Os números escritos em fina caligrafia na base de um dos pilares da construção são uma certidão de nascimento —um 1920 orgulhoso, descoberto no processo de restauro, atesta a história mais que centenária da estrutura. E agora ela renasce.
Teo Vilela Gomes, um dos grandes conhecedores do design do país, à frente da galeria Teo, caiu de amores por esse galpão onde ficava uma velha fábrica de vassouras, cestas, espanadores e até ratoeiras, no bairro paulistano do Bom Retiro.
Os trens metropolitanos passam rente à estrutura de tijolos agora expostos e fundações de pedra maciça, uma espécie de espetáculo à parte. Foi ali que decidiu instalar os ateliês de restauro do melhor do mobiliário moderno do país, talvez por causa do pano de fundo vibrante e dramático, além de o aluguel sair mais em conta que a megaestrutura, de arestas polidas, que ele repaginou no caríssimo bairro de Pinheiros.
Em operação até o início deste século, a fábrica comandada pela família Cerello, imigrantes italianos que chegaram ao país ainda no auge do ciclo do café, passou a última década desativada. O porão, contam os novos donos do pedaço, estava cheio de entulho até o teto, e as máquinas centenárias juntavam pó nos pátios imensos da construção.
Esses gigantes metálicos agora voltam a ter lugar de destaque, mais como memória do velho espaço, no meio de peças do melhor do mobiliário moderno do país. O acervo da casa, que será aberta a visitas, tem peças de todas as fases da carreira de nomes centrais do design, entre eles Geraldo de Barros, Giuseppe Scapinelli, Jorge Zalszupin e Sergio Rodrigues.
Também há exemplares das fábricas comandadas por Barros, como a Hobjeto, e Zalszupin, que fundou a L’Atelier. Outros fabricantes de peso, como a Cimo, também são representados junto a outros menos conhecidos, mas autores de peças nada menos charmosas.
O projeto de restauro, conduzido pelo arquiteto Fernando Falcon, da firma Tacoa, levou cerca de um ano, sendo a maior parte do tempo gasta para demolir estruturas acrescentadas à original, os tais puxadinhos que parasitavam a construção, e remover décadas de entulho acumulado.
Falcon transformou uma velha rampa que permitia a entrada de carros na galeria, onde chegou a funcionar um lava-rápido, numa espécie de passarela para exibir móveis feitos para áreas externas, como jardins e piscinas. Lá dentro, os novos blocos construídos, como um elevador monta-cargas, vestiários para funcionários e novos ateliês de restauro, ganharam cores distintas, indicando tudo o que não estava ali desde o início.
Estruturas desenhadas por ele também vão exibir os principais exemplares do acervo, não em ordem cronológica mas separadas por autor. Cada bloco dessa estrutura, no final, funciona como uma pequena galeria com o mais importante daquele designer. Vilela Gomes, o galerista, conta que a ideia é ter sempre à frente de cada ala um exemplar icônico daquele criador, dando um ar mais institucional, ou cara de museu, ao que seria só um espaço comercial.
No andar de cima, uma série de ateliês, onde móveis vintage são recuperados, desde o processo de marcenaria e estofamento até pintura e verniz, o espaço volta a ter cara de fábricas. Esses espaços, organizados numa sequência de linha de montagem, são todos separados do resto da galeria por paredes de blocos de vidro, com uma pegada mais transparente e minimalista em relação ao conjunto eclético do galpão.
QUENTE E FRIO Em Milão, o Salão do Móvel, a maior festa do design mundial, acaba de chegar ao fim numa primavera de dias longos e sol quase escaldante para a época. As filas, mesmo nos estertores da mostra, ainda davam voltas nos quarteirões de Porta Venezia e outros bairros tomados pelos fanáticos por mobiliário, em especial a mostra “L’Appartamento”, organizada pela plataforma de mobiliário autoral italiano Artemest, no belíssimo palácio Donizetti.
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