O tradicional Ginásio não se envergonha – antes se exalta – de estar ao lado da Casa de Tobias Barreto e da Casa de Vauthier
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Quando setembro vier, logo no primeiro dia, o tradicional Ginásio Pernambucano celebra os seus 200 anos de profícua vida educacional, uma história pluridimensional do ensino em nosso Estado.
O Ginásio, a Faculdade de Direito, o Teatro de Santa Isabel e o Liceu de Artes e Ofícios são marcos indeléveis da cultura e da sensibilidade da nossa gente. Não representam apenas polos da cultura pernambucana, mas da própria região.
O tradicional Ginásio não se envergonha – antes se exalta – de estar ao lado da Casa de Tobias Barreto e da Casa de Vauthier. Parece repartir com essa tradição gloriosa um pouco de sua alma, do facho sagrado de sua crença na educação do povo, na formação da juventude – velho problema que ninguém pense ser hoje mais difícil do que ontem.
As circunstâncias mudam a face dos problemas, mas os problemas persistem na sua essência. No livro de Olívio Montenegro – Memórias do Ginásio Pernambucano – há um pouco mais de crônica de um educandário: – há a própria personalidade da instituição, arrastando-se entre dificuldades, como “um rancho de ciganos,” na expressão do ilustre escritor e crítico.
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Essa personalidade é que fixa melhor a sua marcha no tempo e no espaço educacionais e culturais em que se move há dois séculos, sem nunca se deixar vencer pelo desânimo, desde quando começou como Liceu e foi mudando de nome até retomar o nome definitivo.
‘O Ginásio Pernambucano é o mais antigo colégio, em funcionamento, do Brasil. Nele estudaram expoentes da nossa brasilidade, entre estes, nomes/renomes da estirpe dos escritores José Lins do Rego, Clarisse Lispector, Ariano Suassuna, economista Celso Furtado, ex-presidente do Brasil, Epitácio Pessoa (paraibano), Jornalista Assis Chateaubriand.
O Ginásio é uma lição. Muitos dos seus mestres foram verdadeiros sábios. Se, às vezes, em certos ramos do conhecimento – o das matemáticas, por exemplo –, a metodologia era rígida, a ponto de causar medo aos estudantes, isso era da época. Hoje, o que amplia a educação é o diálogo entre o mestre e o discípulo.
A vida sofreu, nestes 200 anos, sérias transformações, muitas das quais decorrentes da tecnologia, da cibernética e, neste momento, da Inteligência Artificial, rasgando novas perspectivas ao mundo atual.
O Ginásio é, sob o ponto de vista pedagógico, uma herança do Liceu, que começou pondo de lado – diga-se alto e em bom som – certos excessos, então em voga. Um desses excessos, o mais generalizado, o da palmatória. De resto, a educação em si mesma tinha certo caráter coercitivo – o castigo físico.
A punição usada como instrumento de persuasão: a palmatória, que inchou as mãos de gerações inteiras, a cafua, que era escura e sinistra como um quarto de fortaleza destinado à prisão de condenados mais perigosos.
Não extinguiu totalmente o uso ou abuso da palmatória: restringiu-o às aulas de primeiras letras e ao Latim. Também não ia a mais de seis bolos, segundo uma observação que recolhi. E o fato de só ser usada a palmatória nas primeiras letras e no Latim denota, certamente, a importância dada a esse ensino, o único castigado.
‘Saliente-se quanto foi importante para o Ginásio, inclusive para a aferição dos seus métodos de ensino e do seu resultado didático, e até mesmo para avaliação do mérito, maior ou menor, dos seus lentes, como eram chamados na época, a visita do imperador D. Pedro II, quando esteve no Recife, em 1859.
O imperador, que dizia ter sido professor se não fosse monarca, tomou especial interesse pelo Ginásio, notadamente pelo Museu de História Natural, fundado por Brunet. Viu e anotou o progresso científico desse Museu, uma das “opulências do Ginásio,” como afirma o acadêmico Orlando Parahym.
Eu me permitiria dizer que não anteviu, ao lado do jacaré empalhado, se já existia, na época do imperador, o pássaro que Mauro Mota imortalizou num soneto, e que, com isso, se libertou nas asas da Poesia e ganhou o infinito.
Para os que se dedicam à Educação, isso é definitivo. Somos os continuadores duma tradição secular, que se revaloriza com o tempo, os métodos de ensino não são mais os mesmos e não podiam ser.
Mas a qualificação humana não se mede pela Tecnologia, e sim pela vocação decidida e heroica e muitos dos nossos precursores, que abriram caminhos para o futuro e aos quais temos sempre de voltar, porque essa é a tarefa do homem como categoria histórica e sociológica.
O modelo das Escolas de Ensino Médio em tempo Integral (EMTI), segundo Mozart Neves Ramos, foi o maior legado que ele poderia ter deixado como gestor da Educação Básica no cargo de secretário de Educação de Pernambuco, fazendo justiça, à página 89 do seu notável livro Educação: a trilha inacabada, ao se referir a Marcos Magalhães, pernambucano, então presidente da Phillips, o grande idealizador da prática pedagógica do EMTI, cujo início se deu no Ginásio Pernambucano, o precursor dessa ideia-força que tanto benefícios trouxe à pedagogia pernambucana.
O Ginásio Pernambucano é para o educador moderno o exemplo que o bom semeador deixou no caminho para os que viessem depois. Sua mensagem é de Fé nos destinos de Pernambuco e da nossa Região.
Grandes homens foram lá mestres e alunos. Possam os atuais educandários formar os mesmos homens e serão dignos dessa herança, que é uma das melhores páginas da História de Pernambuco.
Roberto Pereira foi secretário de Educação e Cultura do Estado de Pernambuco e é membro da Academia Brasileira de Eventos e Turismo.
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