Com candidaturas próprias, partidos, que são federados, se reuniram no Recife para discutir formação da chapa para eleição de outubro
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A Federação PSOL/Rede realizou, na última quinta-feira (26), no Recife, uma reunião para discutir a formação de chapa para as eleições majoritárias de 2026 em Pernambuco.
O encontro acontece em meio a um impasse interno: os dois partidos, federados, têm pré-candidatos distintos para o governo do estado e para o Senado, e ainda não há definição sobre como a federação vai se apresentar ao eleitorado.
Para o cargo de governador, o PSOL mantém a pré-candidatura de Ivan Moraes. A Rede, por sua vez, tem o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, que anunciou sua intenção de disputar o cargo na quarta-feira (18). Para o Senado Federal, a dualidade se repete: o PSOL defende a vereadora Jô Cavalcanti, enquanto a Rede lançou o nome do ex-deputado Paulo Rubem Santiago.
A reunião da última quinta foi uma tentativa de aproximação. Estiveram presentes a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, o porta-voz nacional da Rede Sustentabilidade, Paulo Lamac, e o deputado federal Túlio Gadêlha (Rede). A presença das direções nacionais dos dois partidos no Recife indica que o impasse ganhou relevância além das fronteiras estaduais.
Os pré-candidatos, com exceção de Jô Cavalcanti, também participaram do encontro, ao lado do presidente estadual do PSOL, Samuel Herculano, e do presidente da Federação PSOL/Rede em Pernambuco, Jerônimo Galvão.
O encontro reafirmou o apoio da federação à reeleição do presidente Lula, mas o ponto central foi justamente a construção de uma estratégia comum para 2026, algo que ainda ficou em aberto.
Ivan Moraes defendeu uma construção pacífica como caminho. “O bom diálogo está colocado. Vamos seguir conversando para apresentar a Pernambuco uma chapa competitiva e um programa de vanguarda para nosso estado”, afirmou.
Alfredo Gomes adotou tom semelhante. “Temos o entendimento de que esse diálogo deve continuar e estamos construindo um projeto consistente de desenvolvimento e mudança para Pernambuco”, disse o reitor.
Paulo Rubem Santiago destacou o peso simbólico do encontro. “A presença das direções nacionais do PSOL e da Rede em Pernambuco fortalece a federação e consolida essa construção conjunta da estratégia para 2026”, declarou.
A definição da chapa, contudo, ainda depende de novas rodadas de negociação entre os partidos.
Federação tenta reconstruir unidade
A postura atual dos dois partidos parece ser diferente de um passado não tão distante. Ao contrário do ciclo eleitoral anterior, PSOL e Rede optaram pelo diálogo como caminho para construir uma chapa comum em Pernambuco e evitar uma repetição do desgaste público que marcou 2024.
Naquele ano, Túlio Gadêlha (Rede) e a deputada estadual Dani Portela (PSOL) apresentaram candidaturas próprias à Prefeitura do Recife, ampliando o clima de disputa interna.
Os dois trocaram críticas públicas durante a pré-campanha, gerando constrangimento dentro da federação. Túlio acusava o PSOL de radicalismo e apontava proximidade entre Dani Portela e o prefeito João Campos, que tentava a reeleição. Do outro lado, Dani afirmava que Túlio favorecia o projeto político alinhado à governadora Raquel Lyra.
A convenção partidária da federação acabou escolhendo Dani Portela como candidata. A deputada terminou a eleição em terceiro lugar, com pouco mais de 35 mil votos, o equivalente a 3,78% do total válido.
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