mundo”, publicado pela Companhia das Letras, editora de São Paulo. Reproduzimos o trecho de abertura nesta coluna pernambucana: “A literatura contemporânea, como o mundo atual, parece refundar-se constantemente sobre um espaço-tempo movediço, no qual notícias, imagens, amizades e memórias (es)correm na mesma velocidade que as postagens nas redes sociais. Nesse contexto, não é de se admirar que a escrita alegórica esteja em alta, pois, quando o fantástico parece mais real do que a realidade, leitoras e leitores tendem a buscar refúgio no místico”. Leia o texto completo em www.rascunho.com.br.
Luzes literárias
Um dos belos trechos de “Mulher de pouca fé”, de Simone Campos, publicado pela Companhia das Letras: “A literatura foi uma das luzes que vi no fim do túnel. Na biblioteca e na sala de aula, cansada de hipocrisia, me consolei lendo Machado de Assis com suas finas ironias e construções de linguagem, e seus tão modernos capítulos curtos, de folhetim. Aprendi que eu podia ser estranha à vontade com Clarice Lispector – danem-se as expectativas sociais sobre ser mulher. E Mário de Andrade me ensinou, com ‘Amar, verbo intransitivo’, que formas não tradicionais de amor e apego podem ser belas”.

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