Estátua de Colombo na Casa Branca faz o presidente dos Estados Unidos confirmar inclinação à conquista violenta do imperialismo clássico
JC
Publicado em 25/03/2026 às 0:00
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Com interjeições recorrentes de maravilhamento, sempre que o poder bélico dos Estados Unidos dá, segundo ele, demonstração de supremacia inalcançável e de força imbatível, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não esconde suas preferências históricas. Ao divulgar a estratégia de segurança baseada na chamada Doutrina Monroe, meses atrás, Trump resgatou o conceito de área de influência para justificar qualquer ação militar fora das fronteiras norte-americanas. Para ele, a América Latina é território potencialmente de domínio da Casa Branca, como deixa claro ao sequestrar e prender o presidente da Venezuela, e ameaçar tomar Cuba para o controle direto dos EUA.
Em um lance simbólico que mostra seu pendor à violência do poder à moda antiga – com armas e imposição do medo – o presidente estadunidense instalou, nos jardins da residência oficial, uma réplica da estátua de Cristóvão Colombo, idêntica àquela que havia sido derrubada por manifestantes em Baltimore, depois do assassinato de George Floyd por policiais em Minneapolis, em 2020 – quando Trump estava em seu primeiro mandato. Ao trazer a estátua destruída pelos protestos da época para dentro da Casa Branca, Donald Trump não apenas exalta uma figura histórica controversa, pelo derrame de sangue e pela forma de impor o domínio europeu sobre as populações locais das terras “descobertas”. O magnata aproveita a oportunidade para afrontar a memória do negro asfixiado até a morte pela brutalidade do Estado, e mais uma vez, render uma homenagem deturpada à opressão patrocinada pelas instituições.
Para Trump, Colombo representa “o herói americano original e um dos homens mais galantes e visionários”. Na visão contemporânea compartilhada por historiadores e organizações sociais, os exploradores europeus – Colombo estava a serviço da Espanha, mas era italiano – e suas tripulações foram responsáveis pelo cumprimento de ordens genocidas contra os povos das Américas. O descobridor celebrado é revisto como portador da violência imperialista, que assumindo os contornos do poder violento, se confunde com o abuso de autoridade dos policiais que mataram Floyd.
A polêmica instalação da estátua renegada por muitos cidadãos norte-americanos, com apoio da maioria dos políticos do partido Democrata, ainda tem um gosto de vingança para o atual presidente. Em várias localidades dos EUA, o Dia de Colombo, 12 de outubro, passou a ser tratado como Dia dos Povos Indígenas. No discurso trumpista, a troca é parte da ideologia antiamericana: “Os democratas fizeram tudo o que podiam para destruir Cristóvão Colombo, sua reputação” disse Trump.
A reativação do debate pode ser mais um diversionismo, trazendo de volta para o plano interno os olhares arregalados – e nada satisfeitos – da população com os gastos bilionários e os riscos da guerra contra o Irã e a desestabilização no Oriente Médio. Seja qual for a intenção, não deixa de ser mais do mesmo Donald Trump, que desejava um Prêmio Nobel da Paz e prega a conciliação através dos mísseis e das ameaças à soberania das nações.
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