A previsão é construída com base em pesquisas qualitativas e quantitativas, olhar atento para a conjuntura e a busca de relações de causa e efeito
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Como de costume, trago as minhas previsões para o ano vindouro. A arte de prever não é adivinhação. A previsão é construída com base em pesquisas qualitativas e quantitativas, olhar atento para a conjuntura e a busca de relações de causa e efeito. Portanto, o que você lerá a seguir não representa chute. Cisnes negros, os quais são acasos, podem surgir e prejudicar as previsões.
1. O presidente Lula é favorito para vencer a eleição presidencial em razão de:
- Terá no período eleitoral de razoável para boa avaliação;
- Trouxe de volta os programas sociais, o controle da inflação e dialogou com Donald Trump. Lula se apresentará como líder nacional e internacional;
- Divisão da oposição, tendo um candidato da família Bolsonaro, certamente Flávio Bolsonaro, o qual deverá estar no segundo turno;
- Líderes, aparentemente sábios, como Ciro Nogueira e Antonio Rueda, fizeram leitura equivocada da eleição presidencial vindoura e insistiram em bolsonarizar Tarcísio de Freitas. O governador de São Paulo será candidato à reeleição, mas não como franco favorito, já que insistiu, também, em estar aliado às ideias bolsonaristas, como, por exemplo, a defesa das ações de Donald Trump contra as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos;
- O bolsonarismo chegará em 2026 com rejeição consolidada e maior do que a do lulismo.
2. O sentimento detectado nas pesquisas qualitativas da Cenário Inteligência estará presente na eleição de 2026: “Entre Lula e um Bolsonaro, eu prefiro Lula”. Este tende a conduzir o líder do PT a novo sucesso eleitoral. Não desprezar algum escândalo de corrupção que venha a atingir o governo Lula. Se isto acontecer, o favoritismo do atual mandatário da República será enfraquecido.
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3. Considerando as pesquisas qualitativas, o ambiente eleitoral de 2026 é fértil para um candidato “nenhum dos dois”, ou seja, que adote a estratégia “Nem Lula e nem Bolsonaro. O Brasil tem futuro”. Porém, como os políticos e muitos marketeiros só enxergam números, os quais dizem pouco, este tipo de candidato não será colocado na disputa eleitoral. Com isto, o presidente Lula será favorecido.
4. Algum ex-governador, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, será candidato à presidência da República. Contudo, Flávio Bolsonaro será mais competitivo do que os outros opositores ao governo Lula. O filho de Bolsonaro poderá diminuir um pouco a rejeição do bolsonarismo em virtude do seu estilo de ser: Leve, disposto ao diálogo e jovem. Mas será cobrado pela base bolsonaristas por posições genuinamente bolsonaristas.
5. PT e PL, em razão do lulismo e do bolsonarismo, respectivamente, farão grande número de deputados federais. O resultado de 2022 deverá ser repetido para ambas as agremiações. O PL será fortemente beneficiado com a candidatura de Flávio Bolsonaro. É estratégia ótima de Jair Bolsonaro e de Waldemar Costa Neto ter Flávio na disputa presidencial. Nas regiões Sul e Sudeste, o bolsonarismo deve eleger bom número de senadores. E no Norte e Nordeste, será a vez do lulismo de eleger competidores para a Câmara Alta.
6. O prefeito do Recife João Campos e a governadora Raquel Lyra farão uma eleição bastante disputada para o governo de Pernambuco. Contudo, com base em pesquisas qualitativas, afirmo, que no decorrer do próximo ano, a atual governadora adquirirá favoritismo. E caso não existe um terceiro candidato, em particular bolsonarista, a eleição poderá findar no primeiro turno. A estratégia de João Campos será “Eu sou a esperança de um Pernambuco melhor”. Já a de Raquel Lyra, “Muito trabalho em tão pouco tempo”. O presidente Lula deverá ficar neutro na disputa pernambucana, concentrando o seu apoio aos candidatos ao Senado que ele considera como fiéis, ou seja, que tenha histórico de apoio ao lulismo.
7. Será erro estratégico da governadora Raquel Lyra apoiar um candidato à presidente da República contra o presidente Lula. Se isto acontecer, as chances de João Campos de vencer a eleição com o apoio exclusivo do lulismo se fortalece. Não desprezar a possibilidade de João Campos não ser candidato a governador em razão do crescimento da governadora Raquel Lyra nas pesquisas de intenção de voto e da ausência de apoio exclusivo do presidente Lula a sua candidatura.
Feliz 2026!
*Adriano Oliveira – Cientista político. Professor da UFPE. Fundador da Cenário Inteligência: Pesquisa Qualitativa e Estratégia
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