Sétimo episódio do videocast mostra que a soma de muitas responsabilidades é danosa às mulheres, gerado sobrecarga, cobrança e culpa
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Profissional, mãe de família, administradora, cuidadora do lar e muitas outras atribuições que se somam ao papel de mulher. É sobre a sobrecarga feminina, a “síndrome da mulher maravilha” e o sentimento de culpa por não dar conta de tudo que o sétimo episódio do videocast Uma por Uma debate.
Natalia Ribeiro guia mais uma vez a conversa, recebendo a participação especial da jornalista e apresentadora da Rádio Jornal e da TV Jornal Anne Barreto. Os assuntos perpassam pelas origens do fenômeno, os desafios enfrentados e quais são os caminhos para aliviar o peso sobre as mulheres.
Assista ao videocast Uma por Uma #07:Síndrome da Mulher Maravilha: os impactos da sobrecarga e da culpa no dia a dia
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Sobrecarga precisa ser conversada
“Achamos sempre que conseguimos resolver, e realmente conseguimos resolver muita coisa, mas não tudo”, abre Anne Barreto. O tema foi sugerido pela apresentadora, que reflete constantemente com suas colegas e amigas sobre a sobrecarga com que lidam.
Ela observa que sempre se cobrava muito quando não dava conta de tudo. Hoje em dia, entende melhor que não precisa se martirizar por isso, e relembra que seu primeiro apoio feminino começou em casa, com a mãe. “Ela me dizia ‘tem louça suja na pia e você está cansada? Vá dormir e lave amanhã’, e eu internalizei isso pra vida”.

Anne Barreto, apresentadora da TV Jornal e Rádio Jornal – Renato Ramos/JC Imagem
Ericka Vieira, que é militante do Fórum de Mulheres de Pernambuco (FMPE), participa da conversa e exemplifica a importância desse diálogo aberto entre mulheres: “fomos nós que, juntas, dissemos que o que fazemos de forma ‘invisível’ é fundamental para sustentar a sociedade”.
Síndrome da mulher maravilha
A presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos em Pernambuco (ABRH-PE), Danielle Maciel, também compõe a bancada do Uma por Uma. Ela esclarece que a síndrome da mulher maravilha não é um quadro clínico de verdade, e sim uma nomenclatura popular para o fator.
Todavia, ela pode levar sim a outras síndromes reconhecidas pela psicologia, como a Síndrome do Impostor, quando a mulher se sente incompetente e se culpa por ocupar os espaços que conquistou, e também a Síndrome de Burnout, causada pelo esgotamento físico e mental decorrente das múltiplas responsabilidades atribuídas.
“É comum de ouvir ‘quando nasce uma mulher, nasce uma culpa’, por que mesmo que você faça o melhor, sempre vai ter alguém dizendo que não é suficiente“, pontua a profissional.

Danielle Maciel, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos em Pernambuco (ABRH-PE) – Renato Ramos/JC Imagem
Mudanças profundas e rede de apoio são necessárias
Ericka Vieira traz outro aspecto interessante. Além da construção da sociedade atribuir diversas tarefas ao papel da mulher, ela também dificulta que elas sejam feitas. “Por que não temos melhores condições de transporte para as mulheres? Por que não temos creches perto dos nossos trabalhos? Por que não temos lavanderias populares?”, questiona.
Ela, que também é assistente social, acrescenta que para entender a sobrecarga feminina, é preciso entender ainda que “não é algo acidental, mas sim resultado de uma divisão de trabalho historicamente injusta“.
As mulheres enfrentam duplas ou triplas jornadas de forma simultânea, como trabalhar ao passo que se preocupa se está tudo bem em casa ou o que vai ter que comprar para fazer a janta.

Ericka Vieira, militante do Fórum de Mulheres de Pernambuco (FMPE) – Renato Ramos/JC Imagem
Danielle, profissional de recursos humanos, apresenta caminhos para aliviar a intensa carga por meio do ambiente de trabalho. “A flexibilidade precisa ser olhada com mais cuidado, além de ofertar convênios com creches, espaços para amamentação e licença estendida até para os homens, que dão apoio para as mulheres”.
No encerramento, Anne Barreto propõe que amigas, familiares, esposos e filhos olhem para as mulheres ao seu redor e reflitam sobre o estresse e sobrecarga que as acometem. Às mulheres, olhem com carinho para si mesmas e “não achem que vocês são a mulher maravilha”.

Natalia Ribeiro, Danielle Maciel, Ericka Vieira e Anne Barreto – Renato Ramos/JC Imagem













