Segundo maracatu de baque virado mais antigo do Brasil comemora bicentenário com festival cultural, mas sem apoio da Prefeitura de Igarassu
Publicado em 06/12/2024 às 13:35
| Atualizado em 06/12/2024 às 14:01
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Quando o Maracatu Nação Estrela Brilhante de Igarassu surgiu no Litoral Norte de Pernambuco, o Brasil dava seus primeiros passos como Império, recém-saído da condição de colônia. No Recife, as elites conspiravam um movimento republicano: a Confederação do Equador.
A data oficial de fundação, atualmente reconhecida, é 8 de dezembro de 1824, embora registros da história oral sugiram origens ainda mais remotas, possivelmente desde 1730.
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Seja qual for o marco exato, hoje o Estrela Brilhante é o segundo maracatu de baque virado mais antigo do Brasil, ficando atrás apenas do Nação Elefante, datado de 1800, no Recife.
Festival
Nesta sexta-feira (6) e sábado (7), a partir das 19h, esse legado será celebrado com um festival cultural em frente à sede do grupo, localizada no Sítio Histórico de Igarassu (Rua Dr. Barbosa Lima, 274).
O evento terá como destaque, na sexta, apresentações de grupos de coco, além Lia de Itamaracá, e no sábado, de diversas nações de maracatu – a lista completa encontra-se no final da matéria.
Origens

Imagem antiga do Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu, com Dona Mariú e Dona Olga – ARQUIVO PESSOAL
De acordo com a 2ª edição da revista Patrimônios Vivos de Pernambuco, publicada pela Fundarpe, o Maracatu Nação Estrela Brilhante teve suas raízes em Vila Velha, na Ilha de Itamaracá, que à época fazia parte de Igarassu.
Posteriormente, migrou para o Alto do Rosário, em Igarassu. Lá, por quase dois séculos, mantém viva a tradição de seu canto, dança e batuques.
Gilmar de Santana Batista, atual presidente do Estrela Brilhante, conta história com a simplicidade de quem revisita a própria árvore genealógica. “O que contamos para os mais jovens é o que ouvi da minha avó, Dona Olga, e da minha bisavó, Dona Mariú. É um legado que os meus bisavôs já brincavam”, relata Gilmar, ao JC.
“No início, o grupo era composto só por homens, depois as mulheres se integraram. Até hoje mantenho minha família unida, respeitando e preservando a tradição como ela sempre foi.”
Matriarcas

Imagem antiga do Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu, com Dona Mariú e Dona Olga – ARQUIVO PESSOAL
As matriarcas do grupo, citadas por Gilmar, são figuras centrais na memória do Estrela Brilhante. Sua avó, Olga de Santana Batista, faleceu em 2013, aos 76 anos; sua bisavó, Dona Mariú, viveu até os impressionantes 105 anos, falecendo em 2003.
Dona Mariú ingressou no maracatu aos 12 anos, em 1910, e logo se encantou pela calunga de madeira da nação, a Dona Emília. As toadas do grupo eternizam a devoção: “Dona Emília é quem manda”.
Na tradição do candomblé, a calunga simboliza proteção, invocando ancestrais e orixás. “Dona Emília significa tudo para nós. É nossa matriarca, nossa protetora. Depois que ela ficou conhecida no mundo, muita coisa melhorou para o grupo”, afirma Gilmar.
O mestre compartilha que o grupo já viajou países como Grécia, Suécia, Itália, França, Alemanha, entre outros, para realizar oficinas a convite de entidades privadas.
Descaso
Apesar do reconhecimento fora do Brasil, o mesmo não se reflete em sua terra natal. Segundo Gilmar, a Prefeitura de Igarassu não vem apoiando o grupo, nem mesmo para o evento de 200 anos.
“Não entraram em contato. Parece que o maracatu não significa nada para eles”, lamenta o mestre, que também critica o fim das subvenções culturais na cidade.



Por outro lado, o Estrela Brilhante recebe apoio financeiro da Prefeitura do Recife para apresentações no Carnaval, especialmente na Noite dos Tambores Silenciosos e polos descentralizados, através das subvenções carnavalescas.
O grupo também é um Patrimônio Vivo de Pernambuco pelo Governo do Estado, recebendo uma mensalidade vitalícia – que atualmente é de R$ 4.083,10 para pessoas jurídicas.
Parece que o maracatu não significa nada para eles (Prefeitura de Igarassu)
Mestre Gilmar
No Carnaval deste ano, contudo, a marca de 200 anos teve uma comemoração tímida por parte do Governo, que incluiu o Estrela Brilhante num projeto chamado Cortejo Brincantes de Pernambuco. Os homenageados da festa foram figuras mais “midiáticas”.
200 anos
Especificamente sobre o evento de 200 anos, Gilmar afirma que recebeu apoio financeiro da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), mas não o suficiente para a relevância da comemoração.
“Uma festa de 200 anos não é uma festinha, não são 20 anos ou 2 anos. A gente queria muito mais. O que me entristece é a impossibilidade de chamar mais grupos por não ter o valor suficiente”, conta.
“O Governo do Estado poderia ao menos contratar os grupos que pedimos, mas contratou dois. Alguns grupos virão, mas sem cachê. Vamos repassar o valor recebido para dividir para muita gente.”



Mesmo diante das dificuldades, o mestre celebra mudanças significativas na aceitação da cultura popular. “Hoje, vemos mais jovens e crianças interessadas. No passado, era muito mais difícil, porque o preconceito era grande. Diziam que maracatu era coisa de preto, de macumbeiro. Agora, vemos gente de todas as raças e classes brincando.”
O Estrela Brilhante seguirá como um testemunho vivo da força da cultura popular e negra, que atravessa gerações com seus tambores, cantos e histórias. “Vou sair desse mundo e deixar um legado que meus filhos, Wilka e Wandersson, vão continuar”, finaliza o mestre.
Confira a programação do festival de 200 anos do Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu:
Sexta-feira (6)
Coco das Minas
Pinga Coco
Coco Juremado
Coco de Dona Olga
Coco Besouro Mangangá
Lia de Itamaracá
Sábado (7)
Maracatus Nação:
Raízes de Pai Adão
Xangô Alafim
Aurora Africana
Encanto do Dendê
Sol Brilhante de Olinda
Estrela Brilhante do Recife
Parece que o maracatu não significa nada para eles (Prefeitura de Igarassu)
Mestre Gilmar
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