Movimentos de bastidores para barrar a investigação de fraude bilionária sugerem a contaminação das instituições – que precisam zelar pela nação
JC
Publicado em 08/01/2026 às 0:00
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A extensa rede de negócios e relações do banco Master, que teve liquidação decretada pelo Banco Central, e o dono preso por alguns dias, ameaça revelar ligações nada republicanas entre o mercado financeiro e as instituições brasileiras. O meio político em Brasília passou por muita tensão, que não foi eliminada, mas amortecida, com estranhos movimentos de bastidores em prol da blindagem do dono do banco e da interrupção das investigações e da tramitação do caso na Justiça. Como se os bilhões de reais em exame, e sua destinação, valessem mais do que a saúde institucional do país, e a preservação do silêncio que guarda dúvidas e insinuações, fosse mais importante do que a transparência indispensável à ordem na República e à confiança nos Três Poderes e no sistema democrático.
As repercussões políticas e as sabotagens contra o Banco Central desafiam a democracia no Brasil: ou se vai fundo no caso Master, ou as instituições serão ainda mais desmoralizadas, incluindo o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Novas informações apuradas pelo UOL indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro e empresas vinculadas a ele compraram R$ 2 bilhões em imóveis, automóveis e jatos, antes da liquidação ser consumada. A Polícia Federal trabalha com a suspeita de que executivos do banco foram beneficiados com dinheiro desviado de investidores. Vale recordar que a fraude sob investigação para lesar o Banco de Brasília (BRB), entidade pública, ultrapassa o valor de R$ 12 bilhões.
Após a liquidação determinada pelo Banco Central, o prejuízo para os bancos privados que abastecem o Fundo Garantidor de Crédito pode ser superior a R$ 40 bilhões. Essa dinheirama certamente abala o mercado financeiro. Mas o pior são as relações pouco esclarecidas de Vorcaro com a cúpula do Judiciário brasileiro. O clima em Brasília a respeito do assunto, aliás, levanta interrogações de outras relações, com integrantes dos demais poderes, o Executivo e o Legislativo. O fio puxado pela Polícia Federal tem que ser seguido até o fim, pois é das instituições que se trata, quando o caso Master está em foco.
A liberdade para Vorcaro, concedida diretamente pelo STF, assim como a definição de sigilo sobre todo o processo, conferem ao caso uma imagem forte de superproteção do poder econômico, com instrumentos de privilégio fornecidos pelo topo do poder institucional no país. Um banqueiro causa indignação, revolta e desconfiança nos brasileiros. Em ano de eleições para presidente da República e governadores, senadores e deputados federais, a instalação de uma CPMI no Congresso pode servir tanto para arrefecer quanto inflamar os ânimos. Disputas políticas à parte, os bons exemplos do Banco Central e da Polícia Federal devem ser seguidos, e os esclarecimentos sobre os bilhões do Master e seus beneficiários precisam vir à tona. Ou o Brasil vale menos que um banco?
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