Quase dois terços dos pernambucanos com até 17 anos de idade sofrem alguma privação de direitos básicos, aponta relatório do Unicef sobre pobreza
Publicado em 20/01/2025 às 0:00
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No exame das múltiplas dimensões da pobreza que envolve crianças e adolescentes no Brasil, não podemos deixar de levar em consideração o prolongamento de condições estruturais históricas que vêm contribuindo, ao longo das últimas décadas, para a permanência das desigualdades sociais. O estudo realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado há poucos dias, lança luz sobre a interdependência de fatores que causam e refletem a perenidade do problema, num círculo vicioso que parece difícil de sair.
Num país onde o desenvolvimento econômico é prejudicado pela mesma visão estreita que normaliza a corrupção e a impunidade para os corruptos – visão traduzida em desvirtuamento ético na política e na justiça, e se dissemina na sociedade como tacanho traço cultural – a falta de atendimento a direitos básicos desde a primeira infância, até a entrada na vida adulta, faz a pobreza ser passada de geração a geração, com raras e gratas exceções. Até porque muitos adolescentes brasileiros de baixa renda e precária qualidade de vida já se tornam pais e mães antes de completarem 18 anos.
É nesse contexto de tragédia nacional eternizada que os dados em relação a Pernambuco devem ser enquadrados. Quase dois terços – 64% – das crianças e adolescentes com até 17 anos de idade no estado sofrem algum tipo de privação de direitos básicos: passam fome, não recebem cuidados de saúde, não estudam como poderiam, não dispõem de moradia adequada, ou de água e saneamento. Muitas ainda passam pela exploração do trabalho infantil, imersas na urgência familiar da baixa renda. E assim chegam à idade adulta, se sobreviverem ao ambiente de violência e criminalidade ao qual a maioria é submetida, mal preparadas para a vida do trabalho, sem terem cultivado os potenciais individuais ou qualquer semente de vocação, e com baixa capacidade de contribuição para a coletividade.
Os números do Unicef são relativos a 2023, e portanto refletem as dificuldades acumuladas, agravadas ou intocadas, em uma geração nascida no século 21. Mais de 30% das meninas e meninos nessa faixa etária em Pernambuco enfrentam problemas de pobreza monetária – o que compromete todo o resto, se os serviços públicos não dão conta, ou nem tentam suprir a desigualdade de renda. O saneamento é o direito menos usufruído pelos jovens pernambucanos, segundo o relatório. Para os governantes, de todos os níveis, a demanda por políticas de inclusão, mais do que compensação, deveria ser prioridade das prioridades desde o primeiro dia de mandato até a entrega para o sucessor, se o poder fosse compreendido como poder de fazer o bem para quem mais precisa.
Em Pernambuco e no resto do Brasil, parte expressiva da infância e da juventude é vivida sem um presente decente, com um futuro sem horizonte para tanta gente que compromete o desenvolvimento, ano após ano, entra governo, sai governo, com pouca mudança da realidade.

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