Muito dinheiro e pouco voto: o erro de alvo que está limitando Lula

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Muito dinheiro e pouco voto: o erro de alvo que está limitando Lula


Governo Federal investe bilhões em políticas que até são eficazes, mas mira em quem já está convencido e não amplia sua base eleitoral.



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A engrenagem central do lulismo em 2026 revela um paradoxo incômodo. O governo entrega políticas públicas amplas, tecnicamente consistentes e com alto alcance social, mas não transforma essa entrega em crescimento eleitoral.

Boa política pública não gera voto novo por si só. Lula (PT) entrega, mas não amplia sua base. O que está acontecendo?

O problema está menos no volume das ações e mais no alvo político dessas medidas. Alcance não se confunde com conversão. Para crescer, é necessário atingir quem ainda não apoia e produzir uma percepção que leve à mudança de comportamento eleitoral.

Há políticas públicas lançadas por esta gestão que atingem 10 milhões de pessoas. Outra que chega a mais de 4 milhões. E a popularidade não cresce. Talvez porque os beneficiados entendem que o governo não está fazendo um benefício, apenas entregando o que eles já deveriam ter há tempos. Ou porque, simplesmente, ele já votavam em Lula antes.

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Isenção IR

Por exemplo, a isenção do Imposto para rendas até R$ 5 mil é uma política de impacto direto e imediato. Ao elevar a renda líquida de milhões de trabalhadores, cria um benefício concreto, recorrente e facilmente percebido. O alcance é expressivo, estimado em cerca de 10 milhões de pessoas, com capilaridade nacional e efeito direto no consumo.

Do ponto de vista técnico, trata-se de uma política eficaz, com todos os atributos clássicos de uma medida capaz de gerar ganho de popularidade eleitoral também. Mas existe uma limitação crucial.

Efetividade IR

O efeito eleitoral existe, mas não é tão expressivo e não se sustenta, em parte, porque a maior parte dos beneficiários já integra a base de apoio do governo. A política amplia renda, mas conversa com quem já está convencido. É lógico que um grande contingente desses 10 milhões de atingidos é de centro ou de direita e não apoia o presidente. Por que eles não são convencidos então?

Entre os que não apoiam, além da resistência natural da polarização política acirrada, existe a barreira de percepção. O eleitor tende a interpretar a isenção como correção de uma distorção histórica, não como um “benefício concedido”. Esse enquadramento neutraliza a gratidão política.

O resultado aparece nas pesquisas como um impulso inicial que rapidamente se dissipa, retornando ao patamar anterior.

Pé de Meia

O programa Pé de Meia segue lógica semelhante. A política transfere renda a estudantes da rede pública com o objetivo de estimular permanência escolar e melhorar indicadores educacionais. O desenho é consistente, o público é claramente definido e o alcance, entre 4 e 5 milhões de estudantes, é relevante. Há impacto direto nas famílias de baixa renda e efeito social positivo evidente.

Efetividade

O limite reaparece na dimensão eleitoral. O público atingido já compõe o núcleo duro do lulismo. Famílias de baixa renda concentram historicamente apoio ao presidente. O programa fortalece esse vínculo e reduz risco de perda, mas não altera o mapa eleitoral. Funciona como política de manutenção, não de expansão. O investimento elevado, muito elevado, garante estabilidade, mas não produz avanço nas intenções de voto.

Leitura

A distinção central é entre alcance e qualidade do alvo. Políticas que atingem milhões não geram crescimento quando esses milhões já estão no campo de apoio. Crescer exige precisão. Exige identificar segmentos ainda não convertidos e falar com eles de forma compatível com seus valores. A experiência recente mostra que entrega administrativa, por si só, não desloca voto.

É nesse ponto que surge a tentativa de diálogo com trabalhadores por conta própria, motoristas de aplicativo e pequenos empreendedores. Trata-se de um público que valoriza autonomia, renda direta e menor mediação estatal. O repertório tradicional do lulismo não encontra aderência automática nesse universo. O desafio é de linguagem e de desenho de política.

Não é por acaso que o presidente deu entrevistas recentes pontuando que para tentar a reeleição precisa ter algo novo para apresentar. É “algo novo para um público novo”. Ele entende o próprio desafio, já é um começo.






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