Policiais penais suspeitos de corrupção no Presídio de Vitória de Santo Antão respondem a processo administrativo

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Policiais penais suspeitos de corrupção no Presídio de Vitória de Santo Antão respondem a processo administrativo


Corregedoria da Secretaria de Defesa Social instaurou investigação mais de um mês após operação policial contra três agentes, que podem ser demitidos

Por

Raphael Guerra


Publicado em 05/10/2026 às 12:50
| Atualizado em 05/10/2026 às 12:52


Clique aqui e escute a matéria

Três policiais penais suspeitos de participação no esquema de corrupção no Presídio de Vitória de Santo Antão, localizado na Mata Sul de Pernambuco, estão respondendo a processo administrativo disciplinar. A Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) instaurou a investigação na semana passada. 

Estão na mira o ex-diretor do presídio Emanuel Roberto Franca de Lima, Mário Alves Batista e Paulo Henrique da Silva. Eles podem ser punidos com demissão ao final da investigação administrativa. 

Os três policiais penais foram alvos da operação Controle Paralelo, deflagrada pela Polícia Civil em 25 de agosto deste ano, que cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento no esquema criminoso. 

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Segundo as investigações conduzidas pelo Grupo de Operações Especiais (GOE), iniciadas em outubro de 2022, um chaveiro negociava o aluguel de camas nas celas, comercializava produtos em cantina e prometia proteção aos presos, tudo mediante em dinheiro ou Pix.

Quem atrasava o pagamento, sofria agressões físicas e ameaças. Familiares dos detentos também recebiam telefonemas e eram obrigados a pagar pelos “serviços” irregulares e com a conivência do Estado.

Segundo a polícia, o chaveiro é o ex-presidiário Alexandre Saturnino de Paula. Ele está solto desde 2024. No dia da operação, ele não foi encontrado, mas três armas de fogo foram apreendidas na casa onde vivia. 

O inquérito descreveu que Alexandre teria relação direta com Emanuel. Em meio a denúncias de irregularidades, o ex-diretor do presídio deixou de exercer cargo de confiança em 2023, mas permanecia trabalhando no Presídio Rorinildo da Rocha Leão, localizado em Palmares, também na Mata Sul, com salário superior a R$ 10 mil. 

A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 1.014.856,23 das contas do ex-diretor, a pedido da polícia, que indicou que o valor era incompatível com o cargo público ocupado por ele. 

A investigação apontou ainda que parentes do ex-diretor e de Alexandre teriam recebido depósitos em dinheiro obtido no esquema. A esposa de Emanuel também está sendo investigada. Ela é descrita como uma pessoa que realizou movimentações financeiras relacionadas ao núcleo investigado e teria mantido transações diretas com o líder da organização. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 93 mil das contas dela.

A polícia descobriu que parte do dinheiro arrecadado na unidade prisional era destinada a uma empresa de venda de camarões localizada na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca. O estabelecimento pertence a Alexandre e estaria sendo usado para lavagem de capitais. 

Procurada pela coluna, a Polícia Civil não informou se o inquérito foi concluído. 

O Sindicato dos Policiais Penais de Pernambuco declarou que os policiais presos são filiados e contam com assistência jurídica. A entidade disse ainda que não se manifesta sobre o mérito ou alcance da investigação.






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