Sensação de ‘empachado’, ressacas e má digestão são sintomas comuns em épocas de fim de ano – saiba quando elas se tornam preocupantes
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A chegada do fim do ano traz também a maior frequência de confraternizações e reuniões – seja em família ou no âmbito profissional. Neste sentido, é comum ‘soltar o freio’ quando se trata de alimentação e consumo de bebidas alcóolicas.
O resultado, além de um momento de descontração com comidas e bebidas, pode ser um mal estar físico – que pode passar por ressacas, azias e aquela famosa sensação de empachamento. No entanto, a duração e alguns aspectos desses sintomas podem caracterizar algo mais sério e até demandar a ida a uma emergência.
O clínico Charley Vaz, coordenador da emergência do Hospital Jayme da Fonte e membro da Sociedade Pernambucana de Clínica Médica e da Sociedade Pernambucana de Medicina do Trabalho, alerta que o quadro passa a ser preocupante quando os sintomas persistem ou se intensificam após 24 horas. “Esse agravamento costuma ser resultado da combinação de vários fatores, como consumo excessivo de álcool, alimentação rica em gorduras, açúcares e sal, desidratação, privação de sono e interações medicamentosas”, explica.
Na prática, o médico explica que o fígado passa por uma sobrecarga metabólica, que pode desencadear a chamada inflamação hepática, além de alterações na glicemia e desequilíbrios hidroelétricos – afetando assim todo o organismo.
Clínico Charley Vaz, coordenador da Emergência do Hospital Jayme da Fonte – Artur Borba/JC Imagem
Quando a ressaca é preocupante?

Sintomas iniciais, como náusea, vômito, dor abdominal e confusão mental, são parecidos com sinais de embriaguez ou ressaca – PIXABAY
O especialista elenca alguns sintomas que demonstram a necessidade de um atendimento médico, tais como:
- Vômitos repetidos;
- Dificuldade para ingerir líquidos;
- Dor abdominal intensa;
- Tonturas;
- Desmaios;
- Confusão mental;
- Sonolência excessiva.
Além disso, pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, doenças hepáticas ou renais, devem ter ainda mais atenção. “Essas pessoas devem procurar avaliação médica mais precocemente, pois apresentam maior risco de complicações”, explica o médico Charley Vaz.
Em casos de urgência médica, o clínico afirma que os quadros mais comuns após festas e confraternizações são de desidratação grave, hipoglicemia, gastrite aguda com ou sem sangramento, pancreatite aguda, crises hipertensivas, arritmias cardíacas, hepatite alcoólica e intoxicações medicamentosas associadas ao álcool. “Em situações mais graves, pode ocorrer rebaixamento do nível de consciência com risco de aspiração pulmonar, o que representa uma emergência médica”, complementa.
Dicas para não exagerar nas confras

Substância costuma estar associada a bebidas destiladas, como vodca, gin, cachaça e uísque – Pixabay
Para não perder as confraternizações e, ao mesmo tempo, evitar riscos posteriores, Charley Vaz lista alguns cuidados simples que reduzem de forma significativa os riscos à saúde.
“Evitar chegar aos eventos em jejum é fundamental, pois o consumo de álcool sem alimentação prévia favorece intoxicação mais rápida, hipoglicemia e mal-estar intenso”, afirma. Além disso, manter uma boa hidratação, evitar misturar diferentes tipos de álcool e se atentar ao uso de medicamentos também são essenciais.
Por outro lado, após essas reuniões e o considerado exagero, o clínico reforça que a prioridade deve ser interromper o consumo de álcool e iniciar a hidratação de forma fracionada. A alimentação leve também é a chave para a recuperação do corpo, assim como repouso e o cuidado com o uso indiscriminado de medicamentos.
“A observação atenta da evolução dos sintomas e a busca precoce por avaliação médica, quando necessário, são medidas que ajudam a prevenir complicações mais graves”, finaliza Vaz.

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