Com Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch, o novo “E.T. – Edu e Tatá alterna momentos cômicos geniais e enfadonhos. Entre esses altos e baixos, o programa, que estreou no dia 19 de maio no Multishow e na Globoplay, tem funcionado melhor na internet do que na TV.
O talento da dupla de humoristas (aqui também corroteiristas) é inquestionável, mas a proposta ainda parece estar tateando seu lugar e seu público. O que chega às telas, em episódios de 25 minutos, é uma mistura anárquica de stand-up, esquetes de besteirol, paródias, participações de celebridades e pequenos quadros encenados que acenam ao humor das redes.
É neste último gênero que a dupla tem se saído melhor, com comédias situacionais curtíssimas e roteirizadas que lembram muito o trabalho do Porta dos Fundos e do Embrulha pra Viagem.
Assim saíram dois dos esquetes mais hilários exibidos nesses quatro primeiros episódios: o da feminista que massacra seu acompanhante com acusações desmedidas de machismo e o do gamer que produz vídeos de teorias conspiratórias disparatadas. Cada um mira um tipo comum nas redes associado a um dos lados do espectro político.
Nesse sentido, “E.T.” é uma novidade bem vinda com sua falta de pudor em cutucar qualquer bolha social. É algo que andava em falta por aqui, onde tem sido mais comum encampar um dos lados ou passar longe de qualquer possibilidade de polêmica, com resultados rasos e sem graça.
Quando mira a TV, porém, os comediantes se perdem do público habituado ao humor das redes ou à tradição anglófona de comédia, aquela que teve seu auge na trupe britânica Monty Python, nos anos 1970. As paródias de novelas, comerciais e programas de auditório carecem da carga dramatúrgica investida na TV Pirata (1988-1992), até hoje um cânone nacional (há uma exceção: a hilária imitação do casal telejornal Sandra Annenberg e Ernesto Paglia).
O improviso no qual os dois atores brilham tem mais espaço nos quadros menos roteirizados e curtos, mais conectados com os tempos atuais (o esquete do tiktoker que dá amendoim ao pai alérgico e grava tudo é excelente).
Exímios comediantes físicos, Tatá e Edu também se saem muitíssimo bem no nonsense e no absurdo, evocando o saudoso Comédia MTV, do qual Tatá é egressa, ou o próprio Monty Python.
Por outro lado, o espectador poderia ser poupado dos trechos inicial e final do programa, quando os comediantes encenam picuinhas em um stand-up insosso.
E as participações especiais de outras celebridades —Fafá de Belém, Cauã Reymond, Fátima Bernardes, Paola Carosella, Fernanda Lima— soam anacrônicas como um programa de auditório.
O vigor da dupla, porém, é tão grande que dá para ser otimista com os próximos episódios.
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