Desde a retomada nos anos 1990, filmes reafirmam o cinema como espaço de múltiplos olhares e reinventam a imagem do Nordeste nas telas
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“O Nordeste não é o Nordeste tal como é, mas tal como foi nordestinizado.” A frase é do historiador e professor Durval Muniz de Brito, autor de “A Invenção do Nordeste”, estudo que se tornou referência por evidenciar como a região foi construída através de símbolos culturais e interesses políticos das elites do século XX.
Hoje, o Nordeste já não é aquele de “Os Sertões”, de Euclides da Cunha. Nos últimos 30 anos, o cinema feito na região tem permitido revelar melhor o verdadeiro caleidoscópio que é a cultura nordestina. Afinal, há diferenças em ser pernambucano, cearense ou baiano — para citar apenas alguns polos da produção audiovisual.
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Há também uma perspectiva de Nordeste urbano, como se vê em “O Som ao Redor”, de Kleber Mendonça Filho, e “Praia do Futuro”, do cearense Karim Aïnouz.
Ainda que ambientado no passado, o premiado “O Agente Secreto” também percorre um Recife urbano para abordar o gênero do thriller político, trazendo à tona manifestações culturais e levando o frevo ao tapete vermelho de Cannes.
Mesmo quando o cenário é o interior, há uma subversão das expectativas de personagens, como em “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro.
A invenção do Nordeste no cinema brasileiro

‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’ (1964), de Glauber Rocha – IMS/DIVULGAÇÃO
A construção da imagem do Nordeste e do nordestino no cinema brasileiro passa, na verdade, pela própria definição do que é o cinema brasileiro.
Desde os primeiros filmes de cangaço, nas décadas de 1940 e 1950, com diretores como Lima Barreto e Carlos Coimbra, a região tem sido um elemento central da cinematografia nacional, muitas vezes associada ao mito do sertão e do cangaceiro. Essa representação seguiu influente no Cinema Novo, com obras como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha.
“O cinema concentrado no eixo Rio–São Paulo, mesmo com realizadores que não fossem do Sudeste, consolidou uma imagem de um Nordeste muito ligado ao passado do Brasil, ao subdesenvolvimento, a uma masculinidade viril, à ideia do cabra macho”, diz Nuno Lindoso, realizador e pesquisador audiovisual alagoano, doutorando em Cinema e Audiovisual pela UFF.
A retomada e o surgimento de novas vozes

‘O Som ao Redor’, de Kleber Mendonça Filho – DIVULGAÇÃO
De acordo com o pesquisador, essa visão hegemônica começa a mudar nos anos 1990, durante o período conhecido como “retomada”, quando leis de incentivo estimularam não apenas a produção, mas também a abertura para filmes realizados fora do eixo Rio–São Paulo.
Em Pernambuco, esse movimento é representado por títulos como “Baile Perfumado” (1996), de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, e “Amarelo Manga” (2005), de Cláudio Assis, que inseriram o Nordeste globalizado e plural na cinematografia nacional, mesmo quando o foco ainda recaía sobre o Sertão.
Mais do que isso, passou-se a questionar uma perspectiva única sobre a região, com cada estado apresentando suas próprias realidades. “Existe uma diversidade de sotaques e espaços, com uma região que é urbana, industrial, mesmo quando se está no meio rural, que é globalizado, tem internet e está envolvido num comércio global”, afirma Nuno Lindoso.
“De certa maneira, o que os filmes feitos por realizadores nordestinos mostram é que não há Nordeste, mas sim nordestes da alma”, diz o cineasta Pedro Severian, atual programador do Cinema São Luiz. “Aqui se faz filme sobre mundos diversos, mundos de sensibilidades coletivas, mundos de tradição, mas também mundos de singularidade e mundos invenção.
Um cinema plural e em diálogo com o mundo

‘O Céu de Suely’, de Karim Aïnouz – DIVULGAÇÃO
A pluralidade é tamanha que se torna difícil apontar semelhanças estéticas, narrativas ou temáticas no cinema feito na região.
Há uma grande diversidade de produções em diálogo com o cinema independente global, muitas vezes incorporando elementos de gêneros populares, como horror e comédia – como é o caso do cinema do Ceará, com “Cine Holliúdy” (2013), de Halder Gomes.
Rodrigo Carrero, professor do curso de Cinema da UFPE, observa que o sistema de ficção consolidado há mais de 100 anos segue presente, mas com novas experimentações. “Tenho a impressão do uso de uma câmera mais próxima do corpo do ator e uma perspectiva sonora voltada para a captação da expressão, com detalhes oriundos do corpo e do contato do corpo com o ambiente”, diz.
“As histórias passaram a ser muito mais humanas, focalizando mais nos personagens e menos nos desdobramentos da trama em si. Mas isso não significa uma nova linguagem, e sim uma operação de intensificação do que já existia.”
Fomento e desafios

Lázaro Ramos, Alice Braga e Wagner Moura em ‘Cidade Baixa, de Sérgio Machado – DIVULGAÇÃO
Para que essa diversificação de narrativas fosse possível, é essencial reconhecer as políticas de fomento estaduais. Em Pernambuco, o Funcultura — que nasceu como política de governo — tornou-se política de Estado ao ser transformado em lei.
“Existe ainda uma variável importante, que é o barateamento técnico ocorrido a partir da emergência do elemento digital na produção de filmes, principalmente com a imagem e o som digitalizados. Isso aconteceu há pelo menos uns 15 anos e tornou os equipamentos mais acessíveis”, explica Carrero, que destaca também o curso de Cinema da UFPE como um importante polo de formação de profissionais na região.
Por outro lado, os desafios na produção e distribuição do audiovisual persistem. “Embora existam reservas de 40% em editais do Fundo Setorial do Audiovisual para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o acesso é dificultado porque os grandes players — distribuidores e curadores de televisão, por exemplo, que concedem o pré-licenciamento necessário — estão sediados majoritariamente em São Paulo e Rio de Janeiro”, afirma a produtora Carol Vergolino.
‘Cine Holliúdy’, de Halder Gomes – DIVULGALÃO
“Existem outras fontes de financiamento, como o artigo 1º-A da Lei do Audiovisual, que é o que poderíamos chamar de Lei Rouanet do audiovisual. Só que, para acessar esses recursos, também é preciso que uma empresa invista parte do seu imposto no projeto. E essas empresas, em sua maioria, também estão no eixo Rio–São Paulo.”
Com o fortalecimento de políticas públicas e o olhar atento de novos realizadores, o cinema feito pelos nordestinos segue expandindo suas formas de narrar e de existir. Seja ao revisitar o passado ou ao filmar o presente com sensibilidade e inquietação, essas obras reafirmam que o Nordeste não cabe em uma única moldura.
“Se há um lugar onde a motivação pela inovação artística supera as restrições do mercado, é aqui no Nordeste. Eu conheço dezenas de pessoas que dedicam a vida a imaginar narrativas livres. Tem um desejo de cinema muito profundo e é isso que impulsiona a inovação”, finaliza o cineasta Pedro Severian.


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