Peta interrompe desfiles em Nova York e Londres em protestos contra uso de lã

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Peta interrompe desfiles em Nova York e Londres em protestos contra uso de lã


Dois desfiles de moda foram interrompidos nesta semana por ativistas da Peta, People for the Ethical Treatment of Animals, ou pessoas pelo tratamento ético dos animais, em protestos contra o uso de lã pela indústria. Os episódios aconteceram nas semanas de moda de Nova York e de Londres, em apresentações de marcas do grupo H&M.

Em Nova York, cerca de cinco ativistas da Peta entraram no desfile da COS, marca de contemporânea e de estética minamlista pertencente à H&M, realizado no último domingo (13). Um dos manifestantes entrou na passarela com um cartaz e gritou palavras de ordem relacionadas ao tratamento de ovelhas. Outros integrantes do grupo também se levantaram durante o desfile.

O episódio ganhou uma dimensão maior quando Steven Kolb, presidente-executivo do Council of Fashion Designers of America, o CFDA, órgão responsável pela Semana de Moda de Nova York, decidiu intervir. Vídeos registrados durante o desfile mostram o executivo empurrando o manifestante Mason Melito contra uma parede e colocando a mão sobre sua boca. Em seguida, ele aparece segurando a ativista Andrijia Barak no chão, com o corpo e uma das pernas, além de cobrir sua boca com a mão.

Kolb disse que havia reagido de maneira inadequada e que a situação deveria ter sido deixada para a equipe de segurança, e ainda anunciou uma licença voluntária. Na terça-feira, o CFDA confirmou seu afastamento enquanto o episódio é analisado. A organização também afirmou que os protestos deveriam ser tratados pelos profissionais de segurança presentes nos eventos.

Kolb é uma figura de longa trajetória na moda americana. Ele trabalha no CFDA há duas décadas e ocupa o posto de presidente-executivo desde 2011. O próprio CFDA havia anunciado no ano passado que não promoveria mais o uso de peles de animais nobres em eventos oficiais da Semana de Moda de Nova York, uma iniciativa que teve Kolb como um dos principais articuladores.

Protestos desse tipo fazem parte do repertório da Peta desde os anos 1990, quando a organização passou a invadir passarelas para contestar o uso de peles e couro pela indústria da moda.

Na quinta-feira, a estratégia voltou a ser usada em Londres. Três manifestantes interromperam, em momentos diferentes, o desfile da H&M na Semana de Moda de Londres. Todos carregavam o mesmo cartaz: “H&M: Wool is bloody cruel. Drop it!”, ou H&M, lã é cruel demais, deixem de usá-la.

Cada um caminhou pela passarela antes de deixar o espaço e ser acompanhado por seguranças. A coleção acabou parcialmente ofuscada pela sucessão de interrupções, que provocou suspiros, vaias e reações da plateia.

A estratégia, de qualquer forma, funcionou para deslocar a atenção da coleção para a mensagem dos ativistas. A Peta afirma que a lã está ligada à exploração e a casos de maus-tratos de ovelhas. Em seu site, a organização relata, entre outros episódios, uma investigação na África do Sul em que afirma ter encontrado animais com ferimentos durante o processo de tosquia.

A prática, porém, não é em si considerada incompatível com o bem-estar dos animais. A remoção anual da lã é recomendada em muitas criações de ovinos para evitar problemas como superaquecimento e dificuldades de higiene. O manejo inadequado pode, por outro lado, provocar estresse e ferimentos.

“Respeitamos o direito de todas as pessoas de expressarem suas opiniões e acreditamos que todos devem ser tratados com cuidado e respeito. O bem-estar animal é muito importante para nós, e concordamos que nenhum animal deve ser prejudicado para a fabricação dos nossos produtos”, disse a H&M, por meio de sua assessoria de imprensa no Brasil.

Segundo a marca, eles adotam alguns dos padrões e certificações independentes mais rigorosos do mercado para o fornecimento de fibras de origem animal utilizadas na confecção de seus produtos.

“Toda a lã virgem utilizada por nós é certificada pelos padrões da Responsible Wool Standard, da Textile Exchange, ou proveniente de fontes recicladas certificadas. Levamos muito a sério qualquer descumprimento dos padrões e certificações independentes nos quais confiamos.”

Em contrapartida, a Peta reitera que “nenhuma certificação pode proteger as ovelhas da crueldade inerente à indústria da lã.”



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