Tragédia que se repete no estado lança luz em deficiências estruturais que fazem com que a estação chuvosa se transforme num período de medo
JC
Publicado em 03/05/2026 às 0:00
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Depois da tempestade, vem a desesperança. No Recife e nas cidades que compõem a Região Metropolitana, e também noutros municípios pernambucanos, as chuvas intensas de quase todos os anos revela a insuficiência de investimentos de prevenção a desastres e proteção da vida dos cidadãos vulneráveis às tempestades – ou mesmo a chuvas um pouco mais fortes em hora de maré alta. Se o ambiente natural é propício a alagamentos, cabe aos gestores do espaço urbano buscarem soluções para que o convívio da população com o clima não seja tão penoso, e sujeito a calamidades e mortes que poderiam ser evitadas.
Como lamentou em sua coluna o jornalista Fernando Castilho, do JC, “mais uma vez contamos mortos e famílias partidas”. Essa contabilidade é cruel para os pernambucanos, e se torna ainda pior por ser algo que se repete, apesar das justificativas e promessas dos governantes de que, no próximo ano, tudo será diferente. Nada muda, a violência das águas continua, e nenhuma medida anunciada obtém a eficácia desejada. O passivo de dor, prejuízos e desarrumação nas vidas das vítimas, por outro lado, só aumenta, assim como a tristeza brotando lágrimas em olhares já encharcados.
O gasto com mantas e lonas plásticas nos morros do Recife, por exemplo, pode ter custado caro aos cofres públicos. Mas não resolveram a questão. Mais gente morreu por deslizamentos de terra. Em outras cidades, como recorda Castilho, a ocupação desordenada de morros e encostas deixa comunidades inteiras em alto risco, sem que os governos deem conta das demandas acumuladas, em larga medida causadas pela falta de planejamento e disciplinamento na ocupação do território. Agora, os moradores cobram a infraestrutura inexistente ou insuficiente, o poder público não dispõe dos recursos ou não prioriza as ações necessárias para dirimir os riscos, nem tem coragem para enfrentar o ônus político da desocupação das áreas conhecidas de maior risco.
Além disso, aponta o colunista um outro fator de agravamento do problema estrutural: a desarticulação entre os governos na Região Metropolitana. As chuvas provam que os morros e encostas, os alagamentos e transtornos pelas águas, poderiam ser melhor tratados a partir de abordagens, planos e iniciativas em conjunto, com a participação, inclusive, dos governos estadual e federal. Está faltando em Pernambuco, há vários anos, o olhar metropolitano que produza soluções metropolitanas. E mais uma vez, os prefeitos vão sair dessa tragédia com providências e promessas isoladas, sabendo das dificuldades que terão para implementá-las.
“A falta de ações de integração metropolitana aflora quando vem a ocorrência de fenômenos como a concentração de chuvas”, resume Fernando Castilho. “Mesmo que os prefeitos insistam em lembrar os investimentos e ações que foram ou estão sendo feitos, o fato apenas constata sua insuficiência”. Enquanto a base estrutural de uma região metropolitana por onde circulam milhões de pernambucanos for ignorada, a população seguirá à mercê de catástrofes do clima, temendo a previsão do tempo.




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