Raquel citou trajetória como servidora concursada e procuradora do Estado e disse nunca ter “furado fila” no serviço público
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O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) acusou a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) de ter recebido mais de R$ 1 milhão acima do teto constitucional durante o período à frente do Estado.
A declaração ocorreu durante o primeiro debate entre os candidatos ao Palácio do Campo das Princesas, realizado nesta sexta-feira (11), pela Rádio Cidade FM 99,7, em Caruaru, no Agreste. Raquel teve direito de resposta concedido e rebateu a acusação citando sua trajetória no serviço público e afirmando que nunca “furou fila”.
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A discussão sobre a remuneração da candidata à reeleição surgiu durante um confronto inicialmente voltado para concursos públicos e nomeações. Raquel havia questionado João sobre a quantidade de cargos de indicação política na Prefeitura do Recife e pediu a opinião do candidato sobre a realização de concursos públicos em Pernambuco.
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Na resposta, João citou as nomeações realizadas durante sua gestão na capital e deslocou o debate para a situação da educação estadual. O candidato questionou Raquel sobre os 1.500 professores que, segundo ele, estariam sem dar aulas às vésperas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Raquel, então, defendeu a política de concursos de sua gestão e afirmou ter promovido a maior nomeação de concursados da história de um governo estadual. Segundo a governadora, mais de 26 mil servidores foram nomeados, sendo 8 mil na segurança pública, 13 mil na educação e mais de 3 mil profissionais de saúde. “Eu fiz como prioridade no governo do Estado a maior nomeação de concursados da história de um governo”, afirmou.
A governadora também disse que novos concursos estão sendo preparados para áreas como segurança pública, saúde e educação.
João acusa Raquel de furar teto constitucional
Foi depois desse embate que João mudou o foco da discussão e passou a questionar a remuneração recebida por Raquel. O candidato afirmou que a governadora recebe valores superiores ao salário do chefe do Executivo estadual e sustentou que os pagamentos teriam ultrapassado o teto constitucional.
“Você sabia que a candidata que declarou um real na sua conta corrente recebe três vezes mais do que o salário do governador? Que isso tem indícios claros de inconstitucionalidade?”, afirmou João.
Na sequência, o candidato pediu que Raquel devolvesse os valores que, segundo ele, teriam sido recebidos acima do limite previsto na Constituição.
“Eu queria fazer um apelo à candidata Raquel, que ela pudesse devolver ao povo de Pernambuco esses mais de um milhão de reais que foram recebidos de forma inconstitucional, furando o teto e afrontando a nossa Constituição”, declarou.
Após a declaração de João Campos, Raquel teve pedido de direito de resposta concedido e rebateu a acusação, associando sua remuneração à carreira construída por meio de concursos públicos. A governadora afirmou que ingressou em diferentes carreiras do serviço público por concurso e destacou sua condição de procuradora do Estado.
“Por concurso público, sem furar fila, fui advogada do Banco do Nordeste, fui delegada da Polícia Federal e sou procuradora do Estado de Pernambuco desde 2005”, afirmou.
Raquel também defendeu a legalidade dos valores que recebe e disse ter escolhido a carreira pública por vocação. “Eu recebo o meu dinheiro de maneira honesta. Eu nunca fui sócia de negócio, não tem investigações contra mim”, declarou.
Concurso para procurador do Recife também entrou no debate
A fala de Raquel sobre ter ingressado no serviço público “sem furar fila” foi feita em referência à nomeação de um candidato em um concurso para procurador do Recife, durante a gestão de João Campos.
Em 2025, o resultado do concurso foi alterado após um candidato que havia se inscrito originalmente na ampla concorrência apresentar, mais de dois anos depois da inscrição, diagnóstico de autismo e solicitar reclassificação para disputar as vagas destinadas a pessoas com deficiência.
O candidato havia ficado em 63º lugar na ampla concorrência, enquanto Marko Venício dos Santos Batista era o único aprovado para a vaga reservada a pessoas com deficiência. Três procuradoras concursadas da Prefeitura haviam se manifestado pelo indeferimento do pedido de reclassificação, mas a solicitação foi posteriormente aceita pelo procurador-geral do município, cargo de indicação do prefeito.
O candidato reclassificado foi nomeado por João Campos, mas a nomeação acabou tornada sem efeito após a repercussão do caso. Marko Batista, que havia sido aprovado originalmente para a vaga destinada a pessoas com deficiência, tomou posse como procurador judicial do Recife.
Ao mencionar o episódio, Raquel questionou a condução de concursos e nomeações durante a gestão de João na Prefeitura do Recife. O candidato, por sua vez, direcionou a discussão para as nomeações realizadas pelo governo estadual e, posteriormente, para a remuneração da governadora.
A troca de acusações terminou com os dois candidatos defendendo suas atuações na administração pública.













