Os municípios situados dentro do bioma Caatinga concentraram mais da metade das vagas geradas em toda a região, somando 9.714 novos postos
JC
Publicado em 29/05/2026 às 16:19
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O mercado de trabalho formal no Nordeste apresentou uma expressiva trajetória de crescimento no mês de abril de 2026. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) analisados pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a região respondeu por 21,79% do saldo nacional de novas vagas com carteira assinada. O resultado representa uma forte aceleração em relação ao mês de março, quando a participação regional na geração de empregos do país havia sido de apenas 11%.
Ao longo do mês de abril, o mercado de trabalho nordestino registrou 317.689 admissões contra 298.975 desligamentos, o que resultou em um saldo positivo de 18.714 novos postos de trabalho formais. Com esse desempenho, o Nordeste passa a somar 70.137 empregos gerados no acumulado do primeiro quadrimestre do ano, o equivalente a aproximadamente 10% do resultado do país, mantendo uma média mensal de criação de vagas próxima a 17,5 mil postos em 2026. Os dados completos integram a plataforma Data Nordeste da autarquia.
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A distribuição geográfica do emprego revela a força econômica das áreas interioranas. Os municípios situados dentro do bioma Caatinga concentraram mais da metade das vagas geradas em toda a região, somando 9.714 novos postos formais, ou 51,91% do total regional. O semiárido nordestino também teve participação expressiva, sendo responsável por 6.495 novos postos de trabalho, o que equivale a 34,71% do total de contratações do período.
No aspecto demográfico, o público feminino continuou sendo o principal motor do mercado de trabalho na região. As mulheres responderam por 14.053 vagas abertas em abril, o equivalente a cerca de 75% do saldo do Nordeste, enquanto os homens ocuparam 4.661 novas posições. Apesar do amplo protagonismo feminino no volume de contratações, a disparidade salarial histórica persistiu no período: a remuneração média de admissão para as mulheres ficou em R$ 1.980,63, valor inferior à média masculina de R$ 2.095,65.
A análise por nível educacional mostra uma forte concentração das contratações entre profissionais com ensino médio completo, segmento que registrou sozinho a criação de 22.924 empregos formais, consolidando a preferência por mão de obra de qualificação intermediária na região. Por outro lado, trabalhadores de menor escolaridade enfrentaram um cenário de retração, com fechamento de postos concentrado principalmente nas faixas de ensino fundamental e de até a quinta série incompleta.
Entre os estados nordestinos, a Bahia liderou com folga a geração de vagas ao registrar um saldo de 8.461 contratações formais, concentrando 45,2% do desempenho regional. Na sequência, apresentaram saldos positivos os estados do Ceará com 3.509 vagas, Pernambuco com 3.340 e Paraíba com 2.017 novos postos, seguidos por resultados favoráveis também no Maranhão, em Sergipe e no Piauí. No caminho oposto, apenas o Rio Grande do Norte, com perda de 156 vagas, e Alagoas, com fechamento de 1.505 postos de trabalho, encerraram abril no terreno negativo.
Sob a ótica dos setores produtivos, o segmento de Serviços seguiu como a grande âncora econômica da região. O setor gerou um saldo positivo de 19.811 empregos, resultado que supera o saldo geral do próprio Nordeste devido às baixas registradas em outras atividades. Os melhores desempenhos absolutos ocorreram em Pernambuco e na Bahia. A expansão de serviços foi puxada majoritariamente pelo subsetor de atividades administrativas e serviços complementares, seguido pelas áreas de saúde, serviços sociais e educação.
A Construção Civil também manteve seu ritmo de expansão e conseguiu a marca de registrar saldo positivo em todos os estados da região, com a criação de 7.408 empregos formais. Juntos, os estados da Bahia e de Pernambuco responderam por mais de 66% desse saldo no setor de infraestrutura e edificações. O Comércio registrou estabilidade com saldo modesto de 142 vagas formais, onde o crescimento no Ceará, Piauí, Pernambuco, Alagoas e Sergipe compensou as demissões ocorridas no Rio Grande do Norte, Maranhão, Bahia e Paraíba.
Em contrapartida, as atividades da Agropecuária e da Indústria exerceram pressão negativa sobre o balanço regional de abril. O setor agropecuário fechou o mês com saldo negativo de 5.269 postos, sofrendo retrações generalizadas com maiores baixas registradas na Bahia e no Rio Grande do Norte. Já a Indústria de transformação registrou o fechamento de 3.376 vagas formais em abril, puxada por fortes quedas sazonais em Pernambuco e Alagoas, embora estados como a Bahia tenham registrado saldo positivo no segmento industrial no mesmo período.














