O Governo de Pernambuco lançou, nesta quarta-feira (14), o Estudo Estratégico do Ecossistema de Infraestrutura Digital de Pernambuco. Realizado no auditório da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI-PE), o evento de lançamento marcou o início de um trabalho técnico de 90 dias focado em mapear oportunidades, identificar gargalos e subsidiar decisões que ampliem a competitividade pernambucana no cenário da economia digital.
Proposto pelo LIDE a partir de uma demanda governamental, o projeto é articulado conjuntamente pela SECTI-PE, pela Secretaria de Administração (SAD) e pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDEC). O desenvolvimento técnico foi confiado à consultoria especializada Deloitte, com financiamento de três grupos empresariais de origem pernambucana filiados ao LIDE: Grupo Cavalcanti Petribu, Estratégica Engenharia e Grupo Dislub Equador.
O mapeamento busca reunir dados sobre a infraestrutura tecnológica atual e avaliar caminhos para atrair novos aportes públicos e privados, ponderando aspectos econômicos, energéticos, ambientais, regulatórios e de segurança. A iniciativa ganha urgência diante da expansão global da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos serviços digitais, fatores que exigem maior capacidade de processamento, expansão da fibra óptica, segurança cibernética e fornecimento contínuo de energia. O estudo também analisará o potencial de conectividade internacional do estado por meio de cabos submarinos.
“O objetivo do projeto é definir uma estratégia estadual de infraestrutura digital para Pernambuco. Atrair investimento, impulsionar a transformação digital dos setores econômicos e consolidar Pernambuco como um polo de infraestrutura e serviços digitais no Brasil e quem sabe no mundo”, explica Matheus Rodrigues,
Sócio de soluções de Infrastructure & Real Estate, à frente do mapeamento.
Para alcançar esses objetivos, o estudo foi estruturado em quatro etapas principais. A primeira é de Diagnóstico e Modelos de Posicionamento, que compreende a análise do cenário atual e o mapeamento de modelos estratégicos para alavancar o ecossistema tecnológico local.
“A gente vai entender, fazer um diagnóstico e pensar em alguns modelos, de como que esse estudo poderia ser implementado, como que a gente poderia posicionar Pernambuco como um polo digital. A gente vai ter uma visão de como tudo isso vai estar, com um benchmarking do que está acontecendo no Brasil e no mundo”, detalha Matheus.
A segunda etapa envolve a priorização, detalhamento e captação de recursos, refinando os modelos selecionados e a estruturação da estratégia de atração de capital. As etapas três e quatro dizem respeito ao engajamento, validação e tese de investimento, com foco no acompanhamento contínuo junto às secretarias estaduais, ao LIDE e aos empresários locais, culminando na construção da tese de investimento que apoiará o governo na busca por aportes financeiros.
A condução dos trabalhos conta com uma estrutura de governança formada por um comitê de direcionamento, um comitê executivo e uma equipe técnica multidisciplinar de especialistas. Para garantir o êxito das entregas, foram elencados os condicionantes essenciais do programa.
“A gente tem alguns fatores que considera críticos do sucesso do programa: o alinhamento estratégico, um objetivo comum, a parte de critérios e premissas acordadas. É um projeto relativamente curto, então a gente precisa de agilidade nessas validações. A participação e envolvimento dos stakeholders chave — que envolve o governo, o pessoal do LIDE, os empresários e a equipe técnica — e a disponibilidade dos dados”, ressalta Matheus.
O primeiro passo é a formalização do plano e cadência das reuniões, a compilação de informações públicas e dados do governo, além da definição de agendas, riscos e dependências.
De acordo com a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco, Mauricélia Vidal Montenegro, a elaboração do diagnóstico é crucial para transformar vantagens locais em resultados práticos. “Pernambuco tem importantes diferenciais, como um ecossistema de tecnologia e inovação consolidado, universidades, centros de pesquisa e uma localização estratégica. Nosso objetivo é compreender melhor as oportunidades e os desafios da infraestrutura digital para planejar os próximos passos, atrair novos investimentos e criar condições para que o estado avance ainda mais na economia digital”, destaca.
O caráter colaborativo entre os setores público e privado também foi apontado como um diferencial pelo presidente do Sistema LIDE em Pernambuco, Drayton Nejaim. “Ainda mais importante que o estudo, iniciativa inédita no Brasil e que colocará Pernambuco à frente na captação de investimentos, é a oportunidade de fazer o poder público e a iniciativa privada darem um exemplo consistente de complementaridade e harmonia numa ação que beneficia o Estado”, afirma.
Previsto para ser concluído em três meses, o documento final trará um diagnóstico detalhado da situação atual, cenários alternativos e recomendações estratégicas para orientar políticas públicas e atrair investimentos privados. O movimento dialoga diretamente com o Plano de Governo de Pernambuco para o período de 2027 a 2030 e soma-se a outras agendas do executivo estadual.















