Samuel Germano: Telas e Fé na Era Digital

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Samuel Germano: Telas e Fé na Era Digital


O poder midiático deixou de ser só entretenimento e tornou-se ferramenta de influência sobre valores, emoções e decisões principalmente dos jovens

Por

JC


Publicado em 14/06/2026 às 0:00


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“Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida” (Provérbios 4:23).
Vivemos cercados por telas — do celular aos aparelhos televisivos. São janelas por onde a violência se infiltra em nosso cotidiano, oferecida como produto e absorvida sem filtros. Mas será que esse hábito tem feito bem à nossa alma?

A Mídia e Seu Poder de Influência – O poder midiático deixou de ser apenas entretenimento e tornou-se ferramenta de influência sobre valores, emoções e decisões, especialmente entre os mais jovens. Televisão, redes sociais e plataformas digitais intensificam diariamente a exposição à violência, muitas vezes tratada como algo comum e aceitável.

Essa influência tende a moldar ideologias e comportamentos sem que percebamos. Jesus já nos alertava sobre a importância da guarda visual: “Os olhos são a lâmpada do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz; mas, se forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas” (Mateus 6:22-23). Ou seja, o que entra pelas janelas dos nossos olhos através das telas tem o poder de iluminar ou obscurecer nossa consciência. Sem vigilância, abrimos espaço para que conteúdos nocivos dominem o interior de nossos lares.

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Infância Moldada pelas Telas – Crianças e adolescentes crescem diante de uma produção midiática que naturaliza a agressividade e a intolerância. Como bem observa o psicólogo Jonathan Haidt, a substituição das interações reais pela mediação digital criou uma “geração ansiosa”, na qual a experiência de mundo é filtrada por programas que controlam o que vemos antes mesmo de ser sentida pelo coração.

Estudos apontam que o excesso de tempo diante dos monitores prejudica o desempenho escolar, aumenta a vulnerabilidade ao bullying e dificulta a socialização. Neil Postman, um dos maiores críticos da ecologia das mídias, advertia que a imersão nas telas elimina a fronteira entre a infância e a idade adulta, expondo as crianças a conteúdos complexos antes que tenham maturidade emocional para processá-los.

O Preço da Perda de Sensibilidade -O tempo gasto com conteúdo nocivo representa um processo silencioso de perda da sensibilidade. A violência e o imediatismo consumidos como entretenimento roubam horas preciosas que deveriam ser investidas em aprendizado, convivência familiar e desenvolvimento pessoal. Essa exaustão digital gera o que especialistas chamam de indiferença ao sofrimento: a criança perde a capacidade de se comover com a dor real, trocando a empatia pela passividade. Assim, o tempo improdutivo compromete o futuro ao atrofiar a imaginação criativa e reforçar padrões destrutivos, tornando a agressividade uma parte comum da rotina.

O Papel das Famílias na Proteção – A educação emocional e espiritual começa no lar. Pais presentes, que orientam e dialogam, são fundamentais para formar filhos conscientes e pacíficos. O texto bíblico nos lembra: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, mesmo quando envelhecer, não se desviará dele” (Provérbios 22:6). Ensinar o uso consciente da tecnologia não é repressão; é educar e proteger. Ambientes seguros e diálogo aberto funcionam melhor do que proibições rígidas. Cabe à família a importante tarefa de ser guardiã dos olhos e do coração dos filhos. Ser luz em meio às trevas é um chamado que começa dentro de casa.

Caminhos de Luz – Proteger os olhos e o coração das crianças é escolher o brilho da vida em vez do reflexo das sombras. Isso exige intencionalidade: valorizar as pausas criativas, priorizar o diálogo face a face e selecionar rigorosamente o que atravessa o portal do lar. A tecnologia deve ser ferramenta de aprendizado, jamais substituta do afeto.

Ao resgatarmos a sensibilidade de nossos filhos, permitimos que cada lar seja uma luz que afasta as trevas, cultivando aquilo que é sagrado, eterno e construtivo.

Samuel Germano de Oliveira é pastor da igreja “O Brasil Para Cristo”. Pedagogo com especialização em gestão educacional e direitos humanos pela UFPE, é autor de diversas obras e membro fundador da Academia Pernambucana Evangélica de Letras (APEL).






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