O filme “Ainda Estou Aqui”, que representa o Brasil no Oscar 2024, deve ser visto por todo brasileiro e não poderia ter vindo em melhor hora
Publicado em 22/12/2024 às 21:18
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O fim de todo ano é propício à reflexão sobre fatos que nos marcaram, deixaram lições ou renovam nossas esperanças no futuro. Um filme e um poema me ajudam a expressar esses sentimentos.
O filme é “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, que representa o Brasil no Oscar 2024. Ele deve ser visto por todo brasileiro e não poderia ter vindo em melhor hora.
Com uma interpretação magistral de Fernanda Torres, o drama é baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva e conta a história de Eunice Paiva, mãe do autor, que enfrenta a tragédia do desaparecimento de seu marido, o ex-Deputado Federal Rubens Paiva, durante a ditadura militar no Brasil.
Enquanto busca respostas sobre o que aconteceu com o marido (o corpo de Rubens nunca foi encontrado), Eunice luta para criar os cinco filhos e reconstruir sua vida, enfrentando o silêncio e a violência do regime.
Um travo de amargura, temperado por lágrimas silenciosas, me acompanhou durante a exibição da película. Tocante. Necessária.
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m misto de memórias familiares e reflexões políticas, destacando a força e a resiliência diante da dor e da injustiça.
Acrescente-se que no momento atual, em que a democracia enfrenta hostilidades de aproveitadores autocráticos e populistas (ajudados pela epidemia de desinformação digital) e a história vai revelando os riscos institucionais pelos quais passamos nos últimos anos, “Ainda Estou Aqui” é uma declaração de amor à resistência e à luta permanente em defesa da verdade e da democracia.
Como disse Eduardo Galeano: “Lutar pela memória é garantir que o silêncio nunca mais seja imposto”. Os sinos que trouxeram de volta a nossa democracia não dobraram em vão. “Sorriam”, diria Eunice, pois ela ainda está aqui: a Democracia.
Vamos ao poema: “Os Justos”, de Jorge Luis Borges. Apreciem sem moderação:
OS JUSTOS
Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.
Descobri o poema de Borges neste contexto de mal-estar social dos últimos tempos. Um verdadeiro alento em meio aos labirintos que expõem o lado nada admirável de um mundo novo em que despontam comportamentos que causam “Brain Rot” (palavra do ano pelo Dicionário Oxford, que significa “apodrecimento cerebral”), ou seja, simboliza a deterioração intelectual pelo consumo excessivo de polêmicas e futilidades nas redes sociais.
Se o filme “Ainda Estou Aqui” pode ser visto como uma exortação à Democracia, “Os Justos” é uma ode à humanidade, à convivência civilizada e fraterna, ao que realmente importa, ao essencial da vida: o poder transformador das pequenas virtudes.
Coisas que, em tempos de grandiloquência, intolerância e individualismo, parecem nos escapar das vistas. Borges nos presenteia com uma lista de pessoas comuns que, por meio de suas pequenas ações, estão “salvando o mundo”, dispensando heróis ou feitos espetaculares.
O poema traduz o valor da bondade cotidiana, do bom senso e da importância dos gestos simples e anônimos, que, lado a lado, contribuem para um mundo melhor.
Boto uma lupa em duas passagens do poema que define os justos: “O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram” e “O que prefere que os outros tenham razão”.
Existiria algo mais natalino do que isso? A primeira indica que o desejo de perdoar ou compreender uma ofensa é uma manifestação de grandeza moral, que afasta o ressentimento e traz paz interior.
A outra reflete a humildade, a empatia e a renúncia aos narcisismos que nos cegam. Em essência, o poema fala de Esperança: ela também ainda está aqui.
Cultivemos, pois, os jardins da Democracia e da Esperança.
Boas Festas!
Valdecir Pascoal, presidente do TCE-PE

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