Uma por Uma: conversa sobre violência contra a mulher e vivências femininas é tema do primeiro episódio do videocast

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Uma por Uma: conversa sobre violência contra a mulher e vivências femininas é tema do primeiro episódio do videocast


Resgate do projeto de 2018 e debate experiências femininas, redes de apoio, vulnerabilidade e o silêncio que ainda cerca essas histórias



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O videocast Uma por Uma, do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), estreou nesta sexta-feira (27) em seu novo formato, trazendo um olhar feminino sobre questões sociais ainda pouco discutidas.

No episódio inaugural, com o tema “O que não se vê, mas precisa ser dito”, a conversa abordou cuidado, vulnerabilidade, redes de apoio, violência contra a mulher e os silêncios que cercam essas experiências.

O programa é apresentado pela jornalista Natalia Ribeiro, que recebeu como convidadas a jornalista Ciara Carvalho, idealizadora do projeto original, Cristiana Tavares, que é médica oncologista, e Izabel Santos, coordenadora do Centro das Mulheres do Cabo. O episódio está disponível gratuitamente no canal JC Play, no YouTube.

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Violência como fenômeno social

A conversa começou lembrando que a violência contra a mulher é um fenômeno estrutural. Mortes de mulheres são, muitas vezes, interpretadas como casos isolados, mas na verdade integram um problema social muito amplo.

Ciara Carvalho, jornalista que coordenou Uma por Uma em 2018, lembra que foi exatamente essa a motivação do projeto: “o que nos incomodou era exatamente essa fragmentação. Aquilo ali era fruto de uma cultura e precisava ser visto como uma epidemia“.

No trabalho feito em 2018, foram acompanhados os casos de mortes de mulheres no estado de Pernambuco. O levantamento do time do SJCC descobriu que 84 mulheres foram vítimas de feminicídio.

Dados da Secretaria de Defesa Social indicam que, em 2025, foram 88. “Os dados mostram que, infelizmente, o projeto Uma por Uma não só permanece necessário, como também é urgente”, acrescenta Ciara.


Gabriel Ferreira/JC Imagem

Ciara Carvalho, jornalista e idealizadora do projeto Uma por Uma em sua primeira edição, em 2018, no videocast Uma por Uma – Gabriel Ferreira/JC Imagem

Feminicídio não começa na morte

O episódio explorou como atos aparentemente pequenos podem ser indicadores de um ciclo de violência. Comportamentos de controle, como proibir o uso de esmalte vermelho, batom ou o perfume, refletem uma tentativa de dominar a mulher e impactam diretamente na saúde dela.

Cristiana Tavares, que conduz um estudo das interseções entre câncer de mama e violência contra a mulher em seu doutorado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que “a violência tem relação direta com o adoecimento da mulher. Além disso, quando ela adoece, toda a família adoece junto“.

Izabel Santos, a frente do Centro que trabalha com o acolhimento de mulheres há 40 anos, complementou ressaltando que a violência muitas vezes se apresenta mascarada como cuidado por parte do agressor.

Isolamento de amigos e familiares, controle de roupas e comportamentos são formas de preparar o caminho para agressões mais graves. “Até chegar no feminicídio, que é a última e irreversível etapa. Mas, até lá, é preciso reconhecer os sinais e agir”, afirmou.


Gabriel Ferreira/JC Imagem

Izabel Santos, coordenadora geral do Centro das Mulheres do Cabo, no videocast Uma por Uma – Gabriel Ferreira/JC Imagem

Violência contra a mulher é um problema de todos

Foi levantada a pauta da legislação. Leis como Maria da Penha e Carolina Dieckmann são importantes, mas que a efetividade delas é o verdadeiro desafio. “As leis existem, são boas, mas precisam ser implementadas de forma completa, com todos os grupos atuando“, explicou Izabel.

Ela apontou, ainda, a fragilidade da rede de apoio estadual. Com 184 municípios, Pernambuco tem somente quatro abrigos para proteger mulheres vítimas de violência. Já as Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAM) são 15, mas enfrentam sucateamento e falta de efetivo.

Dessa forma, toda a sociedade tem o papel de prevenir e resgatar essas mulheres. Cristiana, médica oncologista, deixa ainda um apelo aos profissionais de saúde. “Ela pode não procurar a delegacia, mas procura um atendimento em saúde”. E essa pode ser a porta de entrada para salvá-la.


Gabriel Ferreira/JC Imagem

Cristiana Tavares, médica oncologista clínica e pesquisadora, doutoranda pela Unifesp, no videocast Uma por Uma – Gabriel Ferreira/JC Imagem

O debate ainda trouxe a necessidade de incluir os homens na reflexão e combate da violência e do machismo estrutural. “Não somos apenas nós, mulheres, que não podemos aceitar o machismo estrutural, mas também nossos filhos, maridos, irmãos e pais”, acrescenta Ciara.

Acolhimento, denúncia e redes de apoio são essenciais para reduzir a violência. A coordenadora do Uma por Uma de 2018 pontuou também que “ouvir e apoiar a vítima é tão importante quanto punir o agressor”. “Rompa o silêncio. Quando uma mulher sofre violência, todas nós estamos ameaçadas”, completou Izabel.

Uma por Uma: ainda urgente

Criado em 2018, o Uma por Uma acompanhou de perto cada caso de assassinatos de mulheres em Pernambuco no ano, reconhecendo que as vítimas não são números, mas mulheres que tiveram suas vidas ceifadas.

Na época, o Uma por Uma conquistou reconhecimento nacional, com prêmios como o Vladimir Herzog, e lançou as bases para o debate que hoje se amplia no formato de videocast, com foco em vivências femininas reais, sensibilidade e protagonismo feminino.

Assista ao videocast Uma por Uma






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