Estudo mostra como redes sociais, jogos e outras ferramentas digitais contribuem para o abuso e a exploração sexual online e presencial
Raphael Guerra
Publicado em 06/03/2026 às 8:40
| Atualizado em 06/03/2026 às 8:42
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Um a cada cinco adolescentes no Brasil sofreu exploração ou abuso sexual facilitados pela tecnologia – como uso de redes sociais e jogos online – em um período de um ano. O índice corresponde a cerca de 3 milhões de vítimas.
O dado faz parte do estudo “Disrupting Harm in Brazil”, produzido pelo Unicef Innocenti em parceria com a ECPAT International e a Interpol, com financiamento da Safe Online.
O levantamento analisa situações em que tecnologias são usadas em alguma etapa da violência sexual contra crianças e adolescentes, seja para aliciar vítimas, extorquir, produzir ou disseminar material de abuso.
Esses casos podem ocorrer apenas no ambiente virtual ou combinar interações online e presenciais. Em alguns episódios, a violência acontece fisicamente e a tecnologia é usada para registrar ou compartilhar imagens.
Entre as formas mais comuns de violência relatadas, a exposição a conteúdo sexual não solicitado aparece em primeiro lugar, atingindo 14% dos entrevistados.
Quase metade dos casos (49%) foi cometida por alguém conhecido da vítima. Em 26% das situações, o agressor era desconhecido, e em 25% dos episódios as vítimas não conseguiram ou não quiseram identificar quem cometeu o crime.
A pesquisa apontou que muitas vítimas não procuram ajuda. Em 34% dos casos, adolescentes disseram não ter contado o ocorrido a ninguém.
Na avaliação de Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil, o risco está presente tanto nas interações online quanto nas relações do cotidiano e evidencia a complexidade desse tipo de violência, que muitas vezes envolve vínculos de confiança, dependência emocional ou proximidade com o agressor.
“Compreender essas dinâmicas é essencial para fortalecer políticas públicas, aprimorar mecanismos de proteção e promover respostas coordenadas entre governos, sistema de Justiça, setor privado, plataformas digitais e sociedade civil. O objetivo é garantir que crianças e adolescentes possam exercer seus direitos no ambiente online de forma segura, protegida e livre de violências”, disse.
Onde a violência é cometida
O levantamento identificou que, em 66% dos relatos, a violência ocorreu por meio de canais online, como redes sociais e aplicativos de mensagens (64%) e jogos online (12%). Entre as plataformas mais citadas pelas vítimas estão Instagram (59%) e WhatsApp (51%).
Há uso crescente de ferramentas de inteligência artificial em crimes desse tipo. Cerca de 3% dos entrevistados disseram que alguém utilizou IA para criar imagens ou vídeos de conteúdo sexual com sua aparência.
De acordo com os pesquisadores, esse tipo de material manipulado configura violência sexual e pode causar impactos duradouros na vida das vítimas.
A pesquisa também identificou ofertas de dinheiro ou presentes em troca de imagens ou vídeos de conteúdo sexual. Em um ano, 5% disseram ter recebido esse tipo de proposta, enquanto 3% relataram convites para encontros presenciais com finalidade sexual.
Entre os principais motivos para o silêncio das vítimas estão a falta de informação sobre onde buscar ajuda (22%), vergonha ou constrangimento (21%) e medo de não serem acreditadas (16%).
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