Utopia na Torre de Babel

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Utopia na Torre de Babel


O excesso de informações e a facilidade para entender o que se diz em qualquer lugar, por qualquer um, não desataram o nó da incompreensão humana



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Em nossa época de culto ao distópico, repetimos sistematicamente o ensaio do fim da espécie humana na Terra, ou da civilização que habita a maior parte do planeta há milhares de anos. E se permanecermos, o futuro é pintado em traços de medo e tensão. O século passado viu surgir famosas distopias literárias, como “Admirável mundo novo” de Aldous Huxley, “1984” de George Orwell, e “Fahrenheit 451” de Ray Bradbury. São exemplos de obras que reproduzem impressão que se torna constatação silenciosa: o avanço da tecnologia não resulta na eficiência da comunicação. Por mais que seja possível saber instantaneamente o que um grego fala a um brasileiro, e vice-versa, e isso se torne cada vez mais fácil com o desenvolvimento da inteligência artificial, o entendimento suscitado está longe de significar profunda e abrangente compreensão.
O mito bíblico da Torre de Babel narra que a dispersão linguística dos seres humanos teria se dado a partir de um castigo divino. O castigo do desentendimento interrompe a construção de uma torre que se dirigia ao céu, limitando a humanidade à superfície terrestre. A premissa mítica de que todos falavam uma só língua, sendo amaldiçoados com diferentes formas de expressão, representa elaboração do pecado atrelado ao conhecimento. Algo que se reflete por milênios na cultura, de modo rotineiro, no processo de renovação do saber e suas técnicas. Há uma tecnofobia agregada às novas tecnologias, que quase sempre sugere o trespassar de arriscado limite pela ousadia humana.
A Babel contemporânea surge mais na overdose informacional do que na incapacidade do deciframento. Julgamos compreender perfeitamente o tsunami de mensagens, signos, imagens, notícias e discursos do oceano de dados de que dispomos. Dessa suposição se aproveitam produtores de fake news, por exemplo, alastrando desconfianças, ofensas e mentiras que grudam no parabrisa da percepção, deturpando cumulativamente o que se vê adiante. Se a Torre do Gênesis funciona como cenário distópico para o caos onde todos falam e ninguém se entende, talvez possamos extrair de sua desconstrução um avesso utópico.
A utopia serve para calibrar o futuro com o passado, sem distorcer ou desprezar o presente. Recuperar o propósito humano da Torre de Babel faz sentido, imaginando-a não como ofensa ao divino, mas como parte dele – como tudo que é humano, aliás, inclusive a tecnologia mais recente. Longe de pasteurizar a linguagem num sotaque só, mas buscar na diversidade das línguas a unidade do que se deseja e se pode dizer, escrever, ler e mostrar. Podemos ser utopistas sonhadores, sem fechar os olhos à realidade, e muito menos fazer do sonho um simulacro do real.

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Utopia dos livros

Ray Bradbury em “Fahrenheit 451” lança uma pitada generosa de utopia: “Passaremos os livros adiante a nossos filhos, de boca em boca, e deixaremos que nossos filhos, por sua vez, sirvam a outras pessoas. É claro que muito se perderá dessa maneira. Mas não se pode obrigar as pessoas a escutarem. Elas precisam se aproximar, cada uma no seu momento, perguntando-se o que aconteceu e por que o mundo explodiu sob seus pés. Isso não irá demorar muito”.

Fliporto Portugal

Membro da Academia Pernambucana de Letras (APL) e coordenador da Festa Literária Internacional de Pernambuco – Fliporto, Antônio Campos anunciou que está confirmada a segunda edição da Fliporto Portugal, em parceria com a Fundação Livraria Lello. O evento será de 21 a 23 de maio de 2026. A primeira edição ocorreu na sede da Fundação, em Matosinhos, no último mês de outubro.

Concurso Cidade de Belo Horizonte

Estão abertas até 20 de fevereiro as inscrições para o Concurso Nacional de Literatura Cidade de Belo Horizonte. Para obras inéditas de conto e poesia, com R$ 25 mil em premiação para cada obra. Outras informações no Instagram @fmcbh.

A poeta da cidade maravilhosa

Em “A poeta da Cidade Maravilhosa – Jane Catulle Mendès e a viagem que criou o sonho de um Rio de Janeiro na Belle Époque”, Rafael Sento Sé resgata a passagem da escritora francesa pelo Brasil, traçando um panorama de temas como a luta pelos direitos femininos no início do século 20. “Conduz-nos também ao ambiente intelectual e social de Paris e do Rio, cidades que faziam das artes e da letras um passaporte para o prestígio e alimentavam a corrente França-Brasil”, escreve a historiadora Mary Del Priore na orelha do livro. A publicação é da Autêntica.

 


Divulgação

Premiado escritor Walther Moreira Santos – Divulgação

O ano do Nirvana

Vencedor do Prêmio Kindle de Literatura em 2025, o livro do pernambucano Walther Moreira Santos foi lançado pela José Olympio. Para Andrea Del Fuego, trata-se de um “romance que retrata a força do acaso e do destino, escrito com precisão e sem concessão”. Natural de Vitória de Santo Antão, o autor e ilustrador tem mais de 40 obras publicadas, e já foi agraciado pelos prêmios José Mindlin, Cepe e da Academia Pernambucana de Letras, além de finalista do Prêmio São Paulo.

Depois do trovão

O romance de Micheliny Verunschk será o livro do mês de janeiro do Clube BR, clube de leitura do Centro Cultural Astrolabio “dedicado às vozes contemporâneas que estão reinventando o que é escrever — e ler — o Brasil”, segundo a apresentação. O encontro online para a conversa sobre “Depois do trovão” tem duas opções de data e horário, sendo a primeira mais atraente, por contar com a participação da autora: na terça, 27, a partir das 7 e meia da noite. A alternativa é na quinta, 29, às 10 e meia da manhã. Nas duas ocasiões, a mediação será de Flávia Carvalho. Inscrições pela plataforma Sympla.

Bruxas, parteiras e enfermeiras

A editora Elefante traz para o Brasil “Bruxas, parteiras e enfermeiras: uma história de mulheres que curam”, de Barbara Ehrenreich e Deirdre English, em tradução de Júlia Rabahie. Publicada pela primeira vez em 1973, nos Estados Unidos, a obra é apresentada como um “clássico dos estudos de gênero que questiona a posição subalterna das mulheres nos cuidados de saúde” no século 20. E inclui a introdução da segunda edição, feita pelas autoras em 2010. Saiba mais em www.editoraelefante.com.br.

Dez anos da Caixote

A editora Caixote celebra a primeira década, em 2025, e aproveita o final do ano para fazer uma retrospectiva. Desde 2015, são 38 títulos impressos e 4 aplicativos literários, com destaques no Prêmio Jabuti na categoria infantil digital. “Que 2026 venha repleto de novas descobertas e muita imaginação para seguir transformando o mundo – uma página de cada vez”, diz a divulgação da editora. Conheça o catálogo em www.editoracaixote.com.br.

Dez anos da Buzz

Entre os dez livros mais vendidos da editora Buzz em 2025, três são de Tiago Brunet: “Emoções inteligentes”, “Dinheiro é emocional” e “Ganhe o mundo sem perder a alma”. Fundada por Anderson Cavalcante, a Buzz vai celebrar 10 anos em 2026, e se destaca nas publicações para negócios e desenvolvimento pessoal, mas também tem ficção no catálogo.

 


Marina Hadlich

Escritoras em livraria de Florianópolis – Marina Hadlich

Encontro na livraria

As escritoras Marina Hadlich e Ana Emília Cardoso se encontraram na Letraria Livros, em Florianópolis, no lançamento de “Não largue um homem bom desses” pela Faria e Silva. “Na trama, uma mulher de 45 anos que se separa, e o que acontece com a vida depois disso? Um livro para rir um pouco, mesmo quando a situação não parece permitir”, indica Marina em suas redes sociais. Conheça a autora no Instragram @ana_emilia_cardoso.







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