Federação da Agricultura defende intensificação da diplomacia e diversificação de mercados para proteger renda e empregos do agronegócio de Pernambuco
JC
Publicado em 22/07/2026 às 18:26
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Entrou em vigor nesta quarta-feira (22), a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros. A medida atinge diretamente itens importantes da pauta exportadora do agronegócio pernambucano. O açúcar e as uvas de mesa estão entre os mais afetados, com perda de competitividade no mercado norte-americano.
Em 2025, Pernambuco exportou US$ 126,1 milhões para os Estados Unidos, considerando toda a economia do estado. Desse total, US$ 68 milhões vieram do agronegócio, o equivalente a 54%.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Pernambuco (Faepe) avalia que o mercado americano representou, no ano passado, apenas 9% das exportações do setor agropecuário estadual. A fatia já foi bem maior. No início dos anos 2000, chegou a superar 30%.
Pernambuco comercializa atualmente com cerca de 40 países. Mesmo assim, os Estados Unidos seguem como parceiro estratégico para a diversificação dos compradores do estado, segundo a entidade.
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Os principais produtos pernambucanos exportados aos Estados Unidos em 2025 foram o açúcar, com US$ 30,1 milhões (8,3% das exportações estaduais do produto), as uvas de mesa, com US$ 10,5 milhões (9,4%), as mangas, com US$ 5,5 milhões (3,1%), e os inhames, com US$ 4,86 milhões, que respondem por 85% das exportações pernambucanas do item.
O impacto da nova tarifa varia de acordo com o produto. O açúcar, que enfrentava uma alíquota próxima de 12,5%, passa a uma tributação total em torno de 37,5%.
As uvas de mesa, cuja tarifa varia conforme o volume exportado, também recebem o acréscimo de 25%. A mudança reduz a competitividade da fruta pernambucana diante de concorrentes como o Chile, que negocia com os Estados Unidos em condições tarifárias mais vantajosas.
As mangas foram incluídas na lista de exceções. O produto continua sujeito apenas à tarifa específica por quilograma, sem o acréscimo percentual aplicado aos demais itens. O inhame teve a alíquota elevada de 6% para 31%.
Os dados do primeiro semestre deste ano já apontam redução nas exportações pernambucanas para os Estados Unidos, na comparação com o mesmo período do ano anterior. A avaliação da Faepe é que o cenário deve se intensificar com a entrada em vigor da nova política tarifária.
A imposição de tarifas dessa natureza tende a gerar incertezas e mudanças nos fluxos do comércio internacional. Relações comerciais consolidadas ao longo de anos podem ser desestabilizadas, com produtos redirecionados para novos mercados. A logística se torna mais complexa e a estrutura de incentivos que orienta as decisões de exportadores e importadores é alterada. Cadeias produtivas organizadas para períodos sazonais específicos também podem precisar de reorganização, o que pressiona preços e custos logísticos.
“Diante desse cenário, torna-se fundamental a intensificação das negociações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos, bem como a busca por novos mercados para nossos produtos, de forma a preservar a competitividade do setor, reduzir riscos e assegurar a manutenção da renda e dos empregos gerados pelo agronegócio”, afirma o presidente da Faepe, Pio Guerra.














