Que a gente consiga criar nossos próprios indicadores. Não é fácil, mas possível. Cada um, dentro da sua realidade, do seu negócio, da sua profissão.
Publicado em 01/01/2025 às 5:00
| Atualizado em 01/01/2025 às 9:29
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Crítica
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Na dinâmica da vida, o início e o término de ciclos são uma espécie de recorte onde olhamos para o que realizamos e projetamos novos desafios – sejam para nossa vida pessoal, para a saúde, para o trabalho ou para os negócios. Como cidadão apaixonado pelo Recife e por Pernambuco, posso dizer que entro 2025 esperançoso de novos tempos e de mudanças positivas. É igualmente verdade dizer que passamos um longo período vendo outros Estados e capitais avançarem em infraestrutura, na construção de destinos turísticos eficientes, na atração de investimentos de impacto, gerando ambientes mais promissores para a economia local e, o mais importante, para as pessoas.
Eu que atuo também no Ceará, com dois shoppings, posso dizer o quanto Fortaleza mudou para melhor nos últimos anos. Salvador, onde estamos presentes com outros dois shoppings, teve considerável avanço, com marcos na mobilidade, na recuperação do turismo em áreas centrais, com novos equipamentos de valorização da história e da cultura do povo baiano.
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Mas entro 2025 olhando para o Recife, cidade com graves problemas de mobilidade e de moradia para os menos favorecidos, com a expectativa de que teremos a atenção merecida nessas áreas. Penso que o Estado também buscará recuperar o crescimento econômico, sendo coerente nos investimentos públicos necessários e sabendo valorizar a iniciativa privada quando esta quer investir beneficiando a região. E, nesse caso, o fato de duas correntes políticas distintas estarem à frente das gestões (capital e Estado) é salutar para todos, gerando uma disputa saudável para a sociedade em termos de eficiência e realizações.
Nacionalmente, são muitos os desafios. Um deles é complexidade de controle da inflação a partir da alta de juros. Para alguns, isso significa “apenas” o crédito mais caro, mas outra consequência nociva é alguns optarem por manter o dinheiro aplicado, travando seus investimentos e paralisando, igualmente, a geração de emprego, o desenvolvimento de regiões e a renda. Já há quem projete Selic 14% este ano. A insegurança jurídica do Brasil, a extrema burocracia, e as cargas tributárias já são entraves suficientes. Não precisamos desse novo componente.
Olhando pelo retrovisor e vendo 2024, tivemos uma disputa de forças entre os Poderes poucas vezes vista no Brasil; assistimos práticas públicas danosas ao caixa do Estado; e lemos sobre bastidores de uma articulação nunca imaginada dentro de um ambiente democrático. Soma-se a isso a incompetência do Poder Público que insiste em manter uma máquina pesada, com gastos desnecessários e regalias contraditórias para uma Nação com o índice de pobreza que tem o Brasil.
Mas, em meio a projeções econômicas nem sempre tão animadoras, prefiro acreditar que nunca devemos nos paralisar. Se acreditamos na força do nosso trabalho e na nossa capacidade de nos adaptar aos cenários, tendo a atenção e a rapidez necessárias, além da resiliência de compreender e reconfigurar a rota traçada, devemos seguir em frente. Que a gente consiga criar nossos próprios indicadores. Não é fácil, mas é possível. Cada um, dentro da sua realidade, dentro do seu negócio, dentro da sua profissão. A todos, os meus votos de saúde, força e crença em si mesmos para seguirem em frente.
João Carlos Paes Mendonça, presidente do Grupo JCPM e do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação












