Preservação da cultura popular

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Preservação da cultura popular



Data de 22 de agosto foi adotada para valorizar as histórias tradicionais da diversidade brasileira e sua difusão entre as gerações mais novas

Por

JC


Publicado em 22/08/2026 às 0:00

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A raiz da palavra é associada à Inglaterra do século 19, quando um pesquisador criou a designação para o saber do povo. E o Dia do Folclore em 22 de agosto foi oficializado no Brasil em 1965, com o objetivo de celebrar as tradições da cultura popular. Atualmente, características folclóricas como a oralidade, a ligação com a natureza e o respeito ao conhecimento dos mais velhos, estão associadas também aos valores da ancestralidade e ao trabalho de personalidades como Ailton Krenak e Daniel Munduruku. Podemos dizer que o folclore expressa o saber ancestral acumulado e transmitido de geração a geração, cujas histórias apresentam laços com a comunidade, tendo forte presença no imaginário coletivo.
A data se presta, ainda, à diferenciação do que se costuma significar equivocadamente por folclórico em termos pejorativos, minimizando a relevância cultural que vai além de delimitações localizadas no tempo e no espaço. Para Ailton Krenak, nominar cosmologias de povos originários e saberes ancestrais como folclore é uma forma de deslegitimar o conhecimento popular. Krenak critica a transformação de entidades de proteção da terra, como o curupira e o saci, em personagens de entretenimento, o que afastaria as pessoas do sentido verdadeiro das relações com a natureza. Segundo o autor de “Ideias para adiar o fim do mundo”, as narrativas da tradição estruturam a identidade coletiva, e os relatos de histórias vivas realçam a coexistência entre os seres humanos e as demais formas de vida no planeta.
No Brasil, o Dia do Folclore pode ser uma celebração da diversidade cultural e do saber ancestral, sem cair no simplismo da banalização das lendas, mitos e símbolos da expressão popular. As matrizes que formam a cultura brasileira se encontram em expressões que se assemelham e se distinguem nas regiões do país. O Bumba Meu Boi no Nordeste e o Festival de Parintins, no Norte, são exemplos de manifestações que se aproximam, mas cujas variações trazem a força dos costumes regionais. O folclore está na música, nas vestimentas, na gastronomia, na religiosidade, mas sobretudo nas histórias que todos esses elementos traduzem, enquanto sinais da história cultural.
Vale destacar a literatura de cordel, nesse sentido, como meio de preservação e tradição da riqueza folclórica nordestina. Os poetas populares espalham mitos e lendas da narrativa oral através dos versos do cordel, ampliam o alcance de heróis populares com base em histórias reais e contornos fictícios, contribuem para a consolidação da religiosidade pela exaltação de figuras idolatradas, e incorporam à linguagem literária uma estética visual ligada à arte popular, como a xilogravura. Não por acaso, a literatura de cordel é considerada comumente em integração com outras expressões populares, como o repente. O cordel é um espelho de papel da cultura nordestina.
Neste Dia do Folclore, a identidade brasileira se reparte de norte a sul em festejos e compartilhamento de saberes que não se apartam, mas se fundem num gigantesco mosaico de tradições, histórias e relações que precisam ser preservadas como um tesouro simbólico do qual a nação inteira não pode abrir mão.



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