“Tem muitas músicas que eu só fiz porque eu conheci ele, e vice-versa”, diz Sophia Chablau sobre o compositor Felipe Vaqueiro, com quem lançou o álbum “Handycam”, no ano passado. A dupla se encontra neste domingo, com um show no Coala Festival, no Memorial da América Latina.
A artista de 26 anos, da banda Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo, tem se destacado na cena independente de São Paulo, assim como Vaqueiro, de 29, na Bahia, com a banda Tangolo Mangos.
“Eu conhecia poucos compositores da minha idade, pessoas que tinham a composição como prioridade”, diz Chablau. “Então, quando eu o conheci, fiquei enchendo o saco para fazermos algo juntos.” Eles contam que o santo bateu rápido. Começaram a tocar ao vivo juntos e, depois, no ano passado, lançaram o single “Ohayo Saravá“, seguido de “Handycam”.
Para a dupla, o disco é produto de uma atenção a acontecimentos tanto do amor como da política. A urgência da guerra e as mortes na Palestina deram vida a “Quantos Serão no Final?”, enquanto a paixão por uma jovem cineasta deu origem a “Cinema Brasileiro”.
Durante a confecção do disco, uma preocupação comum entre os dois era fazer um trabalho que, apesar de indie, soasse brasileiro. “O nosso nicho é muito paga pau de gringo”, diz Vaqueiro. Para Chablau, a faixa do álbum que chegou mais perto dessa proposta é “Campo Minado” —que surgiu de um baião do soteropolitano e foi se transformando em conjunto com a banda, composta por Biel Basile na bateria e Marcelo Cabral no baixo.
Os dois concordam que a harmonia em dupla foi tamanha que, vira e mexe, seus próprios colegas se confundem ao tentar identificar quem escreveu o quê. “Entramos numa espécie de convergência simbiótica”, brinca Vaqueiro.
Chablau lembra que considerou o disco pronto muito antes de ele de fato estar finalizado. “Por mim, eu não mudava uma nota, mas ele gravou 500 takes de guitarra e dobra de vozes, e o disco cresceu muito com isso. Aí vi que tínhamos acertado na parceria”, diz.
Em turnê, eles passarão por várias cidades do país, mostrando ainda músicas inéditas. “É bonito poder tocar com pessoas que vêm de lugares diferentes e mostrar o que estamos produzindo”, diz Chablau.














