Hábito conhecido como onicofagia vai além da estética e está associado a infecções, problemas bucais e distúrbios ligados ao estresse
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Presente na infância, adolescência e também na vida adulta, o hábito de roer unhas — conhecido cientificamente como onicofagia — afeta entre 20% e 30% da população mundial, segundo estudo publicado na National Library of Medicine.
Apesar de muitas vezes ser encarado como algo inofensivo ou apenas um incômodo estético, o comportamento pode provocar uma série de prejuízos à saúde geral.
Entre as consequências estão lesões na pele, inflamações na gengiva, fraturas dentárias, infecções gastrointestinais e até problemas respiratórios, como amigdalite. A prática está frequentemente associada ao estresse, ansiedade e outros fatores emocionais.
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Quando o hábito se torna um problema
De acordo com a dermatologista Marina Coutinho, roer unhas costuma ser um ato automático e inconsciente.
“Quando acontece de forma pontual, em situações de tédio, medo ou estresse, geralmente não há grandes preocupações. O problema surge quando a pessoa rói a unha até o leito ungueal, atingindo a pele logo abaixo”, explica.
Nesse estágio, a barreira natural de proteção é rompida, facilitando a entrada de microrganismos. “As cutículas machucadas e a matriz da unha exposta aumentam o risco de infecções bacterianas, virais e fúngicas, além de dificultarem a cicatrização”, afirma a especialista.
Outro fator de risco é o transporte constante de germes das mãos para a boca. “Isso eleva a chance de resfriados, infecções intestinais, inflamações na cavidade oral e até mau hálito”, acrescenta.
Entenda a estrutura das unhas
As unhas fazem parte da chamada unidade ungueal, formada por diferentes estruturas que garantem proteção e crescimento saudável.
A placa ungueal é a parte visível e rígida, composta por queratina. Abaixo dela está o leito ungueal, responsável por fixar a unha ao dedo. Já a matriz, localizada na base, é onde ocorre o crescimento.
A cutícula e as pregas ungueais funcionam como barreiras naturais contra microrganismos, justamente as regiões mais afetadas pela onicofagia.
Como recuperar unhas e pele após anos roendo
A recuperação exige cuidados contínuos, tanto externos quanto internos. Produtos hidratantes, como aloe vera e óleos naturais, ajudam a nutrir a pele e fortalecer as unhas. No entanto, a alimentação tem papel central nesse processo.
Segundo Marina Coutinho, uma dieta equilibrada, rica em vitaminas e minerais, favorece a regeneração. “A biotina, vitamina do complexo B, é especialmente importante para a formação das proteínas das unhas. Ela está presente em alimentos como aveia, amendoim, salmão e gema de ovo”, orienta.
Estratégias para parar de roer unhas em cada fase da vida
Embora seja um hábito difícil de abandonar, existem estratégias que ajudam a interromper o ciclo da onicofagia. Na infância, o comportamento pode desaparecer espontaneamente, mas o uso de esmaltes com gosto amargo pode ajudar.
Na adolescência, a vaidade costuma ser uma aliada, já que o desejo por unhas bem cuidadas funciona como estímulo.
Na vida adulta, o enfrentamento precisa ser mais consciente. Identificar os gatilhos emocionais, como ansiedade e estresse, é um passo fundamental. Técnicas de respiração, atividades físicas e, em alguns casos, acompanhamento psicológico ajudam a reduzir o impulso.
“Entender por que o hábito acontece é essencial para conseguir interrompê-lo. Roer unhas não é apenas uma questão de força de vontade, mas de autocuidado e saúde”, conclui a dermatologista.
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