Três unidades prisionais de Pernambuco foram alvo de operações contra corrupção em um ano e meio

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Três unidades prisionais de Pernambuco foram alvo de operações contra corrupção em um ano e meio


Além do Presídio de Vitória de Santo Antão, esquemas ilegais foram desarticulados no Presídio de Igarassu e na Penitenciária de Petrolina

Por

Raphael Guerra


Publicado em 25/08/2026 às 10:12
| Atualizado em 25/08/2026 às 12:45


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O Presídio de Vitória de Santo Antão, localizado na Mata Sul de Pernambuco, foi alvo de operação policial nesta terça-feira (25) para desarticular um forte esquema de corrupção. Policiais penais e detentos estão entre os investigados.

Em apenas um ano e meio, operações foram deflagradas em três unidades prisionais de Pernambuco contra servidores públicos acusados de integrar organizações criminosas para beneficiar detentos em troca de pagamentos de propina. 

A primeira operação, denominada La Catedral, ocorreu no Presídio de Igarassu, localizado no Grande Recife, em 25 de fevereiro de 2025. Na ocasião, o ex-diretor da unidade Charles Belarmino de Queiroz, e sete policiais penais foram presos preventivamente. 

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A investigação indicou que detentos tinham acesso a drogas, celulares, bebidas alcoólicas e até mulheres para festas frequentes. Em troca, os servidores públicos recebiam propinas, como pagamentos em dinheiro (em espécie ou via Pix) e até comida por meio de delivery. 

O esquema criminoso foi descoberto a partir da apreensão de um celular com o presidiário Lyferson Barbosa da Silva, que exercia liderança em um dos pavilhões e que tinha contato direto, sobretudo por meio do WhatsApp, com Charles e outros policiais penais em cargos de supervisão.

Charles exerceu o cargo de diretor do Presídio de Igarassu entre 1º de abril de 2016 até o final de 2024. Segundo denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), “valendo-se de sua posição de comando, autoridade funcional e conhecimento aprofundado da rotina carcerária, estabeleceu e liderou, de forma consciente e voluntária, uma organização criminosa estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas”.

O ex-diretor é acusado de receber pagamentos periódicos de dinheiro cobrados de presidiários para permitir atividades ilícitas nos pavilhões e o funcionamento de comércios irregulares. Em setembro de 2025, a Justiça converteu a prisão preventiva em domiciliar para Charles.

Na segunda fase da operação, em abril do mesmo ano, a polícia prendeu André de Araújo Albuquerque, ex-secretário executivo de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap).

A prisão foi determinada após um vídeo encontrado no celular de Charles, com data de 6 de setembro de 2024, mostrar o ex-secretário recebendo maços de dinheiro e guardando numa sacola. O detento Antônio de Souza Sobrinho, conhecido como Sertanejo, também apareceu nas imagens. 

Todos os investigados viraram réus, mas ainda não foram julgados pela Justiça. 

CORRUPÇÃO NA PENITENCIÁRIA DE PETROLINA

A Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes, localizada em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, foi alvo de operação em agosto de 2025. O esquema, segundo a investigação, era semelhante ao adotado em Igarassu.

O inquérito indicou que valores via Pix teriam sido repassados ao ex-diretor, Alessandro Barbosa Martins de Sousa, como propina para liberação de entrada de drogas, bebidas alcoólicas, celulares e negociação de venda de cantinas e até camas na unidade prisional. Mensagens de WhatsApp, anexadas ao processo, serviram de provas.

Alessandro, apontado como o líder do “núcleo de agentes públicos”, permaneceu com tornozeleira eletrônica até abril deste ano.

Nove suspeitos de participação no forte esquema de corrupção por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, corrupção ativa e ingresso ou facilitação de ingresso de aparelho telefônico em estabelecimento prisional. 

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) ainda não ofereceu denúncia à Justiça. As defesas negam os crimes. 






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