Com uma narrativa clássica e comovente, premiado longa-metragem de Walter Salles concentra-se no desmoronamento de família diante da repressão
Publicado em 06/11/2024 às 15:54
| Atualizado em 06/11/2024 às 16:28
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O estrondo metálico de um helicóptero corta a tranquilidade da Zona Sul carioca, surpreendendo Eunice Paiva (Fernanda Torres) enquanto flutua no mar.
A cena inicial de “Ainda Estou Aqui“, aguardado filme de Walter Salles, introduz de maneira simbólica o desmoronamento de uma família diante da repressão imposta pela ditadura militar.
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Escolhido para representar o Brasil na disputa por uma indicação no Oscar, o longa revisita o desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva (Selton Mello) em 1970, auge da repressão instaurada após o AI-5 e o sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick pela Ação de Libertação Nacional (ALN).
O roteiro foi baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, caçula de Rubens. Por isso, mais do que relatar um período sombrio da história brasileira, o diretor concentra-se na intimidade da família Paiva, especialmente na resiliência de Eunice, cuja interpretação intensa de Torres lhe rendeu o prêmio no Critics’ Choice Awards.
Com uma narrativa clássica e comovente, o filme é capaz de dialogar tanto com a crítica especializada quanto com o público mainstream. Ou seja: é, de fato, um bom filme de Salles, celebrado por “Central do Brasil” (1998).
Construção e transformação

Cena recria fotografia da família Paiva para revista em ‘Ainda Estou Aqui’ – DARA ONAWALE/DIVULGAÇÃO
Desde o início, “Ainda Estou Aqui” constrói o cotidiano da família Paiva em sua elegante casa carioca. O ritmo calmo é pontuado por cenas de praia, almoços e músicas no toca-discos, com amigos próximos discutindo discretamente a oposição ao regime militar.
A fotografia, cálida e iluminada, reflete esse ambiente idílico até a chegada repentina de militares à paisana.
A partir do instante em que Rubens é levado para um “depoimento” do qual nunca retornará, o filme mergulha em uma espiral de inquietação e angústia.
As cortinas da casa da família são fechadas pelos militares, escurecendo a atmosfera e alterando radicalmente a paleta visual, que passa a se concentrar em tons cinzentos e sombrios, especialmente nos corredores do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).
São detalhes meticulosos que evidenciam a narrativa precisa e a atenção da direção de arte.
Fernanda Torres

Fernanda Torres interpreta Eunice Paiva em ‘Ainda Estou Aqui’ – DIVULGAÇÃO
Apesar de todos esses atributos, incluindo também um bom roteiro (que venceu o Festival de Veneza, inclusive), é inegável que a alma desse longa é Fernanda Torres – Selton Mello também está bastante factível como Rubens, vale pontuar.
Interpretar uma pessoa que existiu é particularmente desafiador, pois cria algumas limitações na criação de um personagem que não pode fugir tanto do real. Respeitando Eunice, Torres dá uma carga dramática precisa em todos os momentos que são exigidos.
Sua atuação se desdobra nas diferentes temporalidades do longa, que vão dos anos 1970, no Rio de Janeiro, até os 1990, em São Paulo, e finalmente 2014, ano em que o golpe militar completa 50 anos.

Atriz Fernanda Montenegro no filme ‘Ainda Estou Aqui’ – Alile Dara Onawale/Divulgação
Na última fase, a personagem, já com Alzheimer, é vivida por Fernanda Montenegro, que, em apenas cinco minutos de tela, emociona ao transmitir com um olhar a persistência de uma lembrança enraizada, que o tempo e a doença não foram capazes de apagar.
Ditadura
Pelo tema abordado, “Ainda Estou Aqui” torna-se, evidentemente, um filme político. Em uma cena, contudo, ele evidencia um posicionamento para a atualidade.
Quando finalmente consegue a certidão de óbito do marido, já nos anos 1990, Eunice dá uma coletiva de imprensa e é questionada por uma jornalista se realmente “vale mexer tanto no passado”.
A personagem responde que sim, é necessário, pois “nada impede que o que ocorreu volte a ocorrer“.
Em 1999, o então deputado federal Jair Bolsonaro disse em um programa de TV que a ditadura “deveria ter fuzilado uns 30 mil”. Em 2016, o mesmo político disse em entrevista para uma rádio que “o erro da ditadura foi torturar sem matar”.

Fernanda Torres em ‘Ainda Estou Aqui’, de Walter Salles – DIVULGAÇÃO
Em tempos em que o período da ditadura tem sido revisitado com saudosismo (e negacionismo), esse longa relembra que cada vida perdida deixou uma ausência insubstituível.
Cada desaparecimento foi um ponto de ruptura no tecido de uma família, um amigo que jamais voltou, uma história interrompida.
O filme de Salles traz à tona o que números não mostram: cada um desses silêncios ressoa hoje em alguém, com memórias que exigem serem lembradas.
“Ainda Estou Aqui” é, assim, uma evocação dessas lembranças silenciadas pela ausência da memória do Brasil.

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