Fim da conivência dos clubes com os bandidos que transformam torcidas em facções é o primeiro passo para tranquilizar os verdadeiros torcedores
Publicado em 05/02/2025 às 0:00
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A determinação do Ministério Público de Pernambuco para que Náutico, Sport e Santa Cruz cortem oficialmente os laços com as chamadas torcidas organizadas – cuja organização lembra mais o crime organizado do que uma torcida – resgata uma demanda antiga, jamais cumprida pelos grandes clubes no estado, salvo exceções, por breves períodos. O fato de os gestores dos clubes terem concordado com a medida, em reunião com o Ministério Público, aponta para uma disposição de resgate da essência da torcida, sem a presença dos bandidos que são incentivados com a proteção e benesses dos dirigentes.
Depois das cenas de guerra civil no Recife, no último sábado, acompanhadas com apreensão no Brasil inteiro, os clubes pernambucanos não podem se eximir de fazer a sua parte na direção da pacificação do futebol. A guerra instituída pelas facções escondidas debaixo das bandeiras dos times, assusta não apenas o torcedor, mas a população inteira, ao impedir a circulação das pessoas nos dias de clássicos, restringindo ainda mais o já violento espaço urbano da capital. Espera-se que os clubes atendam ao que foi acordado, dando publicidade a essa exclusão e informando ao MPPE como isso está sendo realizado. Não dá mais para protelar a desvinculação radical entre o esporte e o crime.
Para o subprocurador-geral de Justiça em Assuntos Institucionais, Renato da Silva Filho, o que o MPPE pede é muito pouco. “Primeiro que os clubes se dissociem dessas torcidas organizadas, pois não tem nenhum cabimento você ter uma torcida organizada que tem CEP, CNPJ e sede. Isso é a falência do Estado. E o Estado não ficará nas mãos desses vândalos, que na verdade são bandidos”, afirmou. Trata-se da constatação do óbvio que precisa ser feito, e os clubes não podem mais continuar alegando que não possuem responsabilidade, diante dos crimes praticados do lado de fora dos estádios, por integrantes de torcidas organizadas que se tornaram fachadas para os bandidos. A dissociação requerida é apenas o primeiro passo, no caminho que gestores públicos e privados devem seguir para preservar a atividade esportiva e a paixão futebolística, afastando a criminalidade dos campeonatos.
O uso de tecnologias de reconhecimento facial e identificação de cada um dos torcedores, por sua vez, já deveria ter sido implementada em Pernambuco há muito tempo. A demora fortaleceu a impunidade que animou a repetição de badernas e atos violentos pelos falsos torcedores. Vale recordar que a extinção das organizadas no estado já ocorreu, anos atrás, ocasionando somente a alteração de CNPJ e o retorno aos estádios, sob a vista grossa dos clubes – mas também do poder público, que não agiu para coibir o retorno. O mesmo tipo de proteção acintosa da bandidagem pode ser vista na escolta de policiais às torcidas-gangues, em trajetos de puro surrealismo. Será que a polícia não poderia identificar os bandidos antes mesmo dos desfiles dos crimes pelas ruas?
Tomara que o consenso de agora não sofra virada que imponha nova derrota para os criminosos do futebol.

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