Série de pesquisas mostra redução gradual da vantagem do ex-prefeito desde outubro até a primeira liderança da governadora, a três meses da campanha
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A série de pesquisas do Datafolha para o Governo de Pernambuco mostra, ao longo de oito meses, uma transformação completa do cenário eleitoral no Estado. O que começou em outubro de 2025 como uma disputa com ampla vantagem do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), chega ao fim de maio de 2026 com a governadora Raquel Lyra (PSD) numericamente à frente pela primeira vez.
O novo levantamento divulgado nesta quinta-feira (28) consolida uma tendência que já vinha sendo percebida desde fevereiro: a redução gradual da vantagem de João Campos. Mas a pesquisa de maio rompeu a lógica observada até então. Em vez de apenas diminuir a distância, Raquel ultrapassou o adversário em um intervalo de apenas um mês, registrando a maior oscilação da série.
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No levantamento divulgado nesta quinta-feira, a governadora aparece com 48% das intenções de voto, contra 43% de João Campos, em empate técnico no limite da margem de erro.
Outubro: primeira pesquisa com João liderando com folga
O resultado representa uma inversão completa em relação ao primeiro levantamento do instituto, divulgado em outubro do ano passado. Naquele momento, João liderava com 52%, enquanto Raquel tinha 30%, abrindo 22 pontos de vantagem.
Na simulação de segundo turno, a diferença era ainda maior: João aparecia com 58%, contra 35% da governadora, uma distância de 23 pontos percentuais.
À época, o cenário parecia consolidar o então prefeito do Recife como favorito natural à sucessão estadual, impulsionado pela alta aprovação na capital e pela força política acumulada após a eleição municipal de 2024.
Fevereiro: pedidos de impeachment e redução da diferença na pesquisa
O primeiro sinal mais consistente de mudança veio no levantamento divulgado em fevereiro, em meio a um ambiente de forte tensão política envolvendo tanto o Palácio do Campo das Princesas quanto a Prefeitura do Recife.
Naquele momento, Raquel enfrentava novos embates com a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), enquanto João Campos era alvo de pressão da oposição na Câmara do Recife. À época, os dois foram alvos de pedidos de impeachment no Legislativo: a governadora pelo caso da empresa Logo Caruaruense, e o então prefeito pelo caso da alteração do concurso para a Procuradoria Municipal. Os dois pedidos foram arquivados.
A pesquisa divulgada no dia 7 de fevereiro mostrou João com 47% das intenções de voto, cinco pontos a menos em relação a outubro. Já Raquel subiu para 35%, reduzindo a distância entre os dois de 22 para 12 pontos percentuais.
No segundo turno, o movimento também ficou evidente. João caiu de 58% para 53%, enquanto Raquel subiu de 35% para 40%.
Abril: primeira pesquisa após João deixar Prefeitura e iniciar pré-campanha
Dois meses depois, em abril, o Datafolha mostrou estabilidade na diferença entre os dois, mas já consolidando um cenário mais competitivo do que o visto no fim de 2025.
João Campos apareceu com 50% das intenções de voto, enquanto Raquel chegou a 38%. Ambos cresceram três pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, mantendo a diferença em 12 pontos.
A pesquisa de abril teve um componente político importante: foi a primeira realizada após João deixar a Prefeitura do Recife, no fim de março, para assumir oficialmente a condição de pré-candidato ao Governo do Estado.
Naquele momento, o PSB já intensificava a articulação política no interior, acelerava a montagem da chapa majoritária e ampliava os movimentos de aproximação nacional com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), numa estratégia de nacionalização parcial da disputa estadual.
No segundo turno, João apareceu com 52%, enquanto Raquel atingiu 42%, reduzindo novamente a diferença.
A mudança mais significativa da série, porém, veio em maio.
Maio: Raquel Lyra ultrapassa João Campos pela primeira vez
Pela primeira vez desde o início dos levantamentos do Datafolha para a eleição em Pernambuco, Raquel Lyra ultrapassou João Campos numericamente tanto na estimulada quanto na simulação de segundo turno.
A governadora cresceu dez pontos em relação ao levantamento de abril, chegando a 48%, enquanto João caiu sete pontos e foi para 43%. Em apenas um mês, Raquel cresceu dez pontos, enquanto João caiu sete, produzindo a maior movimentação da série.
Na projeção de segundo turno, Raquel atingiu 51%, contra 44% do ex-prefeito do Recife. Em outubro, João tinha 23 pontos de vantagem nesse cenário. Agora, é a governadora quem aparece sete pontos à frente.
Disputa aberta
Os números consolidam uma mudança importante no ambiente político da disputa estadual. Em oito meses, a vantagem de João Campos foi completamente revertida, transformando uma eleição que parecia caminhar para um favoritismo consolidado em uma disputa aberta e sem liderança estável.
A curva dos levantamentos também revela trajetórias distintas dos dois principais candidatos. Enquanto Raquel Lyra apresentou crescimento contínuo ao longo da série — saindo de 30% para 48% —, João Campos oscilou negativamente durante o mesmo período, encerrando maio abaixo do patamar registrado no primeiro levantamento.
A virada ocorre em um momento em que os dois campos políticos adotam estratégias diferentes para a disputa.
João Campos já atua abertamente em ritmo de campanha, desde a saída da Prefeitura, intensificando agendas no interior do Estado, com uma chapa montada: o vice Carlos Costa (Republicanos), além de Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) como candidatos ao Senado. O tom, desde o início, é de vincular sua imagem ao presidente Lula, especialmente após a consolidação do apoio do PT estadual, reivindicando o “time de Lula” em Pernambuco.
Raquel Lyra, por outro lado, mantém uma estratégia semelhante à adotada em 2022, sem aproximação de candidatos à presidência da República, gerando até um mal estar dentro do PSD, que tem Ronaldo Caiado como candidato a Presidente.
A governadora evita antecipar o discurso eleitoral, ainda não fechou sua chapa majoritária e concentra sua atuação na defesa administrativa da gestão, apostando na agenda de entregas e inaugurações, unindo isso à uma articulação política regionalizada, com apoio de prefeitos e lideranças.
Nos bastidores políticos, a nova pesquisa também altera a percepção de viabilidade das candidaturas e tende a impactar diretamente o comportamento de aliados, prefeitos e partidos que ainda observavam a disputa sem definição clara de posicionamento.
A três meses do início oficial da campanha eleitoral, o cenário que começou com ampla vantagem socialista chega ao fim de maio sob uma dinâmica completamente diferente da observada no fim de 2025 — e com uma disputa que passa a entrar em nova fase.
Confira os números das pesquisas Datafolha:
Outubro/2025 – Estimulada
- João Campos (PSB): 52%
- Raquel Lyra (PSD): 30%
- Eduardo Moura (Novo): 4%
- Gilson Machado (PL): 3%
- Ivan Moraes (PSOL): 1%
- Nenhum/Branco/Nulo: 8%
- Não sabe/Não opinou: 2%
Outubro/2025 – Segundo turno
- João Campos (PSB): 58%
- Raquel Lyra (PSD): 35%
- Nenhum/Branco/Nulo: 6%
- Não sabe/Não opinou: 1%
Fevereiro/2026 – Estimulada
- João Campos (PSB): 47% (-5)
- Raquel Lyra (PSD): 35% (+5)
- Eduardo Moura (Novo): 5% (+1)
- Ivan Moraes (PSOL): 1% (-)
- Brancos ou Nulos: 10%
- NS/NR: 2%
Fevereiro/2026 – Segundo turno
- João Campos (PSB): 53% (-5)
- Raquel Lyra (PSD): 40% (-5)
Abril/2026 – Estimulada
- João Campos (PSB): 50% (+3)
- Raquel Lyra (PSD): 38% (+3)
- Eduardo Moura (Novo): 3% (-2)
- Ivan Moraes (PSOL): 2% (+1)
- Brancos/nulos: 6% (-4)
- Não sabe/não respondeu: 1% (-1)
Abril /2026 – Segundo turno
- João Campos (PSB): 52% (-1)
- Raquel Lyra (PSD): 42% (+2)
Maio/2026 – Estimulada
- Raquel Lyra (PSD): 48% (+10)
- João Campos (PSB): 43% (-7)
- Ivan Moraes (PSOL): 2% (-)
- Brancos/nulos/nenhum: 4% (-2)
- Não sabe: 2% (+1)
Maio/2026 – Segundo turno
- Raquel Lyra (PSD): 51% (+9)
- João Campos (PSB): 44% (-8)
- Brancos/nulos/nenhum: 4%
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