Em homenagem ao Dia Mundial do Livro, nesta quinta, 91 livrarias em 31 cidades do país mantiveram suas portas abertas além do horário normal. Era o dia 23 de abril, a Noite das Livrarias.
Na cidade de São Paulo foram 52 eventos distribuídos em 49 livrarias e bancas. Uma das primeiras a dar início às atividades foi a Banca Tatuí, em Santa Cecília, que desde as 18h distribuiu artes e cartazes fosforescentes para os visitantes.
A fila para pegar os brindes gratuitos dava volta na esquina. Gabriel Vieira de Macedo, de 27 anos, mora no Tatuapé e foi até lá só para garantir sua serigrafia da artista Zebradaa, de quem é fã.
A uma quadra de distância dali, a Livraria Gráfica convidou leitores a ler. Os visitantes podiam levar seus próprios livros, comprar na loja ou pegar alguns dos títulos disponibilizados ali, como “O Vício dos Livros” de Afonso Cruz e “Pequenos Fogos” de Laura Erber.
A estudante Letícia Aiko, 20, saiu de casa em Sapopemba com seu exemplar de “Corte de Névoa e Fúria”, de Sarah J. Maas, para participar de sua primeira leitura coletiva. “Fiquei sabendo pelo BookTok e vim explorar livrarias novas”.
Seguindo a pauta ditada pela Flip, a Livraria Ponta de Lança, também em Santa Cecília, manteve suas portas abertas para recitar poemas de Orides Fontela, autora que será homenageada na festa de Paraty em julho.
A leitura dramática foi acompanhada de taças de vinho para os visitantes, o que atraiu as amigas Luiza Buchaul, 39, e Camila Nakaharada, 38. A primeira mora no bairro e a segunda estava visitando de Mogi das Cruzes. Essa foi sua terceira parada de sete livrarias visitadas naquela noite.
“Mesmo assim não conseguimos aproveitar tudo que gostaríamos. Seria ainda melhor se fosse possível estender noite adentro, como uma espécie de Virada Cultural”, diz Luiza.
Camila é irmã de Carlos Eduardo Nakaharada, um dos donos da Livraria Barrilete, especializada em livros sobre futebol. A pequena loja no Bixiga recebeu nesta quinta os autores Juca Kfouri, Cássio Brandão, Gilvan Ribeiro, Hélio Alcântara e Ricardo Gozzi para um papo descontraído em torno de uma mesa de bar e, claro, acompanhado de cerveja.
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O tema da conversa foi o Corinthians, cujo padroeiro, são Jorge, também é celebrado em 23 de abril. Entre os visitantes se viam também camisas de times estrangeiros, como Manchester e Universidad de Chile, e até mesmo camisas do Palmeiras.
O dono da Barrilete, que é são-paulino, explica que ali não pode ser clubista. O que mais vendeu na noite, segundo ele, foi cerveja. “É ela que paga as contas.”
Com expectativas, mas sem metas definidas, todos os livreiros entrevistados notaram um aumento de vendas na última noite. Monica Carvalho, da Livraria da Tarde, diz que o evento valeu a pena tanto pelo rendimento quanto por atrair novos clientes.
Outro que peregrinou pelas livrarias de São Paulo ao longo da noite foi o colombiano Rodnei Cazares. Dono da Ítaca Librería-Bar, em Medellín, ele veio conferir a noite livreira paulistana.
“O que São Paulo fez melhor foi a divulgação por diversos meios”, afirma o livreiro, que também já participou de versões parecidas do evento no México e na Argentina.
Ana Luiza Dias, de 63 anos, ficou sabendo do evento na Livraria Simples pelo rádio. Recém-aposentada, ela conta que foi até lá para dar início a uma retomada do hábito de leitura.
Na Simples, no bairro da Bela Vista, quem chegou um pouco mais tarde não conseguiu nem mesmo subir as escadas para dar uma espiada no encontro entre a escritora Cidinha da Silva, o antropólogo Michel Alcoforado e a jornalista Adriana Ferreira Silva.
Outro ponto que recebeu mais gente do que o esperado foi a Livraria das Perdizes, que estendeu seu horário normal com um karaokê, cujo auge foi uma performance de “Anna Júlia” de Los Hermanos.
Localizada ao lado da PUC, a livraria atraiu gente do entorno com música e cerveja distribuída gratuitamente. “Recebemos mais de 200 pessoas, muitas que não frequentam a livraria, mas que compraram livros”, diz a diretora comercial Elaine Nunes.
Nem só de livrarias independentes foi feita a noite. Na rua dos Pinheiros, a Travessa ofereceu a programação mais extensa do evento. Houve o lançamento de “100 Canções em Letras”, de Alexandre Dacosta, um sarau de poesias organizado pela editora Fósforo e uma exposição com fotos que visitantes podiam manusear.
Segundo Irene de Hollanda, diretora da Megafauna e uma das idealizadoras do projeto, a Noite faz parte de um movimento de reinvenção das livrarias de rua como formas de ocupar a cidade. “Foi um gesto de afirmação.”

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