O Música em Letras entrevistou com exclusividade o pianista, arranjador e compositor Edson Sant’Anna, o Edinho, 43, que nesta sexta-feira (31) lança, nas plataformas digitais, seu segundo álbum autoral, “Edson Sant’Anna Trio”.
O primeiro, “Bopville” (2018), foi gravado ao vivo com um quinteto de jazz recriando o ambiente de improvisação dos discos da década de 1940 e 1950, indo do bebop ao hardbop. No registro só músicos do ramo: Daniel D’Alcantara (trompete), Wilson Teixeira (sax), Bob Wyatt (bateria) e Thiago Alves (contrabaixo).
O segundo, “Edson Sant’Anna Trio”, traz além do Edinho, no piano, Bruno Migotto, no contrabaixo, e Bruno Tessele, na bateria, mostrando o som que gravaram no estúdio Gargolândia, entre os dias 8 e 9 de fevereiro de 2024.
O resultado é uma música produzida por uma criação coletiva trazendo uma sonoridade que revela a identidade e as influências de cada integrante do trio.
Com 25 anos de carreira, Edinho, que nasceu em Joinville, mas há muito mora em São Paulo, estudou composição com Almeida Prado, formou-se em piano erudito na Escola Municipal de Música de São Paulo (EMESP), é bacharel em composição pela USP e mestre em música pela mesma instituição.
Como pianista convidado já participou de inúmeros shows e gravações acompanhando artistas da MPB como Wilson das Neves (1936-2017), Fabiana Cozza, além de atacar em grupos de música instrumental como Trio Ciclos, Soundscape Big Band, Daniel d’Alcantara Quinteto, Sizão Machado Quinteto, Bob Wyatt Quarteto, Nenê Trio, entre outros.
Leia, a seguir, a entrevista exclusiva que o artista concedeu ao Música em Letras e assista, no final do texto, ao vídeo no qual o trio interpreta “Desafinado”, de Tom Jobim e Newton Mendonça.
Qual o conceito do álbum “Edson Sant’Anna Trio”?
O álbum traz uma sonoridade única e inovadora dentro da música instrumental brasileira, criando música coletivamente, que reflete a identidade e as influências de cada integrante através do diálogo profundo entre a música brasileira, erudita e o jazz. O resultado são performances únicas, contemplando tanto composições autorais como também arranjos para clássicos do cancioneiro brasileiro, como “Desafinado” e “Samba de uma nota só”, além de trazer à tona ritmos do sul do país, frequentemente esquecidos, enriquecendo ainda mais o panorama da música instrumental contemporânea.
Comente o álbum musicalmente.
No álbum há versões para clássicos da MPB. São versões instrumentais para clássicos do cancioneiro brasileiro, como “Desafinado” e “Samba de uma nota só”, com arranjos modernos e fórmulas de compasso não convencionais.
Há também ritmos do Sul do Brasil, pois interessa também para o trio, que conta com um catarinense e um gaúcho, olhar para os ritmos do sul do país, em geral pouco contemplados na nossa música instrumental brasileira. Assim o trio faz uma releitura da canção “Merceditas”, um clássico de Ramon Sixto Rios, originalmente um chamamé, ritmo bastante comum na região Sul e também outros países da América Latina.
Também há no álbum algumas citações. Citações em música é quando um instrumentista insere dentro de uma música ou improviso um pequeno trecho de outra música, ou faz referência a algum outro compositor, por exemplo. Nesse sentido, o álbum está repleto de citações, que vão da música brasileira, ao jazz e à música clássica. Duas faixas autorais refletem especialmente o uso de citações são elas: “Beethoven e Brad dançando com Villa e Tom” e “Valcitando”. A primeira traz referências as harmonias beethovenianas, ao piano do pianista norte-americano Brad Mehldau e às composições de Villa Lobos e Tom Jobim. Já a faixa “Valcitando”, a segunda, traz citações a uma série de valsas clássicas, desde as valsas vienenses de Strauss, valsas de Chopin, até as valsas brasileiras como “Rosa”, de Pixinguinha, “Luiza”, de Tom Jobim, entre outras.
O que as pessoas devem ter em mente quando forem ouvir o álbum “Edson Sant’Anna Trio”?
O principal é estar aberto para a experiência auditiva variadas, com curiosidade para ouvir músicas que dialogam com outras músicas, e principalmente ter em mente o fato de que os músicos não apenas estão improvisando em cima das composições autorais ou arranjos, mas construindo novas paisagens sonoras, que não foram combinadas previamente para essas composições, mas sim improvisadas em tempo real, no momento em que foram gravadas. Outro elemento é o diálogo com a história da música através dessas três vertentes, a música brasileira, o jazz e a música clássica, e também os ritmos do sul do pais, frequentemente esquecidos, oferecendo uma escuta rica e variada dentro do panorama da música instrumental contemporânea.
Assista, a seguir, ao vídeo no qual o trio interpreta “Desafinado”, de Tom Jobim e Newton Mendonça.

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