Hélio Menezes, diretor artístico do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, em São Paulo, foi demitido da instituição nesta quarta-feira (25), um ano e cinco meses após assumir o cargo.
Nas redes sociais, o antropólogo e curador de arte publicou uma carta aberta em que denuncia a instituição, uma das mais importantes dedicadas à cultura negra do país, por “práticas marcadas por informalidade, pessoalismo” —isto é, que favorecem relacionamentos pessoais em detrimento de critérios técnicos— “e pouca transparência”.
Também diz que foi demitido enquanto se recuperava de um grave problema de saúde, e que teria interrompido compromissos que o museu havia firmado para o biênio 2025 e 2026.
Em paralelo, Wellinton Souza e Rosana Paulino renunciaram a seus cargos como conselheiros do museu. Menezes diz que eles eram duas das poucas pessoas negras que insistiam para que a instituição fosse “também afro em suas estruturas de poder e de gestão”.
O conselho do Museu Afro Brasil é composto por 11 pessoas —das quais sete são brancas.
Procurado, o Museu Afro Brasil afirmou em nota que a demissão ocorreu com base em critérios técnicos e cita que não foi possível chegar a um acordo “que equilibrasse as expectativas do então diretor com os limites orçamentários”.
A nota diz ainda que o museu ofereceu a Menezes a chance de continuar como curador, e que ele não respondeu à proposta.
Wellinton Souza entrou para o conselho do museu em 2021 e estava em seu segundo mandato. Em entrevista à reportagem, ele negou que a demissão de Menezes ocorreu por motivos orçamentários.
Segundo o ex-conselheiro, a destituição foi a gota d’água após inúmeras questões. Ele afirma que Menezes trabalhou por mais de um ano como diretor artístico sem contrato assinado ou vínculo empregatício formalizado e por um salário abaixo do valor de mercado. Souza aponta que ele e Paulino inclusive trouxeram a pauta para ser discutida em reuniões.
“Isso foi um grande choque, porque se o conselho não tem competência para formalizar um contrato com um dos principais curadores do país, qual o objetivo daquele conselho?”, afirmou.
Até que, na semana retratada, o contrato de Menezes foi discutido de forma já decidida. Apesar de não constar nas pautas da reunião, a destituição do diretor artístico havia sido articulada pela presidência, afirma Souza.
Sobre essa questão, o museu afirma que, no início da gestão, foi oferecida uma proposta de contrato, recusada por Menezes porque o diretor artístico teria exigido cláusulas como reajustes automáticos acima dos limites permitidos pelo orçamento.
Souza diz ainda que Menezes aceitou o orçamento aprovado —com ele, teria realizado o primeiro inventário da instituição, regularizado procedimentos de catalogação e classificação, requalificado o espaço da biblioteca Carolina Maria de Jesus, travado novas parecerias curatoriais e organizado 13 exposições temporárias.
Em seu texto, Menezes afirma que a chefia do Museu Afro Brasil tinha “perfis alheios à diversidade e ao protagonismo negro” e “sem envolvimento com o mundo das artes plásticas e visuais”. Diz ainda que a instituição enfrentava graves fragilidades em todas as suas áreas de atuação.
O museu diz lamentar os comentários pessoais direcionados aos membros da administração.
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