Segundo o relatório Global AI Diffusion Report, publicado pelo Instituto de Economia da IA da Microsoft, a lacuna de adoção foi fortemente ampliada
Lucas Moraes
Publicado em 21/09/2026 às 15:14
| Atualizado em 21/09/2026 às 15:16
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O uso da inteligência artificial generativa continua se expandindo em ritmo acelerado em todo o planeta, alcançando 17,8% da população global em idade ativa. No entanto, por trás dessa expansão geral, esconde-se uma disparidade geográfica cada vez mais acentuada. Segundo o relatório Global AI Diffusion Report, publicado pelo Instituto de Economia da IA da Microsoft, a lacuna de adoção entre o Norte e o Sul Global sofreu uma ampliação significativa, evidenciando como a infraestrutura básica e a capacitação educacional continuam a determinar quem realmente se beneficia da revolução digital.
De acordo com o estudo, fundamentado em dados agregados de telemetria ajustados por conectividade e fatores demográficos, a taxa de utilização da tecnologia nas nações desenvolvidas do Norte Global subiu para 27,5%. Em contrapartida, nos países do Sul Global, esse índice atingiu apenas 15,4%. Essa diferença fez com que a distância entre os dois blocos se ampliasse para 12,1 pontos percentuais.
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A análise aponta que essa desigualdade não decorre da falta de interesse pelas ferramentas em si, mas sim de gargalos estruturais históricos. A instabilidade no fornecimento de energia elétrica, a baixa cobertura de internet de alta velocidade e a carência de programas de capacitação em habilidades digitais continuam a impor severas barreiras para que as populações dos países em desenvolvimento possam incorporar a inteligência artificial ao seu cotidiano.
No topo do ranking mundial de utilização, os Emirados Árabes Unidos consolidaram a liderança isolada, com 70,1% de sua população em idade de trabalhar utilizando ferramentas de inteligência artificial generativa. Singapura ocupa a segunda posição, com 63,4%, seguida por um bloco de nações europeias que inclui Noruega, Irlanda, França e Espanha.
Atualmente, vinte e seis economias no mundo já ultrapassaram o patamar de 30% de adoção entre a população economicamente ativa. Uma das constatações mais marcantes do levantamento reside no desempenho dos Estados Unidos: embora o país seja o centro de desenvolvimento das principais tecnologias de fronteira, ocupa apenas a 21ª colocação global, com 31,3% de adoção per capita, figurando atrás de diversos mercados europeus e asiáticos.
Apesar da liderança do Oriente Médio e da forte presença europeia nos primeiros lugares, a Ásia desponta como a região de crescimento mais dinâmico. Das quinze economias com maior aceleração proporcional na adoção da tecnologia, doze estão no continente asiático, com destaques para a Coreia do Sul, Tailândia e Japão. Esse avanço foi impulsionado principalmente pelo aprimoramento dos modelos de linguagem no suporte a idiomas locais não anglófonos e capacidades multimodais. No caso japonês, por exemplo, a precisão das ferramentas em exames profissionais locais saltou de patamares próximos a 50% em modelos anteriores para mais de 90% nas versões mais recentes, alavancando a integração do recurso no ambiente acadêmico e corporativo.
“Continuamos medindo a difusão da IA como a parcela de pessoas no mundo, com idades entre 15 e 64 anos, que usaram um produto de IA generativa durante o período reportado. Essa medida é derivada de dados de telemetria agregados e anonimizados da Microsoft e é ajustada para refletir diferenças na participação de mercado de sistemas operacionais e dispositivos, na penetração da internet e na população”, diz Juan Lavista Ferres, cientistas chefe de dados da Microsoft, em comunicado.
Ainda segundo ele, nenhuma métrica é perfeita, e esta não é exceção. “Por meio do Microsoft AI Economy Institute, continuamos refinando a forma como medimos a difusão da IA globalmente, incluindo como a adoção varia entre países de formas que melhor avancem prioridades como a descoberta científica e os ganhos de produtividade. Para este relatório, contamos com a medida comparativa entre nações mais sólida disponível atualmente. Ao longo do último ano, houve um aumento significativo de novas ferramentas e modelos de IA. Para nosso próximo relatório, ampliaremos nossa aferição para incluir o uso dessas novas ferramentas e esperamos que essa atualização aumente a participação de usuários de IA em quase todas as economias”.
O setor de engenharia de software figura como um dos campos mais profundamente transformados por essa onda tecnológica. O relatório indica uma adoção massiva de assistentes de código e agentes autônomos no fluxo de trabalho de programação. O volume de atualizações de código enviadas a repositórios globais cresceu 78% em comparação com o ano anterior, enquanto o número de novos projetos criados subiu 45%. As requisições de código diretamente intermediadas por agentes de inteligência artificial multiplicaram-se por vinte e oito em menos de um ano. Paralelamente a essa aceleração da produtividade, os dados do mercado de trabalho mostram que o nível de emprego para desenvolvedores de software manteve trajetória de alta, sugerindo que a tecnologia tem atuado, até o momento, como uma ferramenta de ampliação de capacidade operacional e não de substituição de postos de trabalho.














