Primeiro secretário da Câmara dos Deputados, pernambucano afirma que casos são diferentes e deveriam ser apreciados em momentos distintos
JC
Publicado em 11/12/2025 às 12:21
| Atualizado em 11/12/2025 às 12:32
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O deputado federal Carlos Veras (PT-PE), primeiro-secretário da Câmara dos Deputados, criticou a condução das últimas votações realizadas pela Mesa Diretora do Legislativo.
Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, Veras afirmou que houve erro político e estratégico ao pautar simultaneamente os processos de cassação dos deputados Glauber Braga (PSOL), acusado de agredir um militante do MBL na Câmara, e Carla Zambelli, presa na Itália por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça e perseguição armada a um eleitor.
Segundo o parlamentar, a decisão do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), agravou o clima já tenso na reta final dos trabalhos legislativos de 2025.
“Essa última semana, quando estamos chegando na reta final, ele toma para si a responsabilidade e publica uma pauta sem ser de consenso com o colégio de líderes, e causou todo esse tumulto”, disse Carlos Veras nesta quinta-feira (11).
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Listen to ENTREVISTA CARLOS VERAS PT-PE – DEPUTADO FEDERAL 11 12 byRádio Jornal on hearthis.at
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Veras destacou que a falta de distinção entre os dois casos prejudicou o andamento da sessão e gerou reação imediata de diversas bancadas. Ele afirmou que se tratam de processos com naturezas completamente distintas e que deveriam ter sido deliberados separadamente.
“Na minha impressão, o que eu falo para o presidente é que, quando ele mistura tudo, quando ele coloca tudo no mesmo pacote… não dá para misturar o caso do Glauber com o caso da Zambelli. São totalmente distintos, totalmente diferentes. Você está falando de uma deputada presa. Misturar os dois, misturar a pauta, causa diversos problemas. Acho que há momentos diferentes para analisar cada caso, e há questões que a própria Mesa Diretora pode resolver sem levar ao plenário”, afirmou o deputado pernambucano.
Apesar disso, a decisão foi vista como positiva pelo PSOL, que evitou a cassação de Glauber, suspenso por seis meses, e do PL, que também evitou a perda do mandato de Zambelli.
Ao comentar a situação de parlamentares que estão presos ou ausentes reiteradamente, Veras afirmou que a Mesa Diretora já tem adotado providências administrativas para evitar que a Câmara mantenha mandatos sem exercício efetivo.
“O caso do Eduardo Bolsonaro nós estamos resolvendo. Já notificamos e vamos cassar o mandato dele por falta. Zambelli e Ramagem estão presos e não vão cumprir o mandato. Não dá para a Câmara dos Deputados continuar vendo deputados presos ainda no exercício do mandato”, avaliou.
Ao avaliar o clima na Câmara durante as últimas semanas de trabalho antes do recesso, Carlos Veras afirmou que o comportamento de parte dos parlamentares tem contribuído para a instabilidade das votações e para a criação de episódios que desviam o foco das pautas prioritárias.
Segundo ele, o Legislativo deveria concentrar esforços em propostas consensuais e de interesse direto da sociedade, mas acabou tomado por disputas que, em sua visão, buscam apenas exposição pública.
“É lamentável os últimos ocorridos e o que foi protagonizado pela Câmara dos Deputados, porque aqui é a casa do povo. Temos que nos dedicar a elaborar as melhores proposições. Estamos na penúltima semana antes do recesso e deveríamos estar aprovando o que é melhor para a sociedade, os projetos com maior consenso na Casa. Tem hora que eu fico olhando e me pergunto o que está acontecendo. Será que estamos em um grande reality show? Porque todo dia precisa ter uma polêmica para dar audiência”, indagou.
Falta de articulação do PT
Questionado sobre as críticas recorrentes à articulação do governo e das lideranças do PT no Congresso, especialmente após a votação do PL da dosimetria, que reduziu penas de Jair Bolsonaro e de outros condenados por envolvimento na tentativa de ruptura institucional, Carlos Veras afirmou que o resultado apertado, com apenas 148 votos contrários, reflete a atual composição política da Câmara.
Segundo o primeiro-secretário, o governo enfrenta limitações estruturais quando a pauta é política ou ideológica, diferente do desempenho observado em matérias econômicas.
“Esse é o perfil do Congresso Nacional, dos parlamentares eleitos pelo povo brasileiro. Quando se trata de pauta econômica, as pautas prioritárias do governo, o Congresso tem entregado, tem aprovado”, apontou.
Veras explicou que bancadas numerosas, como a do agronegócio, impõem barreiras ao Executivo em temas sensíveis. Ele citou que votações ambientais ou ligadas a disputas políticas tendem a gerar forte resistência, inviabilizando maioria qualificada.
“Quando passa para pautas mais ideológicas, pautas mais políticas, por exemplo, quando entra numa pauta ambiental que envolve o agronegócio, que tem uma bancada acima de 200 deputados, o governo não tem condições de demover esses deputados e ter essa votação a favor do debate que o governo está defendendo”, analisou.
O parlamentar afirmou que o PL da dosimetria e o debate sobre anistia aos investigados não são agendas do Executivo, mas matérias de natureza política que dividem as bancadas e fogem ao controle direto do governo.
“O governo tem posição política diferente [da anistia]. Já a redução da isenção do Imposto de Renda era uma pauta de governo, prioritária, parte do plano e da promessa do presidente Lula, e foi enviada para cumprir esse compromisso com o brasileiro”.
O deputado disse ainda que o atual cenário é consequência direta das escolhas feitas pelo eleitorado em 2022 e que mudanças mais profundas dependem de uma nova correlação de forças após a próxima eleição legislativa.
É o retrato da eleição que o povo brasileiro fez para o Congresso Nacional. Para mudar essa correlação de forças, precisamos resolver no ano seguinte, quando a sociedade tem a oportunidade de eleger seu Congresso e seus representantes
Carlos Veras
É o retrato da eleição que o povo brasileiro fez para o Congresso Nacional. Para mudar essa correlação de forças, precisamos resolver no ano seguinte, quando a sociedade tem a oportunidade de eleger seu Congresso
Carlos Veras


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