Iniciativa aposta em tecnologia, crédito e parcerias para restaurar áreas degradadas e fortalecer a produção sustentável no campo brasileiro
Anaís Coelho
Publicado em 26/03/2026 às 16:24
| Atualizado em 26/03/2026 às 18:13
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– Divulgação
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Com o objetivo de impulsionar a produtividade do setor agropecuário, o programa Caminho Verde pretende restaurar áreas degradadas e promover práticas sustentáveis. A iniciativa vai recuperar até 40 milhões de hectares de pastagens de baixa produtividade ao longo dos próximos dez anos, convertendo essas áreas em terras agricultáveis de alto rendimento, sem a necessidade de desmatamento.
Atualmente, o Brasil possui cerca de 165 milhões de hectares destinados à pastagens, sendo que aproximadamente 82 milhões estão em algum grau de degradação. Segundo o coordenador do programa, Carlos Augustin, a proposta visa uma transformação socioambiental que eleve a produtividade e o faturamento por hectare em até dez vezes.
“A gente vai ver regiões onde temos pastagens degradadas que tem uma receita muito baixa por hectare para outros tipos de cultivo, como soja, milho, fruticultura, cana, ou até pastagem de alta produtividade, elevando em 5 a 10 vezes o faturamento da área inicial”, ressalta.
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Coordenador do programa, Carlos Augustin – Divulgação
Foco na Caatinga
No Nordeste, o programa busca capacitar agricultores para produzir milho mesmo com baixa disponibilidade hídrica, utilizando técnicas semelhantes às da “safrinha” do Centro-Oeste.
“Nós temos um programa de assistência técnica já na região capaz de ensinar os agricultores nordestinos da Caatinga a produzir milho com baixo nível de chuva, assim como a gente faz no Centro-Oeste, que com 400, 500 mm é possível produzir milho, uma produtividade razoável para a para atender essas indústrias”, explica o coordenador do programa.
De acordo com diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Proteína Animal (Abpa), Marcelo Osorio, o desafio central na região é conciliar a preservação ambiental com uma produção mais robusta de milho.
“Nós temos que investir mais em ferrovia, na logística refrigerada, então tem outros desafios. Mas neste projeto específico a gente está tratando dos insumos e da importância de ter uma produção mais forte e robusta de milho aqui na região”, afirma.

Diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Proteína Animal (Abpa), Marcelo Osorio – Divulgação
Parcerias estratégicas
A viabilização do projeto depende de um “bem bolado” entre a Embrapa (tecnologia), o Banco do Brasil (crédito) e as indústrias avícolas, que funcionam como um aval para facilitar o acesso de pequenos agricultores ao financiamento.
“Então essa é a mágica que nós estamos querendo fazer no programa, envolver agricultores, Banco do Brasil e as avícolas para que elas ajudem também, como se fosse um fundo de aval a esses pequenos agricultores”, explica Carlos Augustin.
No Nordeste, o programa promove a inclusão social e o desenvolvimento, contando com o engajamento de grandes agroindústrias locais, como Mauriceia, Natto Alimentos e Guaraves.
“Quando nós fomos consultados, imediatamente a associação reuniu a nossa entidade local, que é a VIP. Ela manifestou muito interesse e as nossas agroindústrias associadas, como a Mauriceia, a Natto Alimentos e a Guaraves, estão 100% engajadas, porque é um projeto que visa sinceramente a sustentabilidade do setor”, conta Marcelo Osorio.
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