Novo Desenrola: juros altos pressionam endividamento das famílias

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Novo Desenrola: juros altos pressionam endividamento das famílias


Com 80% das famílias endividadas, governo lança Novo Desenrola para reduzir inadimplência e facilitar acesso ao crédito com descontos de até 90%



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O governo federal lançou nesta semana o Novo Desenrola, iniciativa que visa combater o recorde de endividamento das famílias brasileiras.

A medida surge em um cenário de pressão econômica, onde a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados e o expressivo spread bancário — a diferença entre o custo de captação dos bancos e o valor cobrado dos clientes — dificultam o equilíbrio financeiro dos lares.

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Recorde de endividamento e juros reais

De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de famílias endividadas atingiu 80% em abril, consolidando uma nova máxima histórica. O impacto é severo entre os que ganham até três salários mínimos: neste grupo, o endividamento chega a 83,6%, com 38,2% de contas em atraso.

A conjuntura macroeconômica agrava o cenário. Atualmente, o Brasil possui a segunda maior taxa de juros reais do mundo (9,3%), atrás apenas da Rússia. Mesmo com reduções pontuais pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic em 14,5% é apontada por especialistas como um entrave ao consumo e à quitação de débitos.

A disparidade do spread bancário

Um dos principais fatores para o encarecimento do crédito no país é o spread bancário, que atingiu 34,6 pontos percentuais em março. Para efeito de comparação, a média mundial calculada pelo Banco Mundial é de 6 pontos percentuais.

Para a professora de economia Juliane Furno (UFF), há um ciclo vicioso entre juros e inadimplência:

“O Brasil tem um dos maiores spreads bancários do mundo. O spread é elevado, segundo os bancos, porque a inadimplência é muito alta. Ou seja, esse valor justificaria o risco. Só que posso também dizer que a inadimplência é alta porque os juros são altos.”

Dados do Banco Central reforçam a disparidade: enquanto empresas pagam, em média, 24% de juros ao ano, a taxa média para pessoas físicas salta para 61%. No rotativo do cartão de crédito, o índice pode ultrapassar os 400%.

Impacto social

A precarização do mercado de trabalho e a necessidade de complementar a renda para despesas básicas são citadas como motores da crise. Maria Lourdes Mollo, professora da UnB, destaca o impacto direto na engrenagem econômica:

“Os juros dos empréstimos estão muito altos. Isso tem uma relação direta, sem dúvida nenhuma, com o endividamento das pessoas, o que tem dificultado muito a economia a funcionar. Grande parte das pessoas está se endividando para completar o orçamento, para pagar despesas com saúde e do cotidiano.”

Principais condições do programa:

  • 90 dias para renegociação;
  • Descontos de até 90% no valor da dívida;
  • Público-alvo são famílias, estudantes e microempreendedores;
  • Possibilidade de utilizar o FGTS para o abatimento de débitos.

O programa busca interromper o que a professora Maria Mello de Malta (UFRJ) define como uma “bola de neve”, onde o trabalhador busca novas fontes de crédito apenas para quitar dívidas anteriores, gerando um endividamento progressivo.






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