Unidade de R$ 258 milhões transforma resíduos em combustível renovável e reúne autoridades que destacam o impacto do projeto
Fagner Clemente
Publicado em 27/03/2026 às 17:16
| Atualizado em 27/03/2026 às 17:51
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A Orizon inaugurou, nesta sexta-feira (27), uma planta de biometano no Ecoparque Jaboatão, no município de Jaboatão dos Guararapes, consolidando o estado como um dos principais polos da transição energética no país. Com investimento de R$ 258 milhões, a unidade transforma resíduos sólidos urbanos em combustível renovável, com capacidade de produção de até 108 mil metros cúbicos por dia.
Durante a cerimônia, autoridades federais, estaduais e municipais destacaram o caráter estratégico do empreendimento. O secretário nacional de petróleo, gás natural e biocombustíveis, Renato Dutra, classificou o projeto como um marco para o setor energético brasileiro.
“Hoje celebramos um marco histórico do setor energético brasileiro. O biometano tem uma pegada de carbono menor do que o etanol e representa uma solução para o presente e o futuro do país”, afirmou.
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Segundo ele, a planta deve produzir cerca de 40 milhões de metros cúbicos de biometano por ano, o equivalente a aproximadamente 10% da produção nacional. Dutra também destacou o crescimento do setor, que passou de quatro para 19 plantas no Brasil, com expectativa de alcançar 100 unidades até o fim da década.
Do lixão à energia: a transformação de Jaboatão
A inauguração simboliza uma mudança estrutural no tratamento de resíduos na Região Metropolitana do Recife. O prefeito de Jaboatão, Mano Medeiros (PSD), relembrou o período em que o município ainda convivia com o antigo Lixão da Muribeca e destacou a evolução até o atual modelo sustentável.
“Vivemos a transição do lixão para um modelo moderno. Hoje, não se trata mais de enterrar lixo, mas de gerar energia”, disse.
Segundo ele, o processo envolveu desafios técnicos, ambientais e sociais, incluindo a integração de cerca de dois mil catadores em políticas públicas e a superação de entraves para implantação da infraestrutura de gás, com apoio da Copergás.
A experiência de Jaboatão, de acordo com o prefeito, passou a ser referência nacional em gestão de resíduos sólidos e foi levada a fóruns como a Frente Nacional de Prefeitos e debates internacionais sobre clima.
A vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause (PSD), afirmou que o empreendimento vai além da inauguração de uma planta industrial e representa uma mudança de modelo econômico no estado.
“Não é simplesmente uma nova planta. É a materialização de uma agenda que Pernambuco decidiu liderar, baseada em inovação, sustentabilidade e justiça social”, declarou.
Ela também destacou que o estado já superou o modelo de lixões e avançou na construção de uma economia circular. “É uma virada de chave. Transformamos um problema histórico em oportunidade de desenvolvimento”, completou.
Além da produção de energia renovável, o projeto também traz impactos ambientais e sociais. A estimativa é de redução de até 60 mil toneladas de emissões de dióxido de carbono por ano, além da geração de empregos e apoio a iniciativas voltadas à inclusão social e educação ambiental.
Para o governo federal, o avanço do biometano também está ligado à estratégia de segurança energética do país. “Investir nesse setor é garantir soberania energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis”, afirmou Renato Dutra.
Com a nova unidade, Pernambuco amplia sua participação no setor de energias renováveis e reforça o papel do Nordeste como protagonista na agenda de descarbonização no Brasil.


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