Socorro Acioli lança coletânea sobre amor, tema de toda sua literatura

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Socorro Acioli lança coletânea sobre amor, tema de toda sua literatura


“É impossível não ter amor. Eu nem acredito que exista uma escrita sem amor”, afirma Socorro Acioli. O amor atravessa toda a sua obra —está nos romances, nas crônicas e, claro, em “Amar É Inadiável”, livro que a escritora lança nesta Flip.

O amor ao qual a autora cearense se refere é o romântico, mas também o que une amigos, familiares e até desconhecidos. É ainda uma resposta à sua experiência com afeto na infância. Filha de uma mãe diagnostica com esquizofrenia, Acioli lidou com o abandono afetivo desde cedo.

“O trabalho com a literatura é sempre uma busca por respostas. Eu quero saber quais são os limites das possibilidades de amar, e os de amar na impossibilidade”, afirma a colunista da Folha, que participa da programação da Casa Folha na Flip na sexta (24), às 11h.

“Amar É Inadiável” reúne textos publicados de 2015 a 2022 nos jornais O Povo e Diário do Nordeste e funciona como uma espécie de bastidor de sua literatura.

Nas crônicas que “flertam com o conto”, como diz Acioli, surgem reflexões sobre leitura, escrita, narradores e personagens, além de pistas sobre a construção de “A Cabeça do Santo” e “Oração para Desaparecer”, seus dois romances best-sellers.

Acioli já soma 500 mil exemplares vendidos pela Companhia das Letras, que publicou os dois livros e continuará responsável por sua obra de ficção. A escolha da Planeta para a coletânea, segundo a autora, nasceu do desejo de “circular de uma outra maneira”.

Em “Amar É Inadiável”, ela diz que “escrever um livro é entregar um bom pedaço da própria vida a um devaneio”. Segundo ela, esse devaneio é tanto o motivo de escrever quanto o resultado da escrita.

Seus livros nascem de temas que a descolam da realidade. A partir daí, assume a pesquisa, para só depois trabalhar a fabulação. “Começo como jornalista e termino como uma utópica”, diz.

Em um momento em que a autoficção parece dominar o mercado, Acioli segue na direção oposta. “Autoficção é para quem acha a própria vida interessante. No meu caso, é meu trabalho que acho interessante.”

Para escrever “Oração para Desaparecer”, por exemplo, visitou repetidas vezes a comunidade Tremembé de Almofala, conversou com antropólogos, aprendeu a bordar lenços de namorados e até tomou ayahuasca. O processo, diz, não é um exercício de excentricidade, mas uma forma de respeito por quem inspira seus personagens.

Se antes o escritor era uma figura reclusa admirada à distância, hoje ela entende que a profissão exige presença. O trabalho passa pelo contato com os leitores e também por ceder um pouco da vida pessoal ao público, aos moldes de celebridade.

“Eu escrevo para quem me lê, porque se eu escrevesse para mim, não escreveria”, aponta a autora. Quanto mais leitores conhece, diz, menos se dá ao direito de ficar com preguiça de escrever.

Durante a entrevista por vídeo, de sua casa temporária em Fortaleza, Acioli avista o cenário de seu próximo romance, que tem tomado a maior parte do seu tempo. “Delírio San Pedro” parte do fechamento de hospitais psiquiátricos e inclui também um hotel que foi derrubado na capital cearense.

Em determinado momento, falando mais do romance em andamento do que da coletânea recém-lançada, a autora ri da própria fixação: “Estou pensando só nisso.”

Evidências do próximo lançamento podem ser encontradas na coluna semanal que a autora assina na Folha, que passam a ser editadas quinzenalmente também no jornal impresso, no caderno Cotidiano.

O espaço marca seu retorno à crônica, gênero do qual se afastou em 2022. Ali, ela reúne histórias insólitas encontradas pelo Brasil —muitas sugeridas por leitores que lhe enviam relatos pelas redes sociais.

Entre um projeto e outro, ainda tem o desenvolvimento de dois filmes baseados em seus romances: “A Cabeça do Santo” será dirigido por Joana Mariani, e “Oração para Desaparecer”, estrelado por Alice Carvalho.

Acioli, no entanto, acompanha os dois de longe. Prefere não participar do processo porque, brinca, acaba revelando segredos antes da hora.



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