Artistas do Theatro Municipal protestam contra gestora após afastamento de músico

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Artistas do Theatro Municipal protestam contra gestora após afastamento de músico


O público que esperava a récita da ópera “Macbeth”, na noite desta sexta-feira (7), no Theatro Municipal de São Paulo, foi surpreendido por um protesto dos corpos artísticos da casa após o afastamento do contrabaixista Brian Fountain, que criticou, em suas redes sociais, a atual montagem.

Minutos antes dos vídeos que antecedem a apresentação, músicos da Orquestra Sinfônica Municipal —organizados na Associação dos Músicos do Theatro Municipal, a Amithem—, membros do Coro Lírico —caracterizados como os personagens da noite— e técnicos da casa subiram ao palco.

Todos tampavam suas bocas com as próprias mãos em sinal de protesto, enquanto o baixo Claudo Guimarães, representante do coro, lia um discurso de cerca de dois minutos, repudiando o afastamento de Fountain, criticando a gestão da Sustenidos, gestora do teatro, e defendendo a liberdade de expressão.

O grupo condenou a suposta censura que estaria sendo realizada pela organização social e que vem recebendo uma série de críticas nos últimos tempos por supostas falhas na gestão.

“Declaramos que ninguém que chega e passa nos fará calar. Somos os artistas do Theatro Municipal de São Paulo, patrimônio imaterial dessa cidade. Honramos nossa história e protegeremos essa casa, que é também a casa de vocês”, disse Guimarães. “Entendam que tudo que queremos é trabalhar em paz. E demandamos dos nossos gestores o mesmo que demandam de nós: competência, dedicação e ética. Necessitamos de ajuda neste momento difícil para que o teatro volte a ocupar o coração da cidade.”

Após isso, gritaram “pela liberdade de expressão” e “não à opressão”, enquanto a plateia aplaudia.

Com direção cênica de Elisa Ohtake e regida pelo maestro Roberto Minczuk, a atual montagem despertou os ânimos desde a sua estreia, na sexta-feira passada (31), quando parte do público vaiou a produção a certa altura.

Nesta noite, a Orquestra Sinfônica Municipal já havia divulgado, em suas redes socais, uma nota repudiando a medida disciplinar contra Fountain.

Procurada na última quinta (6), a Sustenidos afirmou que não comenta procedimentos internos de gestão de pessoas, “com o intuito de preservar os colaboradores”.

Em suas redes sociais, Fountain chamou a montagem de “Macbeth” de “destruição da ópera e da música clássica no TMSP.”

Segundo o documento de suspensão disciplinar —por um período de um mês, sem direito a salário—, as publicações no Instagram têm “conteúdo ofensivo e calunioso contra o empregador”. Além disso, segundo o texto, representa falta grave, conforme a legislação trabalhista brasileira.

“Chama atenção o prazo da penalidade de 30 dias, porque é o máximo permitido pela CLT”, diz o advogado do músico, Gabriel Franco. “Medidas disciplinares dessa duração são extremamente raras, sendo cabíveis apenas em situações de gravíssima conduta funcional, o que não se verifica no caso.” Para o advogado, os posts de Fountain se encaixam como liberdade de expressão.

O episódio acontece em meio a uma guerra ideológica que foi conflagrada, nos últimos quatro anos, nesse que é um dos palcos mais importantes do país. De um lado, a Sustenidos é acusada de ter direção artística orientada por pautas ligadas à esquerda, envolvendo a busca por mais diversidade e a desconstrução da ópera, da música clássica e da dança contemporânea.

Do outro, vereadores conservadores, aliados a Ricardo Nunes (MDB), se posicionaram contra a gestora, por uma suposta doutrinação ideológica no teatro.

No mês passado, o prefeito Ricardo Nunes pediu a rescisão do contrato da administradora Sustenidos com o teatro. Isso aconteceu após o diretor de elenco do Municipal, Pedro Guida, ter compartilhado um vídeo visto por parte dos espectadores como uma comemoração do assassinato do influenciador trumpista Charlie Kirk.



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