Aceleração de decisões sem consenso interno de aliados fragiliza PSB e fortalece interlocução de Raquel com o PT numa aliança que pode surpreender
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Chegamos aos últimos dias da janela importante do calendário político que se impõe agora como variável decisiva no tabuleiro eleitoral de Pernambuco e passa a determinar, de forma direta, a viabilidade das candidaturas e das alianças. Até das que foram anunciadas.
Entramos na última semana completa antes do prazo de desincompatibilização, porque na próxima haverá um feriadão. Até o fim desta semana é que se concentra a definição real dos palanques para outubro. A proximidade da Semana Santa esvazia Brasília, interrompe as instâncias de negociação e comprime decisões que, no papel, poderiam se estender até abril. Nesse ambiente de pressão, a base da governadora Raquel Lyra (PSD) busca definições e sobe o custo político de qualquer indefinição para o prefeito do Recife, João Campos (PSB), obrigado a renunciar seis meses antes da eleição para poder ser candidato.
É interesse de Campos apressar as definições. Para viabilizar isso, ele atropela até aliados e causa desconforto.
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Fator calendário
Filiações, trocas partidárias e decisões de renúncia precisam ocorrer agora para produzir efeito concreto.O prazo formal permanece em 4 de abril. Mas a formação dos palanques não precisa ocorrer agora. Há alguns meses, a coluna Cena Política alertou para o que está acontecendo agora. Por ser prefeito, João Campos teria que se desincompatibilizar, ou seja, renunciar ao próprio cargo, no mínimo quatro meses antes do prazo final das convenções.
Para ter alguma garantia e segurança de que não será abandonado quando já estiver fora do posto no Recife, o socialista tende a apressar todo mundo e anunciar chapa completa o mais cedo possível. Faz anúncio, obriga os aliados a darem entrevistas se comprometendo com ele em público e fica um pouco mais tranquilo.
O problema para o presidente do PSB é que, depois da renúncia, os adversários e até os próprios aliados poderão seguir articulando suas posições no jogo. A chapa anunciada em público, que deve ter Marília Arraes (PDT), Humberto Costa (PT) e Carlos Costa (Republicanos) pode ser totalmente modificada pelos próximos quatro meses. Só Campos, depois que renunciar, não poderá mais voltar atrás. E por isso ele parece tão apressado para comprometer todo mundo com o próprio projeto. Garantia mesmo, ele não tem.
Vantagem governista
No caso de Raquel Lyra, apesar de não ter fechado a chapa como quase aconteceu na semana passada, o fato é que ela tem vantagem de quatro meses para tomar uma decisão. A federação entre União Brasil e Progressistas tende a consolidar apoio ao seu projeto, com lideranças como Miguel Coelho (União) e Mendonça Filho (União) já posicionadas nesse campo.
Nesse mesmo ambiente da federação, o isolamento de Eduardo da Fonte (PP) evidencia o custo de movimentos mal calibrados, mas abre espaço para novas acomodações dentro da própria base. Até com o próprio presidente do PP caso haja uma reaproximação.
As migrações partidárias e a disputa pelo controle do MDB reforçam um vetor contínuo de expansão do Palácio do Campo das Princesas, neste momento, na corrida até outubro.
Método que irrita
A relação entre João Campos e o PT apresenta desgaste estrutural. O método de articulação adotado pelo prefeito, baseado em negociações diretas com as direções nacionais, gerou resistência nas instâncias estaduais e alimentou a percepção de desconsideração com a militância nos últimos dias.
O socialista e sua equipe são conhecidos por ignorarem diálogo com as bases, em vários setores, e insistirem em tratar de seus interesses direto com os chefes para que estes “obriguem” os subordinados a obedecerem. A atitude gera reações hostis, ainda mais num partido orgânico como ainda é o PT. O que mais irritou a militância nos últimos dias foi ele ter ido pressionar o presidente nacional, Edinho Silva (PT) e fazer um anúncio sem combinar nem com a agenda de Humberto Costa.
Já pensou?
Esse ambiente abriu espaço para a atuação do ministro da Casa Civil de Lula, Rui Costa (PT-BA), que trabalha pela aproximação entre o PT nacional e o governo Raquel. A antecipação de anúncios sem o fechamento interno do partido aprofundou a crise e fragilizou a posição de João Campos. Rui aproveitou e trabalha, em última instância, até para colocar o senador pernambucano na chapa governista.
O jornal A Tarde, da Bahia, chegou a publicar uma nota em que brinca sobre a mistura do “Dendê com o Maracatu” e conta que o ex-governador baiano trabalha com a governadora de Pernambuco para que ela tenha o apoio do PT.

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