O cavalo de pau que os economistas de Flávio Bolsonaro desenham para um novo governo de direita no Brasil

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O cavalo de pau que os economistas de Flávio Bolsonaro desenham para um novo governo de direita no Brasil


Daniela Marque e Adolfo Sachsida são porta-vozes de um grupo de economistas e apoiadores que detalham ações de um eventual governo Flávio Bolsonaro.


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Na primeira semana de julho, a economista Daniela Marques fez um périplo pela Faria Lima, em São Paulo, tentando convencer o setor financeiro de que a campanha do filho “Zero Um” de Jair Bolsonaro era viável, chegando a desenhar o projeto feito a pedido do candidato Flávio Bolsonaro por seu grupo político – segundo ela – capaz de superar os “riscos fiscais” deixados pela atual gestão.

Aparentemente, os formadores de opinião mais ouviram do que falaram. Até porque naquele período a eleição de Lula estava precificada, a despeito da campanha de Fernando Haddad (PT) para o governo de São Paulo ser considerada um insucesso.

Ouvir sugestões

Acompanhada de Adolfo Sachsida, ela ouviu poucas sugestões. A vida seguiu; Daniela acompanhou o senador na audiência no USTR em Washington, quando ele pediu para não haver a cobrança de novas tarifas e fez uma defesa do PIX e pouca gente ouviu falar dela.

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Há duas semanas o interesse pelo que ela tem a dizer mudou completamente. E explodiu quando a última rodada da pesquisa Quest apresentou Flávio Bolsonaro na frente de Lula. E isso mudou comportamentos.


Divulgação

Daniela Marques Coordenadora de economia do candidato Flávio Bolsonaro.. – Divulgação

Choque de Gestão

Os amigos da Faria Lima voltaram a lhe telefonar para saber o que é mesmo aquela proposta de dar uma espécie de “cavalo de pau” à direita (ela chama de Choque de Gestão). E saber detalhes do que ela falou sobre a necessidade de, uma vez eleito, Flávio Bolsonaro acertar (ainda em 2026) a aprovação de uma PEC que trabalhe com o conceito de autocontenção.

Assediada, Daniela agora já não fala sozinha. Sabe-se que tem gente de peso por trás de seu discurso. Até porque a proposta de criação de uma instância de governança que tenho chamado de Conselho Superior da República, para que haja um pacto entre Poderes, só pode ser implementada senão por um conjunto de forças que vai além da articulação de ex-presidente da Caixa.

Revisão do arcabouço

Mas ela pode falar, por exemplo, da revisão do arcabouço criado pelo Governo Lula que, segundo ele, não tem credibilidade para sobreviver. Assim como pode desenhar ações iniciais de um novo governo de direita como promover o maior corte de gastos possível, focado em supersalários, privilégios, estruturas administrativas, cargos comissionados.

Daniela Marques vocaliza com insistência que um governo liderado por Flávio Bolsonaro precisa sinalizar que está comprometido com a disciplina fiscal e apostar que esse sinal seja suficiente para inverter a curva de juros futuros, o que poderia se refletir no mercado interno.


Divulgação

Adolfo Sachsida é economista da equipe de Flávio Bolsonaro. – Divulgação

Um revogaço

Ao lado de Adolfo Sachsida, ela fala, por exemplo, de um revogaço com medidas infralegais nos primeiros 100 dias, enquanto no Congresso se trabalha na aprovação de medidas para suportar a nova política econômica do governo. Naturalmente sabendo que haverá um grande barulho nas duas casas por parte da oposição.

Como afirmou em várias entrevistas a que agora está sendo convidada, Daniela Marques afirma que o novo governo vai trabalhar com disciplina orçamentária, simplificação regulatória e estabilidade política. Mas sem iniciar uma nova discussão do zero. Pragmatismo será a estratégia de ajustar os textos através de um diálogo técnico.

Obter recursos

Ela acredita que o governo tem como buscar formas de obter recursos com a venda de créditos de dívida ativa em poder da PGFN. Segundo ela, existem mais de R$ 3 trilhões que poderiam ser securitizados. Daniela Marques prevê, por exemplo, que algo em torno de R$ 700 bilhões seja de ativos performados e que o governo possa transformar em dinheiro entre R$ 100 bilhões e R$ 400 bilhões no mercado no primeiro ano.

Além disso, ela diz que a mensagem central será deixar claro que o novo governo vai trabalhar num conjunto de medidas que mire o controle da trajetória da dívida/PIB. “Um corte de pelo menos 1,5% do PIB nas despesas pode gerar um ajuste na curva (de juros) de mais 2,5%” , estima a economista.

Maior ajuste fiscal

Otimista, ela diz que tudo se resume à atitude que o governo pode provocar. Numa entrevista ao jornal O Globo, depois da divulgação da pesquisa da Quest, Daniela Marques resumiu o impacto que um eventual governo Flávio Bolsonaro poderia provocar: O maior ajuste fiscal que vai ter vai ser tirar o PT do governo. Esse governo não tem credibilidade hoje diante dos credores e diante das mesas de negociação global. Hoje a taxa de juros futuros já cai sem a gente nem começar a trabalhar, e a Bolsa já sobe simplesmente porque tem 50% de chance de Flávio ganhar a eleição.

Claro que o fato de agora o que Daniela Marque fala ou desenha como um eventual modelo Flávio Bolsonaro de governar provoca resistências. Afinal, ela não tem o perfil nem é tão empoderada como Paulo Guedes no governo Jair Bolsonaro.

Governo do PT

O que explica que a maioria dos economistas ainda trabalhe olhando 2027 numa visão de um quarto governo do PT com as dificuldades em fechar as contas no azul no topo da lista de preocupações de analistas e investidores do mercado financeiro. Mesmo com uma desconfiança em relação à capacidade do governo de honrar os compromissos da dívida pública, já que as contas fecham no vermelho.

Ou seja a idéia de um cavalo de pau de direita ou o choque de gestão para encaminhar na direção de reconstruir a própria política fiscal ainda em 2027 ainda não existe publicamente fora do domínios da equipe de Flavio Bolsonaro. Embora se saiba que Daniela Marque e Adolfo Sachsida são porta-vozes de um grupo bem maior que pensa em um governo Flávio Bolsonaro, não vai ser conhecido antes do resultado das eleições.

Ruim para Lula

O número de brasileiros de 16 a 24 anos aptos a votar caiu 22% desde 2010, passando de 24,7 milhões para 19,2 milhões em 2026. Em 2010, os brasileiros de 16 a 24 anos representavam 18,2% dos eleitores aptos a votar. Em 2026, a parcela caiu para 12,5%. Em 2022, 17 milhões dos 21,5 milhões de brasileiros de 16 a 24 anos foram às urnas no primeiro turno, o equivalente a 78,9%. Esses eleitores eram majoritariamente de Lula e atenderam as campanhas do TSE. Isso não se repetiu este ano.

Refis em setembro

Empresas com débitos inscritos em dívida ativa da União têm até 30 de setembro para aderir à renegociação do Edital nº 6/2026 da PGFN. Para a transação de pequeno valor, voltada a pessoas físicas, MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte (EPPs), são elegíveis débitos até 1º de junho de 2025. Nas demais modalidades, podem entrar inscrições realizadas até 3 de março de 2026.

Na transação de pequeno valor, podem ser negociadas inscrições de até 60 salários mínimos, cerca de R$ 97 mil, desde que respeitado o corte de 1º de junho de 2025. Caso a dívida ultrapasse esse limite, a empresa ainda pode se enquadrar em outras modalidades do edital, como a transação por capacidade de pagamento, que admite débitos consolidados de até R$45 milhões inscritos até 3 de março de 2026.

ICMS do Redata

A aprovação do Redata como um importante passo para a competitividade nacional em infraestrutura digital está sendo seguida de pressão para aprovação de convênio no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) que autorize os Estados a reduzirem o ICMS incidente sobre equipamentos de infraestrutura de Tecnologia da Informação (TI) destinados a esses centros.

A tributação sobre esses itens é até 33% superior à observada em outros países. Ao combinar o regime federal com uma redução do ICMS, os custos de investimento poderiam cair em até 21%, enquanto os benefícios relacionados aos tributos federais, isoladamente, produziram uma redução estimada de até 4%.

Motor a etanol

A primeira fase de testes do projeto de um motogerador com capacidade instalada de 4 MW, para geração termelétrica, desenvolvido para operar majoritariamente com etanol, superou as metas de eficiência previstas.

O projeto, que é liderado pela Savana Holding, em parceria com a finlandesa Wärtsilä, registrou eficiência de 42% a 43% durante 50 horas de operação do equipamento instalado na planta de Suape II. Esse desempenho coloca a tecnologia a etanol em um patamar próximo ao dos motores termelétricos a diesel mais eficientes disponíveis atualmente. O teste avalia a confiabilidade e a viabilidade técnica da tecnologia em condições operacionais, dando continuidade ao desenvolvimento do projeto.

Quinto Constitucional

A advogada e professora Isabela Lessa apresentou novamente sua candidatura à vaga de desembargadora do TJPE destinada à advocacia pelo Quinto Constitucional. Com mais de 20 anos de atuação, é sócia-fundadora do Bahia, Lins e Lessa e professora de Processo Civil e Prática Jurídica desde 2006.






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