No conjunto de palcos ao ar livre, o interior de Pernambuco revive os últimos momentos de Jesus, para a emoção da multidão em Nova Jerusalém
JC
Publicado em 02/04/2026 às 0:00
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Uma história que se reconta há mais de dois mil anos ganhou, em solo pernambucano, a inspiração da arte para tocar multidões na plateia. O “maior teatro ao ar livre do mundo”, em Fazenda Nova, no município de Brejo da Madre de Deus, abriga o drama da condenação e da crucificação, seguido da ressurreição que encanta e faz a maioria ir às lágrimas, substituindo o sofrimento do sacrifício divino pela esperança que suplanta a injustiça. O criador do espetáculo de Nova Jerusalém, Plínio Pacheco, faria 100 anos em 2026 – e certamente se orgulharia de presenciar a continuidade do seu legado, ano após ano, no ar de satisfação do público e da emoção das atrizes, dos atores, dos figurantes e de toda a produção, unidos na transmissão da mensagem cristã, passada de geração a geração.
A Paixão de Cristo se transformou em atração cultural pernambucana, vinculando valores universais à criatividade local. O envolvimento da comunidade é uma das características marcantes da encenação, que atrai milhares de turistas todos os anos, que vêm prestigiar os grandes artistas convidados, consagrados em suas carreiras, ao mesmo tempo em que presenciam o sentimento extravasado pelos artistas da terra e do povo. Em entrevista ao JC, Robinson Pacheco, filho de Plínio, presidente da Sociedade Teatral de Fazenda Nova, afirmou à coluna de João Alberto, na edição da última segunda-feira, que o maior desafio “é fazer o espetáculo se reinventar todos os anos. Sendo a mesma história, criar inovações cênicas sem o espetáculo perder a sua essência histórica”.
A concepção de Plínio Pacheco é mantida, preservando a tradição do espetáculo. Mas “a inovação, por sua vez, é uma necessidade constante, sem ela, o espetáculo não teria a longevidade para seguir cumprindo sua missão cultural, social e econômica para o povo pernambucano”, disse Robinson Pacheco ao JC. De fato, a relevância para a economia do estado e da região é inegável, fazendo com que a Páscoa tenha se consolidado como um dos períodos de alta estação no Agreste pernambucano, gerando oportunidades diversas para ampliação da renda familiar. Do ponto de vista social, a interação agregada pelo espetáculo evidencia a importância da fé para o povo brasileiro, especialmente o nordestino.
A imensa cidade-teatro oferece experiência singular de mergulho na narrativa fundadora para milênios de culto e fortalecimento dos rituais. Na 57ª edição, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém leva ao público, até o domingo, 4 de abril, a performance marcante de Dudu Azevedo como Jesus, Beth Goulart como Maria, Marcelo Serrado como Pilatos, e Carlo Porto, Herodes. O texto preserva a base escrita por Plínio Pacheco em 1967.
O grandioso espetáculo da fé recorda a humanidade do salvador, ressaltando a lição de entrega e humildade mesmo diante de flagrante crueldade. Ao invés da vingança, o maior exemplo cristão propaga a compreensão amadurecida que constrói e revigora a paz.

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