Ao assumir centralidade política crescente, o Supremo fragiliza a confiança pública, tensiona a separação dos Poderes e amplia desgaste institucional.
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O Supremo Tribunal Federal caminha para se tornar o principal protagonista da eleição de 2026. Não como árbitro do processo democrático, mas como ator político central, incorporado às narrativas eleitorais, aos discursos de campanha e às disputas de poder. Isso é péssimo.
Trata-se de um movimento profundo dos últimos meses, que desloca a Corte do papel constitucional de guardiã da Constituição para uma posição incompatível com a saúde da República, a separação dos poderes e a própria democracia. É ruim, muito ruim, para a integridade do Poder Judiciário.
Protagonismo
Nos últimos anos, o STF deixou de ser apenas o espaço de resolução de conflitos institucionais para se transformar em elemento permanente do debate político. Decisões judiciais passaram a produzir efeitos diretos na formação de candidaturas, na exclusão de atores do jogo eleitoral e na definição dos limites do discurso público.
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Em 2026, esse processo atinge um novo patamar. A eleição já está em curso e o Supremo já é parte do enredo, principalmente por conta das polêmicas em que seus membros vão se envolvendo.
Risco institucional
O problema não é a existência de decisões com impacto político. Isso sempre ocorreu e ocorre em democracias constitucionais. O risco está na repetição, na frequência e na personalização dessas decisões, que passam a ser associadas a ministros específicos, transformando magistrados em personagens políticos identificáveis pelo grande público.
A Corte passa a ser percebida como agente, e não como instância, daí a confiança institucional começa a se deteriorar.
Caso Master
O escândalo envolvendo o Banco Master ilustra com clareza esse desvio. Um caso de fraudes bilionárias, omissões regulatórias e responsabilidades compartilhadas entre mercado e política passou a orbitar o Supremo de forma preocupante.
A insistência do ministro Dias Toffoli em discutir a liquidação do banco por meio de uma acareação, mesmo diante da oposição da Procuradoria-Geral da República e sem depoimentos individuais prévios, desloca o foco da fraude para a decisão administrativa que encerrou as atividades da instituição.
No caso do Banco Master, há decisões esquisitas de toda parte, no STF, no TCU, no Legislativo, no Executivo. Todo mundo está preocupado demais com o fracasso do banco e de seu banqueiro. Essa preocupação tem odor de interesse direto e indireto nos resultados. E isso não é nada republicano.
Conflitos éticos
O contexto agrava a percepção pública. Revelações sobre viagens, encontros e contratos envolvendo pessoas ligadas a ministros do STF e o Banco Master alimentam dúvidas legítimas sobre conflitos de interesse e padrões éticos.
Ainda que versões oficiais sejam apresentadas, a sucessão de episódios compromete a imagem de imparcialidade que sustenta a autoridade do Judiciário.
Esse acúmulo de tensões se reflete no humor da sociedade. O STF passou a ocupar o centro das conversas políticas, não como referência técnica, mas como alvo de desconfiança, rejeição ou defesa apaixonada. A Corte divide a opinião pública como se fosse um partido ou um candidato. Que mundo é esse?
Eleição 2026
Em 2026, o Supremo estará presente nos palanques, ainda que simbolicamente. Será citado, atacado ou defendido como nunca antes. Suas decisões recentes já moldam discursos, mobilizam eleitores e organizam estratégias políticas. Que credibilidade a corte terá para ser árbitro do sistema político e eleitoral se for vista, como já é, sob o papel de parte interessada nas eleições?
Alerta republicano
Um Judiciário protagonista fragiliza o princípio da separação dos Poderes e contamina o ambiente eleitoral. O STF não deveria ser personagem de campanha, muito menos eixo central das disputas políticas. Ao assumir esse papel, ainda que involuntariamente, a Corte expõe a República a um risco institucional cujo alcance só será plenamente compreendido após as urnas. Mas, certamente, não será bom.

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