Nova era em Alzheimer: o que muda com a chegada do lecanemabe, para quem ele funciona e como ele se soma ao tratamento da doença

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Nova era em Alzheimer: o que muda com a chegada do lecanemabe, para quem ele funciona e como ele se soma ao tratamento da doença


Ao lado do donanemabe, lecanemabe consolida nova etapa no tratamento de Alzheimer, focada na desaceleração da doença e critério rigoroso de indicação

Por

Cinthya Leite


Publicado em 08/01/2026 às 21:29
| Atualizado em 08/01/2026 às 21:32



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A aprovação do lecanemabe, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), marca mais um passo no reposicionamento do tratamento da doença de Alzheimer no País. Ao se somar ao donanemabe, imunobiológico já autorizado no Brasil, o medicamento amplia o conjunto de terapias capazes de atuar diretamente nos mecanismos da doença em estágios iniciais. Isso inaugura um cenário mais diversificado de terapêuticas. 

A Anvisa aprovou o uso do lecanemabe, imunobiológico indicado para pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve associados à doença de Alzheimer. Diferentemente das terapias tradicionais, o medicamento atua na fisiopatologia da doença, o que ajuda a reduzir o acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, um dos principais marcadores do processo neurodegenerativo.

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Até recentemente, o tratamento de Alzheimer se concentrava no controle de sintomas cognitivos e comportamentais, sem interferir diretamente na progressão da doença. Segundo o geriatra Rodrigo Patriota, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia em Pernambuco (SBGG-PE), havia uma limitação importante justamente nas fases iniciais.

“Existia uma lacuna no tratamento do comprometimento cognitivo leve. Não havia nenhuma terapia específica para esse estágio. Os imunobiológicos surgem com a proposta de retardar a progressão, seja do comprometimento cognitivo leve para a demência leve, seja da demência leve para fases mais avançadas”, explica.

Nesse contexto, o lecanemabe passa a integrar um novo grupo terapêutico ao lado do donanemabe, aprovado no Brasil em abril de 2025. Ambos pertencem à classe dos anticorpos monoclonais antiamiloide, mas apresentam diferenças que influenciam a escolha clínica.

Eficácia e perfil de segurança

Estudos clínicos indicam que o donanemabe apresenta uma redução de progressão da doença em torno de 36% a 37%, enquanto o lecanemabe demonstra um efeito em torno de 27%.

Em contrapartida, o lecanemabe está associado a um risco menor de anormalidades de imagem relacionadas à amiloide, que é um evento adverso comum da classe de terapias direcionadas à placa amiloide e geralmente são assintomáticos. 

Essa é uma anormalidade que pode ser detectada pela ressonância magnética e, quando ocorre, pode se apresentar como inchaço temporário em uma área ou áreas do cérebro, o que geralmente se resolve com o tempo, ou como pequenos pontos de sangramento na superfície cerebral.

Em eventos raros, podem ocorrer áreas maiores de sangramento no cérebro. É uma anormalidade que pode ser grave – e eventos com risco à vida podem ocorrer.

“O donanemabe se mostrou mais efetivo, mas com maior risco dessa anormalidade. O lecanemabe tem uma eficácia um pouco menor, porém com menor risco dessa complicação”, detalha Rodrigo Patriota.

A existência de mais de uma opção terapêutica permite uma abordagem mais individualizada, ao considerar o perfil clínico, genético e de risco de cada paciente.

Indicação restrita e acompanhamento rigoroso

Apesar do avanço, o uso do lecanemabe segue critérios rigorosos, assim como já se faz com o  donanemabe.

O tratamento é indicado apenas para pacientes com diagnóstico confirmado de Alzheimer em fase inicial, o que exige exames específicos, como análise do líquor ou PET amiloide. Além disso, testes genéticos ajudam a identificar indivíduos com maior risco de efeitos adversos.

“O acompanhamento precisa ser contínuo, com monitoramento clínico e de imagem, especialmente nos primeiros meses de tratamento”, reforça Rodrigo Patriota.

Embora não represente uma cura, a aprovação do lecanemabe consolida um novo momento no manejo da doença de Alzheimer no Brasil, em que o foco passa a ser a intervenção precoce e a desaceleração da progressão desse tipo de demência.  





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