Opinião – Claudio Manoel: Com o remake de ‘Vale Tudo’, a busca é menos pelo novo que pelo de novo

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Opinião – Claudio Manoel: Com o remake de ‘Vale Tudo’, a busca é menos pelo novo que pelo de novo


Desde quando comecei no audiovisual, como roteirista de humor, muita água rolou por baixo e por cima de muitas pontes. Para se ter uma ideia de como as coisas mudaram, quando eu era um dos autores do “TV Pirata”, o Laerte, que era colega de redação, criava uns esquetes. Hoje, se trabalhássemos juntos, a Laerte criaria umas esquetes.

E é claro que as mudanças não foram só de gênero, foram de número e grau também.

Naquela época, por conta das circunstâncias —abertura democrática, fim da censura (sim, já teve isso), juventude e muita arrogância típica da pouca idade, éramos obcecados por fazer o novo. Se todos os programas de humor tinham claque (aquelas risadas gravadas, que quando não redundam, deprimem), o nosso não ia ter. Se os outros tinham bordões, a gente fingia que não tinha. Se um quadro fazia muito sucesso, já se pensava no fim, para “não cair numa fórmula”.

Hoje —na verdade, já há algum tempo— vivemos na era do remake. A busca passa menos pelo novo, do que pelo de novo.

E nessa busca vale tudo, principalmente nesse momento, quando o revival mais aguardado é o do mega sucesso “Vale Tudo”, um original de Gilberto Braga, tão do finalzinho dos anos 1980, que já pode ser considerada dos 1990.

Essa novela virou icônica pelos inacreditáveis índices de audiência alcançados, pelas personagens marcantes e por escancarar a atmosfera dominante daqueles anos: o cada um por si, o dane-se a ética, que moralidade e decência são para otários e perdedores, ou seja, tudo muito parecido com hoje e sempre.

Porém, com uma grande diferença: tudo bem que a bandalha e a falta de vergonha na cara continuem campeando na política, na farra com os gastos e privilégios públicos, na vida corporativa e privada. Só que novela é coisa séria e, atualmente, tamanho cinismo e niilismo soam, totalmente, inadmissíveis… Mas apenas quando acaba o Jornal Nacional.

No aguardo dessa adaptação, onde várias pautas e agendas novas surgiriam e substituiriam antigas questões, a nova versão vem cercada de boatos e expectativas.

Por exemplo, vazou, ou fofocou-se, que a legendária super vilã, Odete Roitman, não seria mais tão “negativa”, provavelmente apresentando uma vilania mais desconstruída e pautada pela correção, mostrando que até as malvadas podem e deveriam ser mais fofas.

Mas não se sabe se vai ser assim, como também é quase certo que é fake news a informação que a música de abertura, seria cantada pelo Cazuza, com sua voz recriada por inteligência artificial e com a letra atualizada para: “Brasil, mostra sua cara! Que é preta e parda e dos povos origináááários…”

E a coisa não para nas novelas, não. O revival dos anos 1990 parece que veio para ficar. No verão baiano, por exemplo, um dos maiores destaques foi a volta do É o Tchan!, que dizem, mas não sei se é verdade, também se repaginou, trazendo uma releitura do seu maior sucesso, que agora virou: “Segura o trans! Abraça a trans! Segura o trans e a trans, trans, trans!”

Torço que essa onda perdure e até toparia um remake, “Boyceta & Planeta Urgente”. Afinal, como dizia o grande sábio Tim Maia: vale tuuudo!


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